As duas associações de moradores encontraram alternativas buscando autonomia. Mary Dota tem jornal de bairro e o Jardim Carolina vai capinar os terrenos
Não esperar que o Poder Público resolva todos os problemas do bairro. Uma idéia e, muitas vezes, até um sonho de associações de moradores. Mas algumas já estão alcançando essa autonomia. As associações de moradores do Jardim Carolina e Núcleo Habitacional Mary Dota encontraram alternativas para não serem tão dependentes da Administração Municipal.
No Jardim Carolina, a recém-empossada diretoria da Associação de Moradores do Jardim Carolina irá montar uma equipe permanente de limpeza de terrenos, que ficará responsável pela capinação e manutenção dos lotes, mediante pagamento dos respectivos proprietários.
A Associação de Moradores do Jardim Carolina está cadastrando todos os proprietários dos 358 terrenos do bairro interessados em realizar a capinagem dos seus terrenos. Após o cadastramento, a própria associação irá reunir pessoas da própria comunidade que estejam interessadas em prestar o serviço.
Segundo o presidente da associação, Matias Muniz, será cobrado dos proprietários R$ 0,10 por metro quadrado capinado. Esse dinheiro será destinado ao pagamento da equipe e ao caixa da associação que será criado para cobrir despesas e custear melhorias no bairro. Chegamos à conclusão de que não dá para esperar que a Prefeitura venha até aqui e resolva todos os nossos problemas. Se a comunidade se unir, é possível avançar em vários aspectos. Afinal de contas, todos que aqui residem têm motivos de sobra para querer um bairro melhor para se viver. Se a gente conseguir limpar os terrenos e pôr as placas nas ruas, o aspecto do bairro já deverá melhorar bastante e isso significa a valorização dos nossos imóveis, avaliou Muniz.
Paralelamente ao cadastramento, a associação continuará cobrando da Prefeitura o encaminhamento de informações sobre os proprietários dos terrenos. Queremos ter os endereços para enviarmos correspondências e também para cobrar providências quanto aos seus lotes, adiantou.
O Núcleo Habitacional Mary Dota também busca sua independência e encontrou algumas alternativas para que isso aconteça. A Associação de Mutuário, Moradores e Amigos do Mary Dota tem 800 associados, que pagam R$ 1,00 de mensalidade por mês e têm direito a assistência jurídica, convênio com farmácias e outros comércios do bairro, e outros benefícios. O dinheiro arrecadado paga o aluguel da sede da associação e o que sobra vai para um caixa, que será utilizado na construção do centro comunitário do bairro. O Mary Dota também tem um jornal do próprio bairro e está se preparando para instalar uma rádio comunitária.
O presidente da associação, Paulo Ferreira, afirmou que a Prefeitura tem que dar o apoio técnico para as associações, mas são elas que devem se organizar para que os problemas sejam resolvidos.
Nós sabemos quais são os problemas do nosso bairro. É claro que precisamos de apoio técnico, como máquinas, e isso deve partir da Prefeitura, mas a organização tem que ser feita pela associação de moradores, afirmou Ferreira. Para ele, a associação de moradores não tem que resolver todos os problemas do bairro, por ser uma organização não-governamental.
Cada morador pode ajudar a melhorar o seu bairro. Se tem um buraco na rua, não é preciso levar o problema até a associação de moradores e esperar que tudo seja resolvido. Cada um pode correr atrás para que isso aconteça. A associação de moradores é uma organização não-governamental que nasceu para transformar a sociedade. Mas essa transformação depende de toda a comunidade, completou Ferreira.(*) Colaborou Josefa Cunha
Preparar antes de reivindicar
Apresentar argumentos na hora de reivindicar. Segundo Terezinha Cintra, ex-secretária municipal de Projetos Comunitários, quando as reivindicações são embasadas em argumentos que mostram a real necessidade do bairro elas são atendidas com mais rapidez.
Os líderes comunitários têm que se preparar, apresentar projetos e não pedir coisas espalhadas. Não adianta ficar pedindo um bico de luz em uma ou outra rua. Tem que apresentar um projeto de iluminação para o bairro, explicando o pedido. Quando existe fundamento, a reivindicação é atendida mais rapidamente, disse Terezinha.
A ex-secretária afirmou também que a Prefeitura tem que investir na formação dos líderes comunitários.
Cursos sempre ajudam a ampliar o conhecimento dos líderes comunitários, que passarão isso para a comunidade. Quanto mais eles conhecerem os processos, mais estarão preparadas e não farão reivindicações desnecessárias, completou.
Terezinha Cintra afirmou, ainda, que a independência das associações de moradores é conquistada quando elas buscam outros caminhos.
As associações de moradores têm que aprender a buscar todos os caminhos para que os problemas sejam resolvidos. A Prefeitura não é o único caminho. A associação de moradores precisa conquistar seu espaço dentro dos Conselhos, como o da Criança e do Adolescente e o de Saúde. Esses são alguns dos caminhos, concluiu Terezinha Cintra.