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Mercado de seguros deve crescer 25%

Paulo Toledo
| Tempo de leitura: 4 min

A expectativa é que o faturamento do setor chegue a US$ 25 bilhões no País. A estabilidade econômica favorece a alta

O mercado brasileiro de seguros deve crescer 25% em 2001, atingindo um faturamento de aproximadamente US$ 25 bilhões, contra US$ 20 bilhões do ano passado. A estimativa é de Luciano Suzuki, presidente da Liberty Paulista Seguros, para quem o mercado nacional tem um potencial muito grande, à medida que o poder de compra da população aumentou com a estabilidade da economia. Além disso, diz, o brasileiro está adquirindo, cada vez mais, a cultura do seguro, favorecendo este setor.

Para ele, essa tendência vem se consolidando nos últimos três anos, período em que o mercado brasileiro apresentou crescimento de 25% ao ano, que é considerado um índice impressionante. Suzuki disse que o atual momento econômico leva a uma projeção de que o desempenho setorial repetirá este alto índice de elevação em 2001. A equação é muito simples. Quando a economia vai bem, as pessoas vão bem, trocam carros, as necessidades de seguro aumentam, as pessoas casam e, preocupadas com a família, compram seguro de vida e assim por diante. Uma coisa leva a outra, afirmou.

Suzuki disse que a tendência do, cada vez mais, competitivo mercado brasileiro é de repetir o que ocorre na Europa e Estados Unidos, onde as companhias seguradoras trabalham em dois eixos importantes: controle do custo das indenizações - pagando somente o que é correto, evitando pagar mais ou menos do que o justo - e a eficiência - mantendo uma estrutura enxuta, com muitos investimentos em tecnologia -, para poder baixar custos. Para ele, reduzindo custos com sinistros e despesas administravas, que juntas somam cerca de R$ 0,80 de cada R$ 1,00 que as empresas arrecadam, haverá mais eficiência e, conseqüentemente, um aumento da competitividade. Se você reduz 1% disso, já tem uma margem enorme, destacou.

Projeção

Com o mercado de seguros crescendo 25% ao ano, Suzuki projeta que, sem muito esforço, uma companhia seguradora pode dobrar de tamanho em quatro anos. Em mercados como o da Europa e dos Estados Unidos, nos quais o crescimento é anêmico, de 1% ao ano, teoricamente, levaria um século para a empresa obter o mesmo resultado.

Num mercado nacional competitivo como o atual, destaca Suzuki, o diferencial vem pela oferta de serviços e produtos. Para ele, um dos caminhos é o seguro de perfil, no qual é premiado, por exemplo, o bom motorista, aquele que não acidenta o veículo. Outro seria a prestação de um bom serviço na hora em que ocorre o sinistro (acidente).

Para Suzuki, a melhor forma de constatar o tamanho do mercado de seguros é a comparação com o Produto Interno Bruto (PIB). A participação do setor no PIB brasileiro é de apenas 3% e, apesar de ter duplicado durante o governo de Fernando Henrique Cardoso (FHC), ainda é considerado pequeno, se comparado com mercados como Europa e Estados Unidos, nos quais o índice é de 10%, e Japão, que chega a 7%. Para se ter uma idéia da importância do setor, fala-se muito sobre a relevânciada indústria automobilística brasileira, mas, nos Estados Unidos, depois da construção civil, o maior segmento da economia é a indústria de seguros. A indústria automobilística fica em quinto ou sexto lugar, são valores diferentes. Mas, a tendência é mudar, afirmou.

A Liberty Paulista possui um market share (índice de participação no mercado) de aproximadamente 3%. No ano passado, a empresa faturou cerca de US$ 511 milhões no País, se posicionando como a 12.ª do setor. No mundo, a companhia faturou cerca de US$ 12 bilhões. Para 2001, no Brasil, a idéia é chegar a um resultado entre US$ 650 milhões e US$ 700 milhões e se posicionar entre as 10 maiores.

Para se ter uma idéia, as cinco primeiras empresas que mais faturam no País detêm 55% do mercado. Quando se fala nas dez primeiras, esse índice sobe para 70% sobe para 90% quando se engloba as 15 primeiras. Os restantes 10% ficam pulverizados entre as outras 115 companhias de seguros existentes. Sul América, Bradesco, Itaú e Porto Seguro são as maiores do mercado, segundo Suzuki.

Regionalização

Michal Jerzy Swierczynski, vice-presidente da Liberty Paulista, explica que a visita à regional de Bauru, juntamente com Luciano Suzuki, presidente da empresa, visou uma maior aproximação com o canal de distribuição, que são os corretores de seguros, com os quais se encontraram ontem.

A abertura de novas filiais no Interior - o número está passando de 35 para 42 - se deve ao fato da empresa perceber a necessidade da descentralização, fazendo o caminho inverso dos últimos anos, quando optou por uma centralização da base de dados. Swierczynski disse que, neste ano, será realizado um investimento de aproximadamente US$ 6 milhões na descentralização, dentro de um projeto no qual a Liberty vai gastar US$ 15 milhões, em dois anos. Queremos, cada vez mais, que nossas filiais e escritórios sejam, realmente, pontos de serviços para nossos corretores de seguros, afirmou.

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