O Datafolha divulgou recentemente os resultados de uma pesquisa feita junto a 1.116 mil paulistanos. Segundo o levantamento, dois terços dos entrevistados estariam dispostos a fazer algum trabalho voluntário para ajudar a livrar a cidade do caos em que ela se encontra, atuando nas áreas da educação e saúde, no atendimento à população mais carente, na sua limpeza etc.
A esmagadora maioria dos entrevistados (93%) acredita que, em vez de apenas criticar os administradores públicos, a população deve fiscalizar sua atuação e ajudar na recuperação da cidade e é por aí que passa o trabalho voluntário. A maior parte (77%), no entanto, rejeita toda e qualquer proposta de aumento dos impostos e taxas. O que, a rigor, não é surpresa para ninguém. Já se paga além da conta. Sabe-se disso.
O que chama atenção é o fato de que, se há disposição para o trabalho voluntário, 60% dos entrevistados admitem que até hoje nada fizeram em favor de seu município e das pessoas mais carentes. Diante desses dados, gostaria de fazer duas considerações.
A primeira: existe a possibilidade de que uma parte dos entrevistados respondeu de acordo com aquilo que se convencionou chamar de politicamente correto essa praga que faz de qualquer tolo um sujeito com cara de cidadão de primeira linha. Ou seja: o tipo joga lata de cerveja na rua, escarra no carpete da sogra, coça as partes pudentes em público, mas é incapaz de destoar, nas declarações, do pensamento dominante. É o que se mais se vê por aí hoje em dia.
A segunda: há uma conscientização crescente da sociedade de que o Poder Público, por si só, é incapaz de fazer frente a todas as demandas. E que, por isso, se preocupa em fazer algo, em dar um pouco de si em prol da comunidade e, por extensão, de si mesmo e de sua família. Tomara que seja por aí. As coisas seriam bem melhores, sem dúvida, se a maioria das pessoas respeitasse, por exemplo, o sinal vermelho. Teríamos, na pior das hipóteses, menos mutilados.
Otimista incorrigível, prefiro acreditar na segunda hipótese a de que as pessoas, se motivadas e devidamente apresentadas a planos bem feitos, podem fazer muito pela sua rua, pelo seu bairro, pela sua cidade e, conseqüentemente, pelo seu país e pelo mundo.
Cabe, portanto, aos prefeitos recentemente eleitos e reeleitos arregaçar as mangas, pôr suas equipes para trabalhar, apresentar planos factíveis, deixar de lado o eterno queixume da falta de verbas, jogar menos para a platéia e investir, pesado, nessa que pode ser a saída para todos os males: a parceria sincera, transparente e competente com a sociedade. Os resultados não tardarão a surgir. A não ser, claro, que os entrevistados tenham mentido de forma vergonhosa. Não há razões para acreditar nisso.
(*) Nelo Rodolfo é jornalista e deputado federal pelo PMDB-SP - e-mail: nelorodolfo@uol.com.br