A área do Bauru Futebol Clube, situada no Jardim Europa, zona sul da cidade, onde funciona a escolinha de futebol Baroninho Gol, está sendo motivo de uma disputa judicial. O Bauru F.C. está em atividade no local há três anos e meio, porém, a área é reinvindicada por Isaura Lima Braga.
Segundo a advogada do Bauru FC, Sônia Aparecida Simões Fainer, o local é propriedade da Fepasa e o clube paga aluguel à empresa desde que ali se estabeleceu. No final do ano passado, a companhia comunicou que a área vai a leilão e, por isso, solicitou que a parte locada pelo Bauru FC fosse cercada. No entanto, ontem o treinador Mário Eduardo, responsável pelos treinamentos dos garotos, teve uma desagradável surpresa, o alambrado estava sendo retirado a mando da reivindicante. Imediatamente, Mário chamou a polícia.
O empreiteiro responsável pela retirada da cerca, Eliseu Virgínio, exibia um papel que daria direito à atitude, no entanto, o tenente Costa Duarte, que atendeu à ocorrência não reconheceu a legalidade do documento, por não tratar-se de uma ordem ou decisão judicial a respeito do litígio. Não tem uma decisão judicial sobre o fato, eles fizeram um acordo sobre a reintegração, mas uma decisão judicial não foi apresentada, explicou o tenente.
No entanto, o caso é bem mais complicado do que parece. Segundo a advogada Sônia Fainer logo que começamos a fazer as cercas, algumas pessoas começaram a reinvidicar a área e a aparecer praticamente todos os dias aqui. Hoje (ontem) cedo fomos à delegacia e o delegado conversou com eles - com o advogado e com ela (Isaura) - e avisou que ela não fizesse (arrancar a cerca), pois ela não tem autorização para fazer isto, ela tem primeiro que comprovar que é realmente dona do terreno. Se ela diz que é, que prove através de processo judicial, afirma.
A advogada de Baroninho diz que o clube já teve muitos prejuízos, pois a reinvidicante já mandou arrancar várias telas. Sônia denuncia ainda que existem mais pessoas por trás do litígio. Quem trabalha junto com ela forneceu arames e financia os atos, pois ela não tem condições financeiras de fazer o que faz, denuncia. O Bauru FC, como locatário do terreno, não pode fazer muita coisa. A Fepasa entrou com um processo contra eles (os reinvidicantes). Estamos esperando o desfecho deste processo para ver o que a gente faz. Só que há documentos no 1º Cartório que comprova a posse da Fepasa. Mas o duro é que nós temos problemas com estas pessoas que estão sempre aí assustando os meninos. Muitos alunos têm se afastado daqui por causa disso, nós estamos sempre conversando com os pais para acalmá-los, mas é difícil a situação, reclama.
Por sua vez, Baroninho, que chegou ontem da Itália, onde estava com um time de garotos formados na escolinha, está chateado com a situação. Quando nós chegamos ali era tudo mato, montamos por nossa conta toda infra-estrutura, plantamos grama, pagamos tudo certinho e agora que o trabalho dá frutos sempre tem alguém querendo tirar vantagem. Com nosso trabalho já tiramos várias crianças das ruas. Profissionais que estão hoje no Noroeste e em outros clubes começaram aqui. É chato você ver um trabalho destes ameaçado por pessoas que nem sequer sabemos direito quem é, afirmou.
A reportagem do JC tentou ouvir a outra parte envolvida, porém, não foi atendida.