Sem ser autoridade na área econômica, atrevo-me, com base na realidade do cotidiano, a afirmar que o ônus da estabilidade econômica, quem paga somos nós, os assalariados, os que vivemos dos nossos parcos salários congelados. Os dos funcionários, pensionistas e aposentados do Estado não são atualizados conforme a inflação, mesmo essa de mentirinha, desde o ano de 1994.
Esse ônus, pagamo-lo de diversas maneiras e não só nos salários aviltados.
Os empresários, comerciantes e fornecedores de produtos dos quais necessitamos para sobreviver, tratam também de se defender como podem, já que não lhes é permitido elevar os preços e quem fica no prejuízo somos nós: os fósforos nas caixas são menos, o refil do café solúvel já vem com menos, as sardinhas nas latas, que antes eram muitas não passam mais de apenas duas (o resto é água mal cheirosa), os enlatados de um modo geral não enchem mais as latas como antes. E o caso dos remédios, então, é pior, a lei que não permite a elevação do preço é uma lei que não pegou e eles aumentam quanto querem e quando querem. E como a gente precisa de remédios, a gente paga, não tem jeito. além disso há ainda no caso de grande parte do funcionalismo estadual, a dívida que o Estado não paga, desde os anos 90, por questões ganhas mil vezes nos tribunais, com ordem para serem pagas e não são, o Estado alega não ter dinheiro, embora viva liberando verbas para muitas outras coisas, até para o cinema. Acho que é bom dar verbas para o cinema, mas primeiro deveriam pagar as dívidas.
Por conta desse situação tão onerosa, vivemos pendurados em bancos, cheios de dívidas, pagamos juros altos, aumentando o lucro dos ricos que ficam cada vez mais ricos, enquanto os pobres ficam cada vez mais pobres. E isso não é bom para nenhum país, como já dizia Sinuhe, no Egito, há milênios. (Isolina Bresolin Vianna - Assoc. Paulista de Imprensa n.º 1333)