Diretora e professoras da escola José Ferraz de Souza, em Iacanga, só tiveram acesso às chaves no final da tarde
Iacanga - Depois de registrar ontem mais um Boletim de Ocorrência (BO) na delegacia de polícia e aguardar o dia todo, a diretora Adezir Aparecida Barbosa Abdala conseguiu, finalmente, entrar na escola José Ferraz de Souza. É que ela e mais quatro professoras do mesmo estabelecimento de ensino haviam sido suspensas por uma portaria do prefeito do Município, Durvalino Afonso Ribeiro (PFL), no último dia 5.
A diretora recorreu à Justiça contra a medida do prefeito e na sexta obteve uma liminar expedida pela juíza de Direito Rossana Teresa Curioni, da Comarca de Ibitinga, que suspendeu os efeitos da portaria baixada pelo prefeito. Adezir e as professoras Dulcinéia Alves de Freitas, Luzia Franco Constantino Pedro, Nair Aparecida Estevanato Tose e Rosa Maria Delaportes Santos, através do advogado João Franco, buscaram apoio na Justiça por se sentirem injustiçadas e perseguidas politicamente pelo prefeito, que além de afastá-las dos cargos proibiu a entrada delas na escola durante a suspensão. Todas são funcionárias do Estado e estavam atuando na Escola Municipal de Ensino Fundamental José Ferraz de Souza, por força do convênio de municipalização do ensino, assinado entre a Secretaria Estadual de Educação e a Prefeitura de Iacanga. O afastamento deu-se porque o prefeito não teria gostado de saber que um grupo de professores se manifestava contra a municipalização.
Mas mesmo diante da liminar expedida pela Justiça, a diretora não conseguiu entrar na escola ontem de manhã quando chegou para reassumir suas funções. É que as chaves do estabelecimento estavam com Roberto Stevanato, o então diretor nomeado pelo prefeito na semana passada para assumir no lugar de Adezir. Ontem, ela chegou ao portão da escola antes das 8 horas e aguardou até por volta das 10 horas. Como ninguém apareceu para abrir a escola, ela voltou a procurar a delegacia para registrar o fato.
Na quinta-feira passada quando a diretora chegou com as chaves nas mãos para trabalhar e foi impedida, ela procurou a delegacia de polícia para registrar um Boletim de Ocorrência. Enquanto isso, a Prefeitura providenciou a troca da fechadura e o novo diretor assumiu e ficou com as chaves.
Só no final da tarde de ontem é que Stevanato procurou Adezir para devolver as chaves. Hoje, enfim, se nenhuma nova decisão da Justiça ou algum contratempo impedir, Adezir deve trabalhar normalmente. Ontem, apesar de receber as chaves já no final da tarde, ela fez questão de ir até a escola. As aulas para os cerca de 600 alunos devem começar amanhã.
Enquanto a Justiça estiver analisando a questão, a diretora Adezir disse que pretende trabalhar normalmente. Afinal, lembra ela, o que está em jogo é a educação de centenas de crianças, fato que não pode, em hipótese alguma sofrer qualquer prejuízo. O prefeito Durvalino Ribeiro voltou a ser procurado ontem pela reportagem mas a informação na Prefeitura era a de que ele estava viajando e não havia ninguém para falar sobre o assunto.