Secretaria responsável pela realização das grandes obras da cidade irá trabalhar com orçamento de R$ 5,5 milhões
Para conseguir dar início e concluir obras na cidade e atender as reivindicações da população, a Secretaria Municipal de Obras precisaria de um orçamento anual de R$ 18 milhões, segundo Edmilson Queiroz Dias, responsável pela pasta.
O orçamento deste ano é de pouco mais de R$ 5,5 milhões. Ou seja, a Secretaria de Obras tem uma defasagem de R$ 12,5 milhões. Dias contou que estimava um orçamento de R$ 13,8 milhões para 2001. No entanto, a receita deste ano para a Secretaria de Obras sofreu uma redução de mais de R$ 1 milhão, já que no ano passado o orçamento foi de R$ 6,6 milhões.
Apesar da falta de receita para investimentos na cidade, Dias é otimista e acredita que no ano que vem as coisas serão melhores e o orçamento maior. A seguir, trechos da entrevista.
Jornal da Cidade - Quais são as principais dificuldades da Secretaria de Obras?Edmilson Queiroz Dias - Se eu disser que a maior dificuldade é a falta de recursos, estarei falando o óbvio. Isso todos os secretários reclamam. Bauru sofreu uma ocupação urbana muito rápida. E as cobranças da população afloraram em determinado momento, por causa dos longos anos que ficou sem atenção. Sofremos muita pressão pela falta de infra-estrutura em vários bairros. A dificuldade de obter recursos para poder atender as reivindicações da sociedade é, sem dúvida, a maior dificuldade da Secretaria de Obras. Temos que administrar a falta de recursos. Por isso, muitas vezes, o que é prioridade perde espaço para uma urgência. O nosso grande problema é a falta de infra-estrutura em diversos pontos da cidade. Temos que fazer investimentos na cidade para oferecer melhores condições de vida para a população, que tem razão em protestar, reivindicar e ficar indignada.
JC - Qual é a prioridade da Secretaria de Obras hoje?Dias - Dentro dos nossos poucos recursos, estamos estabelecendo prioridades para não beneficiar um único setor da cidade. Nesse momento, depois da chuva (dia 8 de fevereiro), estamos procurando dar as correções já atendendo a projetos e investimentos que nós tínhamos. Um exemplo é o da rua Mara Lúcia Vieira (Vila Pelegrina). Nós não vamos apenas recuperar o que havia lá. Nós vamos redimensionar o canal de passagem de água, a galeria, que existia ali, para que o local possa enfrentar com tranqüilidade uma chuva de grandes proporções.
JC - Qual foi o orçamento do ano passado e qual é o deste ano?Dias - O orçamento de 2000 foi de R$ 6,6 milhões. O orçamento deste ano é pouco mais de R$ 5,5 milhões. Houve uma redução muito significativa, de mais de R$ 1 milhão. Isso em decorrência de uma redução da arrecadação do município, porque a Secretaria de Finanças precisou reservar uma parcela do orçamento deste ano para pagar contas antigas. O município pagou cerca de R$ 5,5 milhões de juros de dívidas. Se eu tivesse esse dinheiro a mais na Secretaria de Obras, teria condições de fazer investimentos importantes para a cidade e que, com certeza, minimizariam os efeitos da chuva do dia 8 de fevereiro.
JC - Qual o orçamento anual que a Secretaria de Obras precisaria para acabar com os principais problemas da cidade, como erosões, pavimentação e buracos?Dias - Eu não tenho esse valor, mas vou falar, com muita convicção. Resolver os problemas de erosões, de galerias de águas pluviais, de recuperação e investimentos de pavimentação, guias e sarjetas não é tarefa para um governo só. Esse é um projeto para, pelo menos, três administrações.
JC - Mas nem todas as administrações seguem e concluem os projetos da anterior...Dias - A nossa intenção é encaminhar projetos que possam ser interessantes para a sociedade e que possam ser continuados, independente dos interesses políticos da próxima administração. Nossa prioridade este ano é a colocação de galerias de águas pluviais. No ano que vem vamos continuar colocando as galerias, mas vamos dar ênfase ao projeto de pavimentação asfáltica, que esse ano será de forma muito tímida. Serão feitos 40 mil m² (cerca de 50 quarteirões) de pavimentação asfáltica e 100 quarteirões de recapeamento. Mas isso é muito pouco perto das necessidades da cidade. Mas isso não será feito em um único bairro. Vamos priorizar a pavimentação em ruas que faltam asfalto em apenas um ou dois quarteirões. Pavimentar esses quarteirões traz benefícios significativos nos bairros. Essa será nossa estratégia, de estabelecer pequenas ligações, para não beneficiar apenas um bairro. Mas vamos investir pesado na colocação de galerias de águas pluviais, que reduzem os custos com conservação. E aí, sobrará um pouco mais de dinheiro para investimentos em melhorias.
JC - O que a Secretaria de Obras tem de equipamentos? O que está funcionando e o que está parado? A frota é suficiente para atender a demanda?Dias - Nós vamos gastar R$ 200 mil, de imediato, na reforma e manutenção da frota. Isso não significa que resolve todos os problemas. Vamos investir na compra de mais equipamentos. A frota da Secretaria de Obras é formada por, aproximadamente, 35 caminhões, entre basculantes, carrocerias, munck, 25 máquinas leves e pesadas e mais os utilitários, como caminhonetes. Isso tudo da Secretaria de Obras, fora a frota da Secretaria das Administrações Regionais (Sear). A cidade está equipada para atender anormalidades e chuvas fortes, mas se sente impotente quando temos alguma coisa que ganham proporções de calamidade. Isso acontece em qualquer lugar do País e do mundo. A nossa frota, bem conservada, bem recuperada e bem mantida é suficiente para atender muito bem a cidade. O que acontece é que a frota não recebeu manutenção por muitos anos. Temos o motor de uma motoniveladora preso, desde a administração retrasada, porque não foi pago o serviço. Nós vamos pagar esse ano. E não pagamos no ano passado porque a Secretaria não teve condições.
JC - A Secretaria tem projetos para serem colocados em prática, mesmo que a longo prazo, para combater e acabar com as erosões da cidade?Dias - Temos projetos e estudos para acabar com as erosões. Um deles é a construção das barragens de contenção de águas pluviais, chamados de piscinões. Bauru terá o seu primeiro piscinão implantado, dependendo dos recursos, ainda este ano, na região do Jardim Jussara. Esse recurso é viável e é o primeiro equipamento urbano de instalações hidráulicas de fundo de vale para conter o problema de chuvas. Até o final da administração Nilson Costa serão feitos outros piscinões. Um deles será na avenida Nações Unidas. Uma despesa feita agora que representaria muita economia no futuro. Há também as tecnologias alternativas que estamos analisando. Uma delas é a contenção de erosão usando pneus. É muito interessante porque é econômica, resolve o problema e é ecológica, porque resolve um outro problema: o do pneu usado e que não tem destino. Com as galerias de água pluvial, as barragens de contenção de água, as erosões não aumentarão. Então, começa-se o processo de urbanização do local. Trabalharemos em parceria com a Sear, Emdurb, Dae, Seplan (Secretaria de Planejamento) e Semma (Secretaria Municipal do Meio Ambiente).
JC - A Secretaria de Obras de Marília tem um orçamento anual de R$ 23 milhões, o que dá para fazer muita coisa. Qual seria o orçamento necessário para a Secretaria de Obras de Bauru resolver os problemas da cidade? Dias - Nós fizemos uma estimativa tímida de um orçamento de R$ 13,8 milhões para este ano, para fazermos muitos investimentos e enfrentarmos com tranqüilidade o próximo período de chuvas. O ideal seria que a Secretaria de Obras de Bauru tivesse um orçamento anual de R$ 18 milhões para poder atender os pedidos de pavimentação asfáltica, recapeamento, colocação de galerias de água pluvial, guias e sarjetas, atacar os problemas de erosões e interligações de bairros. De maneira tímida e imaginando um orçamento pequeno, idealizamos um orçamento de R$ 13 milhões. Mas não foi possível devido as dificuldades do município. Mas eu acredito que no ano que vem as coisas serão bem melhores.
JC - E qual a ênfase que a Secretaria de Obras tem dado para as obras antigas da cidade, como a recuperação da avenida Comendador José da Silva Martha?Dias - As avenidas funcionam como vetores de desenvolvimento e crescimento da cidade. Estamos dando ênfase para concluir avenidas em regiões que não são privilegiadas da cidade, como a avenida Jânio Quadros (antiga avenida Do Oeste), a Nuno de Assis e a Nações Unidas Norte. Estamos investindo em obras que vão fomentar o crescimento da cidade, como a avenida Comendador José da Silva Martha. Colocamos galerias de águas pluviais e pavimentação que resistiram a chuva do dia 8 de fevereiro. Vamos terminar o trabalho e contemplar a avenida com galerias e asfalto na parte alta (região do Recinto Mello de Moraes). Queremos continuar a duplicação da avenida Getúlio Vargas.
JC - E quais são os projetos para a avenida Rodrigues Alves?Dias - A avenida Rodrigues Alves precisa receber algumas reformas em sua infra-estrutura hidráulica (rede de água, esgoto e galerias) e ter o seu asfalto retirado e refeito, desde a sua base, para resistir ao alto tráfego de veículos e ônibus. Mas esse projeto depende de um outro projeto: o de reformulação do sistema viário da região Central da cidade. E junto com isso, haverá, também, a reformulação do Centro. Mas esse projeto para a avenida Rodrigues Alves tem condições de ser colocado em prática nos próximos anos.
JC - O que você pensa sobre a iniciativa da OAB em entrar na Justiça para encontrar responsáveis pelas mortes da chuva do dia 8 de fevereiro?Dias - Será que o município pode ser responsável pelos desastres da natureza? A chuva do dia 8 de fevereiro foi sem precedentes. Estávamos fazendo um trabalho preventivo de desassoreamento, ao longo do Ribeirão Bauru e do Córrego da Água do Sobrado, para impedir os alagamentos da região. Mas a chuva do dia 8 de fevereiro foi uma revolta da natureza. E como responsabilizar o município por essa revolta da natureza? Mas julgo que é legítimo que a sociedade se organize para defender os seus direitos. Entendemos e respeitamos o posicionamento da OAB, que é uma entidade de profissionais atuante.