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Partidos vivem crise do pós-eleição

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 4 min

Fora da disputa por votos nas urnas, partidos políticos convivem com divisões e maior distância entre legenda e filiados

A estrutura política-partidária no Brasil mantém um emaranhado de dezenas de legendas, letrinhas que se juntam em coligações para ganhar tempo nos programas eleitorais a cada quatro anos. Em muitas delas, não há nenhuma identidade entre os programas lançados pelo coletivo da agremiação e o que é executado depois. Sequer as combinações políticas da eleição permanecem. O termo aliança deixa de ser a procura por um grupo coeso para a disputa eleitoral e passa freqüentemente a ser a busca pela aproximação com o Executivo.

O que há de comum, neste período pós-eleitoral, em relação a outros, é que os agentes políticos voltam a tentar procurar o melhor partido a ser escolhido. Um arranjo que satisfaz muito mais o personalismo do que a legenda. Na grande maioria das situações, se recriam agremiações, surgem novas propostas - como a possibilidade de fusão de legendas -, mas sem que a forma e o conteúdo político se modifiquem. Para a Imprensa, faltam informações de grupos partidários que tentaram inovar com novas propostas. Mas sobram matérias sobre rachas, disputas.

A revoada pós-eleitoral também deixa, no pós-eleição, muitas legendas tão enfraquecidas que o presidente da Executiva da campanha eleitoral parece esperar o tempo passar para igualmente escolher uma nova opção. Isso quando o período eleitoral já não foi marcado por problemas internos, com comissões provisórias sendo perpetuadas ao longo dos anos, enquanto algum cacique não manda uma ordem lá da Capital para que a legenda abrigue outro comando. O esfacelamento das legendas em Bauru, como em outras localidades, tem muitos exemplos, alguns com maior ou menor incidência.

A aliança Viva Bauru, formada por PDT, PTB, PSDB e mais dez partidos pequenos (nanicos) é um bom exemplo. A candidatura do deputado estadual, Pedro Tobias (PDT), atraiu muitos simpatizantes e reuniu um time de grandes proporções. No entanto, já se sabia que o resultado do casamento político de então, estava demarcado pelo resultado das urnas. O favoritismo de Tobias na disputa atraiu inúmeras agremiações. A força de repulsão foi semelhante e tão forte, porém, que os pedetistas não parecem guardar muita afinidade entre a bancada de vereadores, a maior da Câmara, e o comando do partido em Bauru.

Da mesma aliança, sobraram cacos para os tucanos e os petebistas. Os tucanos já foram para a disputa divididos e saíram do período pós-eleitoral com aprofundamento da crise de comando. O PSDB chegou a escolher o candidato a vice-prefeito na chapa com Tobias (Edmundo Albuquerque), mas foi só para a foto da edição do dia seguinte. Os tucanos entraram e saíram desgastados da eleição. Perderam prestígio com brigas internas, que culminaram com a própria destituição da Executiva.

Mas os petebistas tiveram sorte parecida. O comando local, que já era provisório, foi destituído às vésperas da eleição. Rogério Medina assumiu, na época, a missão de conduzir o partido na aliança Viva Bauru. Sobrou falta de coesão e nem mesmo o peso de Caio Coube e Ricardo Carrijo foi capaz de amenizar o impacto negativo da indigesta destituição do comando por quem era de fora. Agora, menos de um ano depois da eleição municipal, o PTB tenta sobreviver. Vale recordar, que houve acomodação, há alguns anos, quando dissidentes do PSDB tomaram conta do PTB, PTB e PSB. Agora falam do caminho de volta, ou seja, reunir no ninho tucano grupos conhecidamente divergentes do passado e até considerados inimigos no presente, como os liderados por Tobias e Tuga, por exemplo.

Um pouco à margem desses problemas parecem estar legendas como o PT e o próprio PPS. Por outro lado, bastará a próxima urna ser aberta, para que os petistas possam mostrar bandeiras diferentes dentro da estrela, uma pluralidade que não tem dado resultado nos últimos anos. Diferentes, sim, mas juntos pela organização do partido, eis uma frase que os petistas não têm proclamado há algum tempo. Já o PPS parece fincar raízes que também dependem de lapidação e, o que é mais comum, do sucesso do governo instalado no Palácio das Cerejeiras. O partido de Roberto Freire parece tentar se firmar com uma identidade socialista popular, tendo a retina de Ciro Gomes como o reflexo de seu próprio projeto atual.

Ainda assim, o PPS terá muito o que mostrar, ou fazer, se quiser ser uma legenda diferenciada na crise vivida pelas outras agremiações políticas na entressafra eleitoral. Isso, tendo como referência que o partido acabou ganhando maior dimensão na cidade também fruto do personalismo. Não foi o PPS que chegou até o comando da Prefeitura, mas Nilson Costa, que ganhou a chance de mostrar para a população que merecia ter mais quatro anos de mandato após ter sido presenteado com a cassação de um casamento político que foi um desastre, com o ex-pepebista Izzo Filho. Simpático a Maluf, o próprio perfil de Nilson Costa não tem semelhanças com o que prega Roberto Freire.

Assim, entre uma dança partidária e outra, a política-partidária local vai formando novos arranjos, novas legendas lideradas por líderes conhecidos. São apenas alguns exemplos de uma estrutura política que conta com tantos partidos que fica impossível comentar nesta matéria a trajetória de todas as legendas, o que força a lembrança dos exemplos mais claros da falência dos partidos. Partidos que, como o próprio nome, são partes de um inteiro que parece difícil de ser construído.

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