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Se alguém está louco, não é a vaca

(*) Reinaldo Cafeo
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O Canadá acaba de dar o indicativo de como será complicado o debate em torno da viabilização da Área de Livre Comércio das Américas (ALCA). Tendo como pano de fundo a disputa de mercado no fornecimento de aviões, aquele país assumiu uma postura no mínimo questionável. Fere os princípios éticos do comércio internacional (se é que existe algum) uma vez que tomaram uma posição de impedir a importação da carne brasileira sem que houvesse qualquer elemento indicativo que o rebanho brasileiro estaria contaminado com o mal da vaca louca.

Parece-nos postura de garoto birrado, aquele que fica magoado por perder ou não ganhar um doce. Os canadenses se esquecem que estamos buscando uma atuação em bloco, que permita encontrar semelhanças e eliminar diferenças, gerando sinergia no comércio internacional, partindo dos países da América. Podemos considerar um retrocesso típico de países sem um mínimo de postura coletiva.

A ALCA, que já suscitava dúvidas quanto ao provável e, diria, previsível domínio americano, agora tem mais um ingrediente para azedar as conversações. FHC deu o tom da conversa daqui para frente: guerra é guerra. Não somos favoráveis à guerra comercial, mas também não podemos continuar com a postura e imagem de país bonzinho, obediente ao capital internacional, dependente dos países mais desenvolvidos.

O Brasil, com sua dimensão territorial, com sua capacidade produtiva e acima de tudo os enormes potenciais natural e humano, não pode ficar a mercê de retaliações como a imposta pelo Canadá. Se alguém está louco neste momento, com certeza não é a vaca.

(*) Reinaldo Cafeo - Delegado do Conselho Regional de Economia - cafeo@economiaonline.com.br

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