O faturamento das micros e pequenas empresas (MPEs) do Interior do Estado de São Paulo cresceu 8,4%, em 2000, num desempenho 5 pontos percentuais acima do desempenho da média do Estado, que atingiu 3,4%, e nove pontos percentuais acima da Região Metropolitana de São Paulo, onde ocorreu um retrocesso de 0,6% no faturamento. Os dados são da Pesquisa de Conjuntura das Micros e Pequenas Empresas do Estado de São Paulo (Pecompe), realizada pelo Sebrae-SP em conjunto com a Fundação Seade.
De acordo com a pesquisa, no mês de dezembro, o faturamento médio nominal das pequenas e micro empresas no Estado foi 3,8% superior ao mês anterior e 8,7% maior do que o registrado no mesmo período do ano passado (dezembro/99). O Interior ficou um pouco abaixo desse índice médio, em relação a novembro, com 3,2%, enquanto a Região Metropolitana cresceu 4,4%. Por outro lado, quando se compara dezembro de 2000 com o mesmo mês do ano anterior, o Interior apresenta uma queda de 0,2%, enquanto a Região Metropolitana apresentou crescimento de 18,1%.
Na média do Estado, a melhor performance detectada no último mês do ano foi das empresas do setor de serviços, que contabilizaram uma alta de 16,2%, com relação a novembro, e de 23,6% quando comparado o faturamento com dezembro do ano anterior.
As empresas comerciais, segundo a Pecompe, também fecharam o ano com um faturamento expressivo, 7,6% a mais que o mês anterior. O pior resultado foi das empresas industriais que, no mês de dezembro, sofreram uma redução de 10,9% nas vendas. A queda do faturamento da indústria, no último mês do ano, é de natureza sazonal, uma vez que esse setor havia apresentado elevação em seu faturamento nos dois meses anteriores, em virtude das encomendas do comércio no final do ano, explica o gerente de Pesquisas Econômicas do Sebrae-SP, Marco Aurélio Bedê.
Ainda em relação à média do Estado, quando comparado o desempenho do setor industrial, em dezembro de 2000 com o mesmo mês do ano anterior, a alta registrada é de 13,1%. Enquanto isso, a área de serviços teve um crescimento de 23,6% e a área comercial conquistou aumento de 1,1%.
Na média acumulada do Estado, o setor industrial teve alta de 6,1%; no comércio a expansão foi de 2,2% e; nas empresas de serviço a alta foi de 1%. Com relação à ocupação nas micro e pequenas empresas, as contratações foram 3,3% maiores em 2000 que em 1999. No Interior, o acumulado de 2000 teve saldo positivo de 7,6%, enquanto que na Região Metropolitana ocorreu uma queda de 0,7%.
Na comparação de dezembro de 2000 com dezembro de 1999, houve crescimento de 7,3% na média do pessoal ocupado por essa categoria de empresa no Estado. Mais uma vez, o Interior (8,8%) cresceu mais do que a Região Metropolitana (6%).
Outra boa notícia para o setor, constatada pela Pecompe, é que o item gastos com salários revela um aumento expressivo na massa salarial do segmento. Na média do Estado, a folha salarial nas pequenas empresas cresceu 9%, de janeiro a dezembro do ano passado, quando comparada com o mesmo período do ano anterior. Se considerar dezembro de 2000 com o mesmo mês do ano anterior, a alta foi de 19,7%.
No Interior, houve um crescimento de 18,3% no item gastos com salários. Enquanto isso, a Região Metropolitana mostrou um aumento de apenas 0,3%, quando considerado o acumulado do ano passado.
Segundo Marco Aurélio Bedê, para as micro e pequenas empresas, 2000 foi um ano de recuperação das vendas e tal recuperação deve prosseguir ao longo de 2001, em função da tendência de queda nas taxas de juros, da manutenção da taxa de câmbio em níveis favoráveis às exportações, da redução do desemprego e aumento da massa de salários da economia.
Recuperação deve continuar ocorrendo
Se 2000 foi um ano ainda difícil, com a recuperação ocorrendo somente a partir do segundo semestre, as perspectivas para o ano 2001 podem ser consideradas otimistas, analisa o economista e consultor de empresas Carlos Roberto Sette. O economista lembra que uma outra pesquisa do Sebrae-SP em conjunto com a Fundação Seade, mostrou que cerca de 84% das empresas entrevistadas esperam que o faturamento em 2001 seja igual ou superior ao do ano passado.
Sette diz que é importante salientar as três estratégias mais destacadas na pesquisa e que os empresários pretendem adotar neste ano: oferecer novos produtos e serviços ao mercado; aperfeiçoar os produtos e serviços já existentes; investir em propaganda e marketing.
A maior dificuldade esperada pelos empresários, neste ano, lembra Sette, é o aumento do custo das matérias-primas e mercadorias, o que poderá trazer conseqüências na diminuição das margens de lucro, já que o preço é determinado pelo mercado.
Sette destaca que a perspectiva sobre a economia brasileira revela um certo tom de otimismo misturado a algumas preocupações. Assim, como demonstra a tabela acima, para 39% das MPEs a taxa de inflação, este ano, deverá aumentar contra 7% apenas que acreditam numa redução. Por outro lado, o tom de otimismo vem da análise do nível de produção da economia, onde 41% das MPEs acreditam no aumento do nível e apenas 12% acreditam quediminuirá.
Finalmente, diz o economista, as medidas governamentais como incentivo às exportações, tendência de queda dos juros e fortalecimento do mercado de trabalho e da demanda, embora ainda que lentos, estimulam a atividade econômica e mostram uma trajetória de recuperação que deve se consolidar ao longo deste ano.
Conjuntura
O ano 2000 caracterizou-se por um cenário de turbulência ao longo dos meses, mas terminou com perspectivas mais favoráveis, analisa Sette. De acordo com ele, isso contribuiu para: a redução feita pelo Banco Central norte-americano da taxa básica de juros daquele país, o fechamento do acordo da Argentina com o FMI, a recuperação do euro frente ao dólar e o recuo do preço internacional do petróleo. Agora, diz o economista, a preocupação maior é com a notícia da desaceleração anunciada da economia dos Estados Unidos, que pode influenciar no desempenho das micro e pequenas empresas brasileiras.
Na conjuntura nacional, analisa Sette, as variáveis macro-econômicas em recuperação, permitiram alguns medidas que estão dando resultado positivo, como por exemplo a queda da taxa básica de juros ao longo do ano 2000 e hoje fixada em 15,25% ao ano, o que representa um novo estímulo à atividade econômica.
A cotação do dólar frente ao real mantendo-se em torno de R$ 2,00, pode fornecer um estímulo às exportações e à recuperação da Balança Comercial, que encerrou o ano passado com um déficit de aproximadamente US$ 700 milhões. Alguns outros indicadores de desempenho da economia brasileira foram favoráveis ao longo do ano 2000, especialmente a queda da taxa de desemprego das principais regiões do País, o aumento do nível de ocupação e, consequentemente, do nível de salários pagos pela economia.