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Natação de Bauru mostra força com Apan

Rodrigo Figueiredo
| Tempo de leitura: 7 min

Entidade fundada há 10 anos comemora a sua primeira década de trabalho colhendo bons resultados dentro e fora das piscinas

A natação competitiva de Bauru, após alguns anos de entressafra, tem colhido bons resultados nas piscinas de todo o País. Parte desta glória, deve-se ao trabalho sério desenvolvido por uma entidade que completa 10 anos em 2001, a Apan - Associação dos Pais e Amigos da Natação.

Criada em 1991, após a dissolução, na época, da equipe de natação da Associação Luso-Brasileira, a Apan surgiu, como o próprio nome diz, da união entre pais de atletas e incentivadores da natação na cidade. No início, os treinos eram realizados na própria Luso, mas dois anos depois passaram para o Sesi, onde fica a sua sede atual. Após alguns anos, a Luso retomou a equipe de natação e criou-se uma sadia rivalidade com a Apan.

Além do Sesi, que cede a sua piscina para os treinamentos diários, a Unimed sempre esteve ao lado da entidade como patrocinadora. A Prefeitura, esporadicamente, também contribui com uma parcela em dinheiro. No ano passado, o Grupo Prata se uniu a Apan cedendo o transporte dos atletas para as competições. Com isso, hoje a equipe compete com a denominação Apan/Unimed/Sesi/Prata. "Sem o apoio destas empresas creio que a equipe não existiria mais ou, pelo menos, não teria a força que ela tem hoje", acredita André Barbosa, responsável pela comissão técnica da equipe há sete anos.

Dirigida por uma comissão escolhida pelos próprios pais dos atletas, a Apan tem hoje cerca de 150 nadadores em sua equipe e o seu principal objetivo é formar o maior número possível de atletas da cidade para a disputa de competições de alto nível, como os campeonatos paulista e brasileiro. "Acreditamos que da massificação do esporte pode-se tirar atletas com qualidade. Essa visão tem dado resultados positivos e hoje estamos entre as 20 melhores equipes do País e entre as oito melhores do Estado", revela Barbosa. Os números, por sinal, não mentem. Só no ano passado, sem contar as participações no Campeonato Paulista e Brasileiro, a equipe de competição da Apan conquistou cerca de 700 medalhas em torneios regionais promovidos pela Federação Aquática Paulista, foi vice-campeã do Projeto Atleta do Futuro do Sesi, obteve o 1º lugar no feminino e o 2º no masculino nos Jogos Regionais em Jaú e ainda trouxe 3 medalhas dos Jogos Abertos do Interior, em Santos.

Ainda no ano passado, um dos melhores da Apan nos seus 10 anos de existência, 50 atletas obtiveram o índice para o Campe

Projeto visa aumentar número de nadadores

O projeto da Apan (Associação dos Pais e Amigos da Natação), no futuro, é expandir a estrutura da entidade para outros clubes de Bauru, aumentando o número de nadadores na cidade. "Hoje ainda temos uma estrutura mínima, mas pretendemos criar novos pólos de natação em outros clubes, como no Noroeste, no Centro Social Urbano (CSU) e na Vila Razuk", explica André Barbosa, técnico da equipe.

Outro projeto da Apan, ainda no papel, é a construção de um Centro de Treinamento, com piscina de oito raias, própria para a disputa de competições em piscina curta. No Sesi, onde treina atualmente, a piscina de 25 metros tem apenas seis raias. A única piscina de oito raias em Bauru ficará na Associação Luso-Brasileira, mas ainda está em construção.

O total de 150 atletas é o máximo que a Apan pode suportar com a sua estrutura atual. Se quiser massificar o esporte na cidade, o projeto de novos pólos de natação deverá sair do papel em breve. "Vamos precisar de novos parceiros", admite Barbosa.

A estrutura da Apan é simples, mas há dez anos, foi considerada audaciosa. A arrecadação vem das mensalidades pagas pelos pais dos atletas (o que equivale a mais de 50% do total) e o restante da patrocinadora Unimed. A Prefeitura também contribui com uma quantia em dinheiro, mas como não é regular, o dinheiro é recebido como uma "ajuda extra". O Sesi cede a sua estrutura física (piscina e sala de musculação) para os treinamentos. Já o Prata dá transporte gratuito para os atletas durante as competições em todo o País. "Temos grandes parceiros e com isso conseguimos nos manter", avalia Shiro Shiraiwa, diretor presidente da Apan.

Psicologia ajuda atletas a melhorar performance

A evolução do esporte no último século revelou uma necessidade quase indispensável à conquista de bons resultados em competições de alto nível hoje: a interdisciplinaridade do treinamento esportivo. Os meios utilizados para o desenvolvimento das qualidades técnicas, físicas e psicológicas do atleta, com o objetivo de melhorar a sua performance nas competições, requerem conhecimentos em diversas áreas, entre elas Educação Física, Medicina Esportiva, Psicologia e Nutrição. A figura do supertreinador, que exerce o papel de professor, médico e psicólogo, está ficando ultrapassada e hoje, para se alcançar as melhores marcas, a atuação em conjunto de profissionais habilitados em cada área tem se mostrado essencial para os bons resultados alcançados através do treinamento esportivo.

Já dentro desta realidade, embora ainda de forma tímida, a Apan/Sesi/Unimed/Prata tem contado com o apoio de uma psicóloga há quatro anos. Gostaríamos de ter um nutricionista em nossa equipe também, mas não temos condições financeiras por enquanto, conta André Barbosa, técnico da equipe de natação e um dos responsáveis por implantar o trabalho psicológico no clube. Eu senti esta necessidade após uma competição em que todos estavam muito bem preparados tecnicamente, a confiança e a expectativa por bons tempos eram altíssimas, mas os resultados foram horríveis, inexplicáveis, lembra. Descobrimos que um acompanhamento psicológico seria importante e hoje, este trabalho serve de suporte para os atletas.

Para a psicóloga Marcela Velosa, 28, que trabalha com a equipe de natação da Apan, o autoconhecimento do atleta é fundamental para se conseguir melhorar os resultados. Eles aprendem a avaliar a qualidade dos treinamentos e competições e a buscar soluções próprias para melhorar a sua performance a cada dia, revela. Além do autoconhecimento, Velosa estimula outros aspectos nos nadadores, como o espírito de grupo e a organização. O atleta precisa saber se organizar, não só nos treinamentos, mas também em casa, na escola ou no trabalho, diz. Segundo a psicóloga, após quatro anos trabalhando com a equipe, muitos avanços já foram alcançados. Hoje os atletas já se conhecem muito mais e sabem dominar o nervosismo e a ansiedade com mais facilidade. No começo, antes da competições, era comum os atletas ficarem doentes e isso quase não se vê mais, conta.

O trabalho dos nadadores com a psicóloga acontece uma vez por semana e é dividido em grupo. São explorados três aspectos essenciais para o bom aproveitamento do treinamento esportivo: o preparo psicológico fundamental - com dinâmicas de grupo, que ajudam a aumentar a união dentro da equipe e relaxamentos, que diminuem o estresse dos treinamentos-; o preparo psicológico especial - que se refere às particularidades e qualidades psíquicas próprias a uma atividade física - e o preparo psicológico para competição - com técnicas de visualização, que ajudam o atleta a destacar os seus objetivos como nadador e encarar o desafio mais próximo, sem medo. Acredito que numa competição, 80% do resultado final depende da cabeça do atleta, pois a pressão pré-prova é muito grande, garante Barbosa. Se o atleta não estiver com o emocional controlado, não adianta nada o treinamento que ele fez antes de pular na piscina, completa.

Apesar de ainda não contar com o apoio de nutricionista, médico esportivo ou profissionais de outras áreas, a Apan é quase que pioneira na utilização de um psicólogo no trabalho com os nadadores. Em São Paulo, talvez o Pinheiros seja o único clube que também tenha este acompanhamento, revela Barbosa. Espero que este trabalho cresça ainda mais, não só em Bauru, pois é uma noção diferenciada de ver o esporte e que pode render bons resultados, completa Velosa, orgulhosa do crescimento técnico obtido pela equipe bauruense nos últimos anos.

ATLETAS APROVAM - Os nadadores, principais beneficiados pela boa estrutura oferecida pela Apan, estão satisfeitos pela qualidade dos treinamentos e têm mostrado nas piscinas os resultados do trabalho realizado no dia-a-dia. Apesar de ter perdido a sua melhor nadadora - Natália Grava, que se transferiu para Santos -, a Apan ainda tem outros destaques, como o jovem Paulo Estéfano Germano, 15 anos. Nadando na equipe desde 1996, o atleta tem melhorado os seus tempos ano a ano. "Temos uma boa estrutura aqui, treinamos forte, por isso acredito que dá para baixar ainda mais os meus tempos", revela. A nadadora Flávia Souza, 16, concorda. "O treinamento está bom. Estou com boas perspectivas para este ano, mas tento superar minhas metas uma a uma", diz.

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