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Itens para Reitoria têm pesos distintos

Daniela Bochembuzo
| Tempo de leitura: 4 min

Na briga pela sede do órgão, os quesitos a serem avaliados não terão pesos iguais. Bauru passará pelo crivo no dia 5

Os quatros itens que fundamentarão a transferência da sede da Reitoria da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de São Paulo para o Interior poderão não ter o mesmo peso. A informação é do professor Luiz Antonio Vane, chefe de gabinete da Reitoria da instituição e presidente da comissão encarrega de fornecer subsídios ao Conselho Universitário para a escolha da nova sede do órgão máximo da universidade.

Provavelmente, os quatro itens não terão pesos iguais na avaliação. Ainda não recebemos os dados sobre infra-estrutura das cidades e peso acadêmico-científico de cada câmpus. Depois que isso chegar é que iremos fazer a tabulação e definir como os dados serão avaliados, informa Luiz Antônio Vane.

A comissão, nomeada pelo reitor José Carlos Souza Trindade, está fundamentando seus estudos com base nos quesitos: localização geográfica, infra-estrutura do município, peso acadêmico-científico do câmpus e contrapartida da Prefeitura. A avaliação do primeiro item resultou na pré-seleção das cidades de Bauru, Botucatu, Araraquara e Rio Claro, localizadas na região Central do estado.

As quatro localidades serão visitadas em breve pela comissão. A visita a Bauru foi agendada para 5 de março, quando serão realizadas reuniões com o professor Edwin Avolio, presidente do Grupo Administrativo do Câmpus (GAC) de Bauru, e com o prefeito Nilson Costa. O objetivo do encontro é conhecer melhor a unidade local da Unesp e a cidade.

Em Bauru, iremos explicar melhor a importância dos questionários remetidos ao prefeito e ao presidente do GAC. Também gostaríamos de fazer uma visita um pouco mais ampliada ao câmpus e à própria cidade, adianta o presidente da comissão.

Nova candidata

Anteontem, o deputado estadual Lobbe Neto (PMDB) apresentou projeto de emenda modificativa que altera a sede da Reitoria da Unesp para São Carlos. Embora tenha pouco efeito prático, uma vez que a universidade é autônoma e a decisão sobre a transferência cabe ao Conselho Universitária, a proposta pode ser entidade como a oficialização da entrada de São Carlos na disputa pela Reitoria da instituição universitária.

O parlamentar apresentou o projeto de emenda modificativa por entender que São Carlos possui inúmeras vantagens sobre as outras cidades que disputam a Reitoria. Entre elas, cita o fato da cidade ter localização privilegiada, que facilitaria o acesso de todos os membros da universidade instaladas no Interior, e o fato de ser sede da região administrativa central.

Lobbe Neto enumera ainda que seu município é considerado pólo regional de desenvolvimento tecnológico, por contar com duas universidades (Universidade de São Paulo e Universidade Federal de São Carlos) e dois distritos industriais, além de possuir excelente malha viária, servida por ferrovias e por um aeroporto.

Em função da localização privilegiada, da sua neutralidade política, da qualidade e diversidade da base institucional já instalada e sua capacidade para gerar parcerias interinstitucionais, São Carlos tem o perfil ideal para possibilitar o florescimento de uma estrutura universitária moderna, ágil e dinâmica. Considero esses fatores diferenciais que qualificam a cidade como ideal hospedeira da sede da Reitoria da Unesp, defende Lobbe Neto.

Apesar da defesa feita pelo parlamentar, o professor Luiz Antonio Vane diz que São Carlos, inicialmente, não tem chances de sediar a Reitoria. Está decidido que a cidade tem que ser central no estado e ter câmpus da Unesp. Mas se o Conselho Universitário decidir que devam ser estudadas cidades além daquelas que têm unidades, aí há outros municípios que estão pleiteando a sede e o estudo deverá ser global, afirma.

A comissão deverá concluir os estudos relativos a Araraquara, Bauru, Botucatu e Rio Claro após 20 de março e encaminhá-los ao Conselho Universitário. O órgão poderá iniciar o debate sobre a transferência da Reitoria a partir de abril, mas o assunto pode não se esgotar em uma reunião. A decisão caberá a 73 conselheiros.

Comissão tem função técnica

A comissão encarregada de fornecer subsídios ao Conselho Universitário para a escolha da nova sede da Reitoria da Unesp não tem poder de decisão sobre o assunto. Suas funções restringem-se às questões técnicas e acadêmicas.

Nomeada pelo reitor José Carlos Souza Trindade no dia 24 de janeiro, a comissão é formada por sete membros, ligados a áreas como orçamento, informática e administração, além de professores de câmpus localizados no extrema do estado, caso de Ilha Solteira e Guaratinguetá.

A decisão do reitor de escolher professores de unidades distantes se baseia no fato de Trindade acreditar que eles poderão avaliar com mais propriedade e isenção a escolha da futura sede da Reitoria.

Embora a comissão tenha um membro do câmpus de Botucatu, o professor Luiz Antonio Vane garante que o grupo não é desqualificado. Ele frisa que o grupo é técnico e não político e que há a necessidade de ter assessores da atual administração estudando a transferência, considerada de grande porte.

O Conselho Universitário terá acesso ao relatório elaborado pela comissão em abril. A expectativa é que a escolha da sede seja realizada rapidamente. Depois disso, a mudança da cúpula da atual administração central para o Interior será imediata.

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