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Medo da 'vaca louca' faz cair oferta de gado

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 3 min

A restrição comercial imposta pelo Canadá com relação à carne bovina brasileira teve seu primeiro reflexo na região ontem, quando foi realizado um dos grandes leilões de gado de corte em Bauru. Com medo de não conseguirem vender seu rebanho, muitos criadores não compareceram ao evento e houve uma acentuada queda na oferta de animais. No entanto, quem arriscou, saiu satisfeito. Todos os animais foram comercializados e o preço da arroba se manteve praticamente estável.

O primeiro leilão de gado de corte do ano em Bauru teve um ingrediente especial: ocorreu justamente no calor das discussões sobre a possibilidade do Brasil ter adquirido a infecção da vaca louca, doença temida no mercado mundial e que, até agora, tinha se manifestado somente na Europa. O reflexo disso para o mercado regional foi imediato: o número de animais ofertados pelos criadores caiu de 1,2 mil para 430 e o volume de compradores diminuiu de cerca de 400 para 220 pessoas.

De acordo com Edson Toledo Verdó, coordenador do evento, esse quadro reflete um momento de expectativa dos criadores. Muitos pecuaristas estão optando por manter o gado no campo enquanto o assunto da vaca louca estiver em evidência, destacou.

O problema surgiu no início da semana, quando o Canadá suspendeu a importação de carne brasileira, alegando que o País poderia ter animais infectados pela encefalopatia espongiforme bovina, também conhecida como BSE ou doença da vaca louca. A notícia teve uma repercussão negativa no mercado e muitos importadores ameaçaram não adquirir mais o produto criado nos campos brasileiros.

O impasse sobre o assunto dominou a semana e fez com que o preço da arroba do boi gordo caísse para R$ 37,00.

Esse valor se manteve no leilão realizado em Bauru. No entanto, o criador Fernando Zerbini, que compareceu ao evento ofertando 97 cabeças, lembrou que em relação ao gado de reposição - bezerros, garrotes e boi magro - foi registrado um crescimento nos valores, chegando a R$ 43,50 a arroba em alguns lotes. Quem arriscou e compareceu com gado no leilão conseguiu realizar uma boa venda, destacou.

Como a oferta foi pouca, todos os lotes foram vendidos, de acordo com o também criador Renato Sênis Cardoso. Quem trouxe animal para vender, saiu satisfeito do leilão, destacou.

Otimista, ele acredita que esta já é uma reação do mercado brasileiro ao embaraço causado pela desconfiança do Canadá sobre a carne brasileira. O leilão contou com a participação de representantes de frigoríficos, que adquiriram boi gordo para abate, destacou, reforçando a idéia de que o temor de queda nas vendas de carne vermelha esteja acabando entre as agroindústrias.

Alimentação natural

O veterinário Marcos Antonio Achilles descarta a possibilidade de ocorrência de BSE no Brasil. A afirmação está baseada na dieta dos animais criados no País, composta essencialmente de pasto, ou seja, comida vegetal. A doença da vaca louca é causada por ração animal contaminada. Esse sistema de alimentação é usado em países de clima frio, como os da Europa. No Brasil, costuma-se criar o gado a campo, disse.

Questionado sobre a probabilidade de contaminação através da introdução de animais infectados provenientes da Europa, o profissional foi taxativo. Para ele, a fiscalização feita por técnicos do Ministério da Agricultura é muito criteriosa e não permitiria que isso acontecesse.

O criador de Nelore Mocho, Sérgio Lomani Passos, enfatizou que o risco de contaminação no Brasil é zero. Oitenta por cento do gado brasileiro é de origem zebuína, um tipo de animal que não é alimentado com ração, o que descarta a possibilidade de infecção, salientou.

Na opinião do pecuarista, toda a balbúrdia causada pelo Canadá só tem um motivo: retaliação ao Brasil devido ao caso da Embraer e da Bombardier, um assunto que rendeu muita discussão entre os dois países no ano passado.

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