Novo carnavalesco mostra a que veio e impõe dinamismo e beleza ao desfile
No braço. A Águia de Ouro entrou na avenida com seu primeiro carro sendo carregado por oito homens e debaixo de aplausos. O motivo foi a quebra do carro abre-alas, que trazia a águia-símbolo.
Faltava pouco minutos quando uma roda apresentou problemas. A Águia, que veio de carnavalesco novo, o talentoso Émerson Branco, prometia reinventar-se, teve que desinventar a roda. A superação da escola injetou aderenalina ao desfile.
E a Águia veio ousada, parecendo outra. No ano passado, tinha abusado da simplicidade. Este ano, ainda foi simples, mas, incrivelmente, parecia luxuosa. Foi o luxo que marcou mais, reluzindo dourado por toda a avenida.
Uma pena foi a falta de sapatilhas para todos os integrantes. E o quórum baixo. Outra escola que não chegou aos 400 exigidos pelo regulamento.
Com criatividade, carros sem muitos recursos, como o da favela e o dos sete anões ganharam a simpatia imediata do público. Em alguns carros mais simples, destaques luxuosos compunham o quadro, causando uma sensação agradável.
Outro ponto positivo foi a valentia dos cinco cantores da escola. Os rapazes chegavam a pular enquanto puxavam o samba. A empolgação contaminou parte do público, que a essa hora chegava em sua maior parte para preencher o vazio do Sambódromo.
Como a Azulão do Morro, a Águia revelou-se uma escola que evoluiu este ano. Indepentente da posição em que vai ficar, foi bonita a festa da escola da Bela Vista.
Problema no abre-alas desconcentra passistas
Texto: Daniela Bochembuzo
A cinco minutos de entrar na passarela, a Águia de Ouro registrou problema no abre-alas. O carro, que traz a águia, símbolo da escola, quebrou o eixo, pendendo para o lado esquerdo.
O problema trouxe clima de nervosismo à concentração, em razão do destaque Donizete do Carmo já estar no carro. A tensão foi aumentando na medida em que a grua indicava dificuldades em se aproximar do destaque, que também não conseguia sair do abre-alas por causa do peso de sua fantasia: 35 quilos.
Depois de muito sufoco e com a ajuda de funcionários da Prefeitura, Carmo conseguiu sair do carro. No chão, mais aliviado, decidiu não retornar ao abre-alas, mesmo com a insistência de membros da escola de que o problema do eixo estava resolvido.
Vou no chão mesmo. No ano passado, aconteceu o mesmo com o carro em que sairia na Mocidade Independente da Vila Falcão e tomei a mesma decisão. Não vou me arriscar, afirmou Donizete Carmo, que estava ricamente fantasiado de He-Man, numa alusão ao enredo Sonhei, Sonhei, no Mundo Real Acordei.
Por causa do eixo quebrado, a Águia de Ouro entrou atrasada em cerca de 10 minutos no Sambódromo e um pouco fria. A tensão foi sendo esquecida aos poucos.
Escola espera melhor resultado este ano
Texto: Ricardo Polettini
Na dispersão, a Águia de Ouro era uma festa só, permeada de um misto de cansaço - fruto do esforço de seus integrantes - e satisfação por ter feito a escola crescer bastante em relação ao desfile de 2000.
Bufando e suando estava o destaque Donizete do Carmo, que desfilaria no carro abre-alas da escola, mas acabou indo para o chão porque uma das rodas havia quebrado. Sua fantasia, He Man, chamou a atenção na passarela por ocupar quase toda a largura da pista.
Sustentar os 35 quilos nas costas não foi tarefa fácil para ele. Cansei, mas cheguei, disse, reticente sobre se o esforço poderá render algum reconhecimento por parte do júri: Quem sabe?, indagou.
Também exausto, mas muito satisfeito, estava o carnavalesco da escola, Émerson Almeida Gomes, o Branco, de apenas 18 anos e responsável pelo luxo e belas fantasias apresentadas no desfile e também mestre-sala da escola.
Tudo o que você viu é fruto do meu trabalho com a equipe de produção da Águia de Ouro. Trabalhei durante cinco anos com Jorge Santana (carnavalesco da Coroa Imperial) e aprendi muito com ele, disse. Não trabalhei pensando em resultados, mas esperamos levar a escola para uma colocação mais confortável este ano, acrescentou.
No ano passado, a Águia de Ouro teve que engolir o amargo quinto lugar.
Darcy Simões, presidente da escola, acredita que a escola alcançará um bom resultado este ano, apesar de ter seu carro abre-alas quebrado e levado no braço por alguns integrantes.
Na sua opinião, o Carnaval deste ano teve seus prós e contras. Ele disse ter achado a cobrança de ingressos uma boa iniciativa, mas criticou a liberação tardia da verba oficial, 15 dias antes dos desfiles.