O JC nos Bairros continua nesta edição a discussão sobre o papel das associações de moradores em Bauru. Hoje, elas acreditam que para conseguir autonomia e andar com as próprias pernas, o Poder Público precisa dar apoio técnico e desenvolver uma política para elas.
As reivindicações são muitas, as reclamações também. E a justificativa para ainda não terem se consolidado, 30 anos após a primeira associação de moradores ter se formado, é a falta de uma política para as entidades e apoio técnico das administrações municipais.
Em uma conversa, sete representantes de cinco das mais ativas associações de moradores de Bauru apontaram o descontentamento de cada uma, o que está faltando e o que esperam da atual administração municipal.
O descontentamento com as administrações municipais é visível e varia de bairro para bairro. Os problemas também varia. Enquanto um bairro pede que o Poder Público resolva problemas de infra-estrutura, outros pedem manutenção. Há ainda os que querem apenas programas sociais.
JC nos Bairros - O que falta para as associações de moradores se consolidarem e realmente conseguirem melhorias para os bairros?
Eva Pereira Brandão (AM Pousada da Esperança): Precisamos ser ouvidos de verdade. Não apenas ser recebidos em gabinetes. Queremos que nos ouçam, porque sabemos dos problemas dos nossos bairros. Nem sempre nossas reivindicações envolvem dinheiro. Já pedi à Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural (Emdurb), há mais de um ano, que uma linha de ônibus fosse mudada. Isso não tem nenhum custo para o município, mas até agora, nada aconteceu.
Osvaldo de Abreu (AM do Parque União): Falta direção. A administração municipal precisa desenvolver uma política para as associações de moradores e trabalhar junto com elas. As associações de moradores estão órfãs.
Merces Deladônio Fernandes (AM do Jardim Eldorado): A Prefeitura precisa estar mais próxima dos bairros.
Vera Lúcia Pascoalino (AM da Vila Dutra): Falta estímulo.
Miracy Luiza da Silva (AM da Vila Cardia e Adjacência): Precisa haver maior interação das associações de moradores. Mas não adianta a Prefeitura realizar reuniões em que alguns falam sem parar e outros não se manifestam. É preciso que se ouça por igual todos, porque cada bairro tem um problema. Cada bairro tem uma prioridade.
JC nos Bairros: Qual a sugestão para que as prioridades sejam atendidas com maior agilidade?
Eva: O orçamento participativo.
Osvaldo: O orçamento participativo
Merces: O orçamento participativo seria uma saída
Vera: O orçamento participativo e equipar melhor a Sear, que é o coração da Prefeitura
Miracy: Falta a união de todas as associações de moradores, que são individualistas. Falta, também, determinar prioridades de cada bairro em forma de caracol, da periferia para o centro, assim, os bairros periféricos também seriam atendidos.
JC nos Bairros: O que causa a falta de estímulo nos líderes comunitários?
Eva: As promessas de que a melhoria no bairro será feita, mas não vemos resultado. Ficamos sem crédito diante dos moradores do bairro, porque a Prefeitura e as secretarias nos falam que será feito, alguns secretários falam até em datas, nós passamos isso para a comunidade. E depois, nada é feito. Então, ficamos sem crédito.
Vera: O líder comunitário não tem valor. Não queremos reconhecimento em palavras. Queremos mais ação do Poder Público.
Júlia Rapaneli Pinho (AM do Parque União): Nosso trabalho é voluntário, por isso, precisamos de respaldo da administração municipal.
Miracy: Hoje é muito fácil criar união, conselhos, federação e outras entidades de associações de moradores. A associação de moradores não precisa de uma outra entidade para conseguir uma benfeitoria para seu bairro. A maioria desses grupos visa apenas interesses políticos e se apoia nas ações das associações que realmente trabalham. Esses grupos acabam tumultuando os nossos trabalhos.
JC nos Bairros: O que precisa ser feito no seu bairro?
Eva: Meu bairro precisa de placas com os nomes das ruas, asfalto nas principais ruas. Precisa de muitas coisas, mas sabemos que existem coisas que só podem ser feitas a longo prazo. Queremos coisas mais urgentes.
Osvaldo: Nosso bairro precisa de manutenção.
Merces: Nosso bairro precisa de coisas simples. Queremos uma rotatória na avenida Darci César Improta e uma galeria de água pluvial. E isso nem é tão difícil.
Vera: Nosso bairro precisa que os líderes comunitários sejam ouvidos de verdade. Nós vamos mostrar as prioridades para a administração municipal.
Miracy: Nossos pedidos de manutenção são atendidos. Falta apenas a parte social. Nossa associação de moradores quer utilizar um imóvel desativado da antiga Fepasa, na quadra 16, da rua Ezequiel Ramos, para instalar nosso Centro Comunitário.
JC nos Bairros: O que vocês esperam da administração municipal?
Eva: Que as promessas não fiquem apenas na conversa. Que se cumpra o que foi prometido ou falado.
Osvaldo: Esperamos respeito e ter um respaldo maior do Poder Público.
Carlos Augusto Baptistella (AM do Jardim Eldorado): Nós queremos as melhorias, mas queremos trabalhar junto, desenvolver projetos em parceria com a Prefeitura.
Vera: Queremos mais respeito e apoio. É preciso que haja uma política para as associações de moradores.
Miracy: Queremos participar mais da administração municipal. Queremos desenvolver projetos prioritários da cidade em parceria com a Prefeitura.