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Semma ensaia parceria com empresas

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 5 min

Até 2004, coleta seletiva de lixo deve estar 100% implantada, proporcionando maior sobrevida ao aterro sanitário

Um grupo de empresários de Bauru vai equipar cerca de cem lotes de áreas verdes esparramadas pela cidade. São espaços reservados pela Administração para a construção de praças. Sem dinheiro para bancar o projeto, o secretário municipal de Meio Ambiente, Luiz Pires, está propondo uma parceria com a iniciativa privada.

Uma licitação pública vai disponibilizar aos empresários 170 praças do Município já urbanizadas para exploração de espaço publicitário, como painéis luminosos, entre outras opções. Em troca, as empresas vão se responsabilizar pela instalação dos equipamentos de lazer dos cem lotes que ainda estão em estado bruto.

O projeto encontra-se na Secretaria Municipal de Negócios Jurídicos para acerto de detalhes e, se tudo correr bem, o processo que vai licitar as praças públicas para utilização de propaganda deverá ser viabilizado no prazo de dois meses. A proposta está atraindo o interesse de empresas de porte instaladas na cidade, principalmente aquelas do ramo de supermercados.

Antes mesmo de iniciar os estudos do projeto, Pires conta que os empresários manifestaram o desejo de adotar as áreas verdes já urbanizadas, ficando eles responsáveis pela manutenção. Mas o secretário achou por bem partir para o processo de licitação por se tratar de áreas públicas. A decisão foi certa porque vai fomentar a concorrência. Quem sairá ganhando, além do Município, será a comunidade, que terá um espaço de lazer e divertimento.

A princípio, o projeto da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma) prevê que, para cada 150 metros quadrados de praças que serão urbanizadas, deverão ser instalados equipamentos como um poste de iluminação, dois bancos e uma lixeira. Nos casos de áreas verdes superiores a 450 metros quadrados, as empresas poderão instalar um relógio ou um painel no local.

Além da utilização desse espaço em troca da reurbanização de praças, a Prefeitura vai considerar, nas propostas dos interessados, uma quantia mensal em dinheiro, que será depositada no Fundo Municipal do Meio Ambiente. Pires está confiante no projeto e acha que essa parceria com a iniciativa privada será apenas o início de uma sociedade que vai recuperar o tempo perdido pelo Município em épocas passadas.

Código

Outro desafio da Semma para este ano será a implementação do Código Ambiental, que aponta as diretrizes para o Município na defesa do meio ambiente e de um desenvolvimento ecologicamente correto. Segundo o secretário, o código vai interferir em todos os assuntos que envolvem diretamente as questões ambientais.

Uma de suas exigências é que todos os projetos de construção de núcleos habitacionais vai ter que ser avaliado dentro das diretrizes da nova lei. No passado, a ocupação do solo na cidade foi desordenada. Pires diz, com convicção, que as enchentes registradas no Município em época de chuvas estão diretamente relacionadas com a ocupação desordenada do solo.

Bauru é uma cidade rica em fundos de vales e muitos dos núcleos habitacionais construídos no passado ocuparam essas áreas. O secretário afirma que, daqui para frente, a Semma não será apenas uma secretaria cujas responsabilidades são a limpeza de praças públicas, plantação de árvores e manutenção de jardins. A Semma vai passar a ter influência de peso nas questões que envolvem assuntos ambientais.

Coleta seletiva

O secretário municipal de Meio Ambiente tem uma meta a ser cumprida até o final da atual Administração: implantar a coleta seletiva de lixo em 100% da cidade. Hoje, o serviço já cobre 48% da área urbana, que proporciona o recolhimento de 90 toneladas de materiais recicláveis por mês, cerca de 1% de todo lixo recolhido no mesmo período.

Por dia, são recolhidos 200 toneladas de lixo em toda a cidade. Após a implantação completa do serviço, quem vai sair ganhando com a coleta seletiva será o aterro sanitário. Sua sobrevida vai aumentar de quatro a cinco anos com a seleção dos recicláveis. Vamos aumentar a coleta numa média de 15% ao ano. Temos capacidade para isso. O que é preciso é a população se conscientizar da importância da coleta seletiva de lixo. É ela saber que no dia tal da semana o caminhão vai passar e o lixo reciclável estará separado.

Menina dos olhos

Embora cumpra a função e as formalidades de secretário do Meio Ambiente, Luiz Pires não esconde que seu habitat natural é o Zoológico Municipal e não as frias divisórias do centro administrativo da Prefeitura, na avenida Nuno de Assis. O zôo é a sua menina dos olhos.

Aos 41 anos de idade, Pires é formado em zootecnia pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Botucatu. Antes mesmo de colar grau, ele já respirava o ar puro das bandas do zoológico - inaugurado em 1980 - , onde fez levantamentos e apontou sugestões.

Três anos depois, o zootecnista assumiu sua direção e transformou aquela área verde - até então com 60 animais - num emaranhado de 270 espécies diferentes que circulam pelo planeta, algumas à beira da extinção. Hoje, o zôo abriga 650 animais.

Reconhecido nacionalmente, o Zoológico de Bauru tem conseguido reproduções em cativeiro importantes, como a do lobo guará e do mico-leão-dourado. Com fama de perfeccionista, Pires diz que a maioria dos empregados do zôo tem mais de dez anos de casa. Estão aqui porque gostam do que fazem, define.

A experiência mais forte do zootecnista nos 18 anos que está no comando do zoológico também foi a mais traumática. Ele teve que sacrificar um ximpanzé que ameaça escapar da área verde do zôo e invadir a zona urbana. Foi doloroso, mas tive que sacrificá-lo. Mas temos o lado alegre: cada novo nascimento de um animal é comemorado como se fosse uma grande vitória.

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