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Assessor politizado influencia vereador

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 4 min

Parlamentares contratam assessores de gabinete politizados e com experiências em movimentos populares

Não basta ser esforçado e dar conta do trabalho burocrático. Tem que ser politizado, ter experiência de vida e, se possível, um bom envolvimento nos movimentos populares. Esse é o perfil que os vereadores estão avaliando antes de contratar seus assessores de gabinete, principalmente os que estão chegando agora, eleitos pela primeira vez.

Embora possa configurar uma contradição em relação ao quesito experiência de vida, os mais jovens estão sendo os mais requisitados para assumir a função. É o caso de Ivy Wiens, 22 anos, que assessora o vereador Rodrigo Agostinho (PMDB), um ano mais velho do que ela. Formada em relações públicas pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), ela diz que conhece Agostinho há pouco mais de um ano.

Ivy desenvolveu seu projeto final de curso realizando uma pesquisa de opinião pública na Associação de Moradores do Núcleo Habitacional Bauru XVI. Seu objetivo foi buscar na pesquisa a influência do agente externo numa comunidade. A assessora faz questão de deixar claro que não trabalhou na campanha de Agostinho e muito menos é filiada ao partido do vereador, o PMDB. Não estou envolvida com política partidária, afirma.

Ao receber o convite para assessorar o parlamentar, diz que pensou antes de aceitar. É um trabalho de responsabilidade. O assessor não é um simples secretário de vereador, que ajuda a atender telefone e redigir ofícios. Na verdade, ele representa a imagem do vereador, opina.

Ivy diz que é equivocada a imagem que a população tem do assessor de vereador. Na média, ela calcula que trabalha cerca de 10 horas por dia. Além do trabalho burocrático, a assessora sai a campo para dar os encaminhamentos de rotina. Mas o trabalho é válido. Estou aprendendo muito, principalmente sobre o funcionamento dos Poderes Legislativo e Executivo.

Movimento estudantil

Desde a década de 60, o movimento estudantil vem revelando talentos para a política. Embora nos últimos anos a efervescência no meio universitário está longe do caldeirão vivido no final da década de 60 e início da de 70, a universidade ainda é uma formadora da consciência política. Foi assim com Akira Kamia, 32 anos, assessor da vereadora Majô Jandreice (PC do B).

Kamia ingressou na Faculdade de Engenharia da Unesp, mas desistiu do curso no início do quarto ano, em 97. Há estudantes de medicina, que é um curso muito mais concorrido, que largam tudo. Por que eu sou considerado o herói ao largar a Faculdade de Engenharia no quarto ano?, questiona. O assessor diz que decidiu abandonar o curso porque não se dava com os professores.

Se não me dava com os professores, como poderia me dar bem na profissão?. Ele avalia que o curso valoriza muito a máquina em detrimento do homem. Kamia lembra que começou a participar do movimento estudantil em 92. Não se envolveu diretamente com o diretório acadêmico, mas com um núcleo organizado do PC do B, partido a qual está filiado.

O assessor ainda acredita numa sociedade mais justa, com uma melhor distribuição de renda. O socialismo é um processo. O que ocorreu no Leste da Europa foi uma tentativa. Se valorizo o homem, não posso apoiar a luta armada. Acho que a implantação do socialismo será uma questão de tempo.

Experiência

Aos 71 anos de idade, formado em Assistência Social Sanitarista pela Universidade de São Paulo (USP), Ismael Dantas, se utiliza de sua experiência de vida para assessorar o vereador Paulo Eduardo Martins Neto (PFL). Funcionário de carreira da Secretaria de Estado da Saúde por 32 anos, Dantas diz que a função não lhe é estranha.

Em Bauru, ele comandou por 12 anos seguidos a Divisão Regional de Saúde, cuja abrangência, naquela época, chegava a 87 municípios. Todo administrador público está envolvido com a política, diz, completando que, para fazer política, não precisa ser fialido a partidos. Sou um técnico que faz política.

Dantas conta que a experiência na Câmara Municipal tem sido boa. O pessoal da Casa é muito bom. O facil acesso à diretoria tem facilitado nosso trabalho. Ele é da opinião de que todo homem público não pode trabalhar sozinho. Com o vereador, não é diferente. Os assessores são responsáveis pela busca de formas legais para encontrar soluções de problemas que afligem a população.

O mais antigo

Há 12 anos na Câmara Municipal, Daniel Rufino, 34 anos, é o mais antigo assessor parlamentar. Desde que começou, presta serviços ao vereador Roberto Bueno (PTB). Na primeira legislatura (89/92) foi contratado diretamente pelo petebista, pois ainda não havia a figura oficial de assessor de gabinete no Legislativo.

Cada legislatura foi um aprendizado diferente, comenta. Rufino lembra que antes mesmo de ser convidado por Bueno para ser seu assessor já freqüentava as sessões da Câmara Municipal por livre e espontânea vontade. O assessor rebate as críticas das pessoas que desaprovam a necessidade de um vereador ter assessor.

Essas pessoas falam isso porque nunca tiveram a chance de estar aqui, diz. Para ele, se seu trabalho não fosse bom, certamente já teria sido dispensado. Rufino não descarta de, num futuro, disputar uma eleição à Câmara, deixando de assessorar um parlamentar para assumir sua função. Isso, no entanto, só irá ocorrer quando o Roberto Bueno garantir que não disputará mais a Câmara.

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