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Agoniza... mas não morre

Ricardo Polettini
| Tempo de leitura: 3 min

Sambistas das escolas de Bauru debatem sobre a situação do Carnaval; para eles, terceirização do Sambódromo foi uma boa idéia

Nos últimos meses, a maior dúvida entre os amantes do Carnaval em Bauru era se haveria ou não desfile no Sambódromo. A questão sempre vem à tona nessa época.

Este ano, com a terceirização da organização dos desfiles no Sambódromo - e com subvenção municipal 30% menor -, os sambistas atentam para a profissionalização das escolas. Se o que se planeja com o Sambódromo der certo, o espaço será usado durante todo o ano com eventos populares.

Boa parte da renda da bilheteria desses eventos vai para a Liga das Escolas de Samba e Entidades Carnavalescas (Lesec), que repassará o dinheiro às escolas e blocos para o Carnaval de 2002.

Essa mudança, embora polêmica por causa da cobrança de ingressos - R$ 3,00 por noite -, deixou os sambistas otimistas.

Na semana que passou, algumas das principais figuras do Carnaval bauruense estiveram reunidos na redação do Jornal da Cidade para debater sobre o assunto. Participaram da mesa os compositores Léo do Rasi (Coroa Imperial) e Menezes (Cartola), o mestre de bateria Landinho (Coroa), os intérpretes Fernando e Márcio (Coroa) e uma das revelações da avenida para esse ano, Doca do Cavaco (Coroa), de apenas 15 anos, que tem a responsabilidade de empunhar o cavaquinho para sua escola no desfile.

Futuro do Carnaval

Para o compositor Léo, a idéia de estruturar o Sambódromo para eventos durante o ano é uma boa saída visando a profissionalização. Achei uma ótima idéia. O Sambódromo é um elefante branco que só funciona quatro dias por ano, depois fica largado. A Lesec só tem a ganhar com isso.

O compositor Menezes, que também atua no Carnaval carioca na Portela, parabenizou a iniciativa, porém, é reticente quanto ao futuro do Carnaval, não só em Bauru, mas de um ponto de vista geral. Eu penso que o Carnaval vai acabar. Hoje é muito diferente de quando começou. Aqui em Bauru a gente não sente muito isso, mas no Rio, sim. A favela já não desce mais. Só desfilam figuras de muito poder aquisitivo, assinala.

Nostálgico, para ele, a evolução e a modernização estão acabando com o País. Depois que colocaram computador no terceiro mundo, só está aparecendo ladrão. É um tirando dinheiro da conta do outro. O desemprego também ocorre por causa disso.

Léo, para quem o coração fala mais alto que a razão, é mais otimista e dá graças a Deus de o Carnaval ter evoluído. Vem a mídia abusando do axé e outras coisas, mas o samba sempre está aí. É como aquela famosa frase, agoniza, mas não morre. Isso foi dito para tapar o túmulo do samba do Caetano Veloso, diz.

Quanto ao futuro do Carnaval em Bauru, ele confia no ideal dos sambistas e amantes da festa de Momo. Se dependesse só das autoridades, o Carnaval já teria acabado faz tempo. Somos nós (sambistas) que fazemos o Carnaval. Se não tivermos dinheiro, tiraremos de qualquer lugar, trabalharemos o ano inteiro para conseguir. Enquanto a gente existir e puder estar brigando, nós vamos fazer o Carnaval.

Ingressos

A respeito da cobrança de ingressos, o mestre de bateria Landinho é bastante favorável, e tem fortes argumentos para isso. Para ver um show do Zeca Pagodinho, o sujeito se vira e arruma dinheiro para o ingresso, mas para pagar três reais para ver as escolas, que se matam para fazerem o Carnaval, acha ruim. Os desfiles em Bauru sempre foram pagos e sempre lotaram o Sambódromo, defende.

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