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Um tamborim na mão e uma idéia na cabeça

Fabiano Alcantara
| Tempo de leitura: 4 min

Melhorar a situação do ano passado, quando ficou no bloco intermediário, em quinto lugar, é a intenção da Águia de Ouro, segundo o carnavalesco Émerson Almeida Gomes, o Branco. "Pretendemos ficar em uma posição melhor que no ano passado, mas não vou arriscar dizer que vamos levar o título", precave-se. Segundo o carnavalesco, a escola já superou o trauma da diminuição da verba e está contando com a ajuda dos moradores da Bela Vista. "Os vizinhos estão ajudando", conta. O enredo da escola conta a história de um menino pobre, chama-se "Sonhei, Sonhei, no Mundo Real Acordei".

Completando o time, a Tradição da Zona Leste chega com um enredo ligado às raízes da festa carnavalesca: "Eu Sou Negro, Eu Sou da Massa Brasileira". De acordo com Gisele Saes, que criou o enredo ao lado de Mauro Pirata e Reginaldo Tech, a escola deve apresentar um desfile melhor que do ano passado, mesmo com a verba reduzida.

Na sexta-feira, Gisele trabalhava com a ajuda da vizinha Elizabete Ruiz nas alegorias. "Mais pessoas estão empenhadas este ano. Estamos com os braços abertos, esperando conseguir toda a ajuda possível", afirma.

Mas nem tudo são flores para a Tradição quando o assunto é a vizinhança. Alguns vizinhos reclamam do barulho na quadra da escola, na Regional do Mary Dota, e fizeram até um abaixo-assinado em nome da lei do silêncio. Com isso, os desfiles acontecem até as 22 horas, não mais que isso.

"Este problema comoveu muitas pessoas, apareceu muita gente preocupada com a situação da escola, disposta a nos ajudar", disse Gisele. "Ainda falta mais união no bairro, se o Mary Dota se unisse, nós daríamos um banho no Carnaval", comenta Elizabete.

Escola com bastante torcida em Bauru, a Mocidade decidiu não participar do desfile deste ano. A torcida geral é para que a escola da Vila Falcão volte renovada no ano que vem e ocupe sua posição de destaque na história carnavalesca da cidade.

Novidades em 2001 Para que o Carnaval desse ano fosse viável, a solução apresentada pela Lesec e a Prefeitura foi um acordo com uma produtora de eventos, que se encarregará da parte logística do evento. A Equipe 1 vai investir cerca de R$ 60 mil. Serão construídos camarotes VIPs, com bufê, reforço na segurança e outros serviços. As informações sobre a venda de camarotes podem ser obtidas pelo telefone 232-7737. O Sambódromo também vai receber infra-estrutura para acolher os bauruenses e turistas que forem curtir o desfile na arquibancada.

Uma das novidades deste ano é que os ingressos ao Sambódromo voltarão a ser cobrados, com preços bem acessíveis: R$ 3,00 por noite ou pacotes de R$ 10,00 para as quatro noites. Do lucro obtido com a venda dos ingressos para o Sambódromo, 10% vai ser destinado aos projetos sociais da Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes).

Outra novidade é que serão quatro noites de desfile, do dia 24 ao 27, com as escolas dividindo a avenida com os blocos, no sábado e domingo. Na segunda e terça-feira, os desfiles se repetem.

A verba deste ano, de R$ 230 mil, já foi toda repassada. A última parcela foi liberada na última sexta-feira

Blocos: alegria e improviso na passarela do samba

Surgidos sob o signo da descontração, tendo como característica principal a liberdade na forma de trajar, dançar e até mesmo na organização de sua estrutura interna, os blocos são uma alternativa para os foliões que brincam o Carnaval sem assumir compromissos ou formalidades mais sérias.

Grande parte dos blocos de Bauru nasceram de uma conversa entre amigos, em um ambiente informal, juntando moradores de um mesmo bairro, freqüentadores de bares ou grupos de amigos. É o que confirma o 21+1. O bloco bauruense, que este ano desfila com aproximadamente 250 integrantes, surgiu de uma conversa entre mãe e filho, em volta da mesa da cozinha. Resolveram levar para as ruas uma mensagem de cunho político e social, através da alegria e espontaneidade dos blocos carnavalescos.

Já o bloco Unidos do JP (Jardim Petrópolis) foi criado pelos integrantes de um time de futebol. Depois dos jogos, os amigos se reuniam em bares, ao som do bom e velho samba. Numa dessas reuniões tiveram a idéia de organizar um bloco, contando com o apoio dos moradores do bairro. Neste Carnaval, o bloco chega à avenida com a participação de 250 integrantes, embalados pelo samba enredo "Exaltação ao Petrópolis".

Formado em 1996, o bloco Capoeira Bauru surgiu de uma reunião amigável entre a Associação de Capoeira Ilha do Bonfim e academias da cidade. O grupo, que tem como objetivo primeiro divulgar a arte da capoeira, vem crescendo e conquistando adeptos. Atualmente, cerca de 150 componentes integram o bloco, que este ano entra na passarela ao som da música "Marinheiro Só".

Neste Carnaval, treze blocos confirmam presença na passarela do samba. Na categoria especia, Bloco da Rádio Líder FM, Flor das Laranjeiras, 21+1, Unidos da Bela Vista, Verona do Gasparini e Pé de Varsa. Participando da categoria originalidade estão os blocos Estrela do Samba, Unidos da Vila Independência, Ubaianesp, Solteironas do Milênio, Capoeira Bauru, Unidos do JP (Jardim Petrópolis) e Bairro da Nova Esperança.

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