Os cinco casos confirmados de hapatite este ano em Agudos, a 18 km. de Bauru, não chegam a preocupar as autoridades sanitárias da cidade. O Departamento de Saúde Coletiva (DSC), órgão da Secretaria Municipal de Saúde, responsável pela vigilância epidemiológica, lembra que a doença está sob controle na cidade - a hepatite A, forma mais branda e comum, teve 11 casos em 1999 e 12 casos no ano passado. O DSC descarta riscos de contaminação, tanto no caso do tipo A quanto em relação ao tipo B, que levou à morte duas moças em Agudos.
Uma das formas de transmissão da hepatite tipo A é a ingestão de água contaminada, provocada por problemas de saneamento. A diretora do DSC, Maria Helena Abreu, não considera possível esta hipótese, porque os dois sistemas são totalmente independentes. O outro meio de contaminação é a ingestão de alimentos que tiveram contato com o vírus da doença, através da água de chuva contendo partículas de fezes ou urina de pacientes. Também neste caso, não há evidência de que esteja havendo qualquer surto, em função das providências adotadas pelo órgão da Secretaria da Saúde diante da informação de qualquer caso suspeito.
Na residência do paciente, o vaso sanitário é desinfetado com água sanitária por 30 minutos e só depois é dada a descarga, toda vez que a pessoa com suspeita de hepatite vai ao banheiro. Os demais familiares devem fazer a higiene adequada das mãos, sempre que usarem o sanitário. Talheres e objetos de uso pessoal do paciente devem ser isolados dos que pertencem a todos os demais membros da família. Em creches e pré-escolas, a preocupação é maior, pois há crianças que têm hábito de evacuar ou urinar fora do vaso sanitário. O DSC pede às professoras para que instruam esses alunos a corrigir a prática.
Já as formas de contágio de hepatite tipo B e também do tipo C são idênticas, sempre associadas ao contato com o sangue infectado. São o compartilhamento de seringas, a transfusão de sangue não analisado (praticamente impossível, no Estado de São Paulo e outras áreas urbanizadas) ou contato sexual não protegido. "A rigor, não há indicação de que exista relação entre os casos de Agudos e Bauru", diz Maria Helena Abreu.
Meningite
A meningite também está sob controle na cidade, segundo os números do DSC. No caso da doença provocada por "Haemophilus influenzi", foram três casos em 99 e apenas um no ano passado. A tabela das meningites meningocócicas apresentou os seguintes números: tipo A, nenhum caso em 99 e também nenhum em 2000; tipo B, seis casos em 99 e dois no ano passado; tipo C, nenhum caso em 99 e três casos em 2000. Dos outros tipos de meningite bacteriana, foram registrados 36 casos em 99 e 55 em 2000. Mas, o quadro é considerado estabilizado, porque foram 79 casos em 97 e 57 em 98. A meningite viral, mais comum e menos grave, está estável também: foram 218 casos em 97, 130 em 98, 74 em 99 e 136 no ano passado.
O período de maior transmissibilidade da doença é o inverno. Com as baixas temperaturas, as pessoas tendem a se concentrar em locais fechados, facilitando a contaminação, que se dá por gotículas de saliva em suspensão no ar.