Deputado federal João Herrmann Neto (PPS) falou sobre a disputa política na Câmara e o jogo de cena do PFL com oposição
Quem acompanha o noticiário político local, estadual e nacional consegue entender porque o PFL é aliado do PPS em Bauru e é adversário do mesmo partido em Brasília (DF), neste momento. Ontem, o deputado federal João Herrmann Neto (PPS) falou sobre o jogo político que envolve a eleição para a presidência do Senado e da Câmara Federal, dando sua visão sobre uma disputa que mostra o jogo de cena dos governistas do PFL discursando contra o PSDB para, aparentemente, mostrar que está junto com a oposição. João Herrmann comentou sobre o uso das normas da Câmara Federal de acordo com as artimanhas lançadas pelos partidos nesta disputa.
O deputado federal disse que a Constituição Federal diz que quando se monta uma chapa para a eleição na Câmara, existem dez cargos à disposição do presidente e vice aos secretários. A lei também diz que deverá ser respeitada a proporcionalidade partidária. Aí, aparece a primeira artimanha, conta Herrmann. Só que fala na proporcionalidade das bancadas, mas não diz quando. Se é em 3 de outubro, 1 de janeiro, 10 de fevereiro. Aí, vem a primeira fórmula de você dizer qual é a regra segundo o momento. Como há uma forte migração partidária, de acordo com a época, há mudança da colocação do partido majoritário na Câmara. O Michel Temer, presidente da Casa, que é do PMDB, determinou 15 de dezembro como a data para a definição da maior bancada, ou seja, o fim do exercício legislativo passado. Mas, então, podia ser outras datas, comentou.
Assim, a definição tornou o PSDB a maior bancada da Câmara dos Deputados. O que deu aos tucanos a faculdade de indicar o presidente. Aí, o PMDB e o PFL poderiam escolher o cargo que quisessem, depois viria o PPB, o PTB, assim por diante, até completar todos os cargos da Mesa, com partidos ou blocos escolhendo conforme a representação do grupo, ampliou Herrmann. Mas o jogo não ficou assim. O deputado federal Inocêncio Oliveira (PFL), governista conhecido, que já era candidato à presidente da Câmara, dizia outra história: Para o equilíbrio da base governista, o presidente da República sendo do PSDB, no rodízio no Senado e na Câmara, o presidente da Câmara ficaria com o PFL e o Senado passaria para o PMDB. O Inocêncio, tentando se passar por inocente, tentou fazer este acordo. Assim, baseado neste seu critério, ele seria o presidente da Câmara, disse.
Mas a conseqüência desta disputa criou outro cenário. João Herrmann conta que, rompido este acordo, já que ao PMDB interessa afastar o PFL e manter-se ligado ao PSDB, tentando tirar dos pefelistas um lugar privilegiado no Governo, o Inocêncio Oliveira ficou à míngua. Aí vem outra artimanha. Se o Inocêncio fosse o candidato do PFL, a lei impede que o partido tenha outras vagas, como na vice-presidência e secretarias. Então, o Inocêncio lançou-se candidato avulso, não do partido, para o PFL poder participar dos outros cargos. Admitida a candidatura avulsa, que foge à Constituição, mas virou uma histórica decisão da Casa, desenhou-se outras candidaturas lançadas, como Severino Cavalcante, do baixo clero, aqueles que têm atuação mais em seus redutos do que na discussão de temas nacionais, e outros como Nelson Marquezelli, ruralista, e Waldemar Costa Neto. Mas para valer mesmo, ficaram as candidaturas de Inocêncio Oliveira (PFL) e Aécio Neves (PSDB), continuou explicando o deputado.
Assim, com PFL e PSDB tidos como adversários nesta eleição, surgiu outra questão. O Antonio Carlos Magalhães tentou vetar o candidato do PMDB ao Senado, Jáder Barbalho. Ele é a cara deste governo, não vale um tostão, a cara das velhas artimanhas, da ação por velhos privilégios. Mas para o Governo, o Jáder é tudo que ele quer, porque não vai incomodar ninguém nestes próximos dois anos no Senado, anos que podem ser mais difíceis para FHC. Por outro lado, ACM sabe que Jáder Barbalho na presidência do Senado jogaria o PFL para escanteio, um grupo totalmente fora do poder, sem a Câmara e o Senado e mais distante do Governo, com o presidente Fernando Henrique deixando de ser refém dos pefelistas. Este jogo fez com que ACM colocasse Jáder como o corrupto nacional. O povo brasileiro não merece esta discussão, em se tratando dessas duas figuras. ACM é o dejeto social do País, um homem cavalar da ditadura. Jáder eu já disse. Mas este era o jogo, falou.
Neste jogo, o PMDB ganhou espaço e Inocêncio Oliveira (PFL) perdeu. O PMDB pediu apoio ao PSDB para Jáder Barbalho no Senado em troca de dar os votos dos deputados peemedebistas para Aécio Neves na Câmara. A briga entre ACM e Jáder favoreceu o acordo PMDB-PSDB para a eleição nas duas Casas. Nesta fase, conta Herrmann, Inocêncio Oliveira partiu para outra estratégia. O pefelista acenou para PT, PDT, PC do B e PSB. Que votassem nele que ele orientaria seu partido a votar em Jefferson Perez, candidato da oposição no Senado. Como Carnaval não cai na Semana Santa e Papai Noel não chega na Festa de São João, não dá para tentar ver o PFL votando na oposição, falou.
Assim, anteontem, ocorreu mais um capítulo da eleição no Congresso. O Severino Cavalcante abriu mão de sua candidatura e o PMDB retirou a indicação da primeira secretaria entregando-a para o PPB. Assim, hoje, no momento em que estamos conversando, há 13 dias da eleição, o Aécio Neves é o candidato com mais chances na Câmara e o Jáder Barbalho no Senado. Mas é hoje, porque no Congresso eleição da Mesa também é difícil. O que pode mudar, hoje, é uma denúncia muito forte contra esses candidatos, uma mudança brutal de postura do Governo em relação à disputa ou uma negociação muito diferente das atuais, o quadro será esse. Pela primeira vez, o PFL pode estar fora do comando de poder no Senado e na Câmara dos Deputados depois de muitos anos. Pode ficar só o Marco Maciel com a vice-presidência da República, finalizou.