Geral

Prefeitura empresta raio-X à AHB

Redação
| Tempo de leitura: 3 min

O aparelho foi doado ao município em 1995, mas a Secretaria de Saúde não tinha condições de mantê-lo em funcionamento

A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) cedeu, de acordo com publicação no Diário Oficial do Município, um aparelho para a realização de exames de raios X à Associação Hospitalar de Bauru (AHB). Com a medida, a secretária municipal de Saúde, Eliane Fetter Telles Nunes, afirma que os pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) serão beneficiados com facilidades para a realização de exames, já que o acordo estabelecido prevê algumas condições para a concessão do aparelho.

De acordo com a secretária, o aparelho havia sido doado pelo governo do Estado de São Paulo ao município em 1995. Na época, a doação tinha como objetivo que o aparelho fosse instalado no Pronto-Socorro Bela Vista. No entanto, Eliane Fetter afirma que ele permaneceu parado durante alguns anos por falta de verba e estrutura física que o mantivesse em funcionamento. Quando eu cheguei na Secretaria, já existia esse aparelho; ele ficou no almoxarifado até a gente entrar.

As primeiras providências tomadas pela nova gestão trataram de realizar um estudo para verificar o custo da instalação e da manutenção do equipamento. Chegou-se à conclusão de que haveria a necessidade de criar um espaço físico adequado e contratar profissionais especializados. Nós chegamos à seguinte conclusão: nós não tínhamos o espaço físico adequado para instalar o equipamento de raios X no Bela Vista. Nós teríamos que construir uma área física, o que não significa simplesmente levantar quatro paredes; o aparelho exige mais cuidados. Depois, nós teríamos que contratar pessoal especializado. Teríamos que criar o cargo de especialista de raios X e contratar um radiologista. Seriam seis médicos radiologistas e, no mínimo, nove operadores, esclarece a secretária.

Em suma, o orçamento da SMS não comportaria o acréscimo nos gastos. O que nós receberíamos, pelo SUS, cobriria, apenas, em torno de 40% das despesas previstas. Os outros 60% ficariam a cargo do município. Na época, esse valor era maior que R$ 100 mil por mês de acréscimo na folha de pagamento. Nós não tínhamos orçamento para isso e não temos até hoje.

Outros problemas haviam somado-se ao estado do aparelho, que permanecia fora de atividade. Um deles foram as denúncias de que ratos haviam sido encontrados na caixa em que ele era armazenado. Nós chamamos o Departamento de Saúde Coletiva (DSC) para fazer a desratização e, realmente, apareceram ratos mortos, agrava a secretária.

O estudo dos custos da manutenção do aparelho de raios X foi encaminhado ao Conselho Municipal de Saúde, que concluiu que o Plano Diretor do município apresentava outras prioridades. Então, o Conselho Municipal de Saúde autorizou a cessão do aparelho à Associação Hospitalar de Bauru, já que o aparelho do Hospital de Base estava quebrado, na época.

Eliane acrescenta que o aparelho seria cedido, em caráter temporário, apenas mediante uma troca. Nós cobramos da Associação Hospitalar o aumento da quota de exames de mamografia para o município, a não-cobrança de pedidos de exames simples que viessem de núcleos de saúde, e mais alguns detalhes, que viriam em contrapartida.

As negociações tiveram início em setembro de 1999, de acordo com a secretária municipal de Saúde, embora a resposta da Associação Hospitalar, por escrito, tenha atrasado o processo de liberação do aparelho para a utilização pelos profissionais do Hospital de Base. O aparelho é da Secretaria Municipal de Saúde, mas está cedido para prestar serviço, como se a Secretaria tivesse prestando esse serviço, já que ela não tem local próprio, nem estrutura, nem técnicos.

Eliane Fetter acredita que a medida irá beneficiar os pacientes que são atendidos pelo SUS, já que o limite do atendimento diário do Hospital de Base, que realiza uma média de 500 exames de raios X por dia, deve aumentar. Foi um modo de dar utilidade ao aparelho e melhorar as quotas de exames, que são insuficientes.

Comentários

Comentários