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Bauruense constrói avião de US$ 22 mil

Rita de C. Cornélio
| Tempo de leitura: 4 min

Apaixonado por aviação, Paulo Sérgio Molan comprou um projeto nos EUA e construiu a aeronave em sua própria casa

Apaixonado por aviação, o bauruense Paulo Sérgio Molan comprou um projeto nos Estados Unidos e construiu sua própria aeronave, em 96. Ele acha que com força de vontade e muita paixão qualquer pessoa pode construir a sua. A aeronave permite ao piloto privado fazer viagens com seus familiares.

O sonho de construir seu próprio avião nasceu aos 13 anos quando o piloto aprendeu a fazer aeromodelos. Aos 13 anos fiz meu primeiro aeromodelo, daí nasceu a vontade de construir aeronaves maiores que pudessem me transportar de um lado para outro. No início de 95, ele começou a realizar o sonho. Comprou o projeto e arregassou as mangas. No final de 97, o aparelho estava pronto.

Aproximadamente duas mil aeronaves do tipo que o piloto construiu voam em todo mundo. No Brasil, há uma associação que agrega os amantes de aeronaves amadoras, a Associação Brasileira de Aeronaves Experimentais. Eles promovem encontros para troca de idéias. Eu acredito que atualmente estejam em construção cerca de 400 delas. Em Bauru, há pelo menos duas sendo construídas, disse.

A aeronave KR-2 prefixo PT ZPM começou a ser construída na casa do próprio piloto, em 94, e consumiu cerca de US$ 22 mil. Eu comprei o projeto, via correio. Com a planta, comecei a montar o quebra-cabeças, disse. A maioria do material utilizado na construção é nacional, somente peças vitais vieram dos Estados Unidos, país onde só fui visitar depois da aquisição do projeto.

A aeronave foi retirada da residência do piloto com a utilização de um munck.Foi transferida para o hangar do Aeroclube de Bauru, onde foram feitas a pintura e a montagem final, contou.

Na estrutura primária da aeronave, o piloto usou uma madeira chamada freijó, encontrada na Amazônia brasileira. O projeto indicava a utilização de um tipo de pinho encontrado na costa Oeste dos EUA, para nós, o freijó.

As superfícies de vôo da aeronave, segundo o piloto, foram revestidas com uma laminação de tecido de vidro, com resina epóxi sobre um corpo de espuma de poliuretano fixados na madeira. A aeronave vazia pesa 306 quilos e pode decolar com um peso máximo de até 520 quilos.

O motor do aparelho é baseado em uma modificação do motor da Kombi. Com um aumento de 1600 para 2200 cc de cilindradas. O tanque de combustível tem capacidade para 95 mil litros de AV GAS( gasolina usada comumente no Brasil nos aviões com motores a pistão).

A aeronave bauruense voa a 220 quilômetros por hora, velocidade de cruzeiro, o que, segundo o piloto, permite percorrer 900 quilômetros de distância em quatro horas de vôo, o máximo sem novo abastecimento do aparelho.

Nos três anos dedicados à construção do seu sonho, Molan garante que aprendeu muito. Aprendi a desenvolver novas habilidades. Tive que soldar, cortar, colar e encaixar. Hoje, domino muita coisa nessa área.

Ele lembra que a aeronave pode ser ocupada por duas pessoas, porém não pode ser utilizada para comércio. Não tenho permissão para transporte de pessoas. Uso apenas para passeio. Esse modelo não pode ser usado como táxi-aéreo, por exemplo.

Viajando

A paixão pela aviação contagiou a família de Molan. Minha mulher perdeu o medo de voar. Hoje, ela me acompanha na maioria dos vôos. Minhas filhas sempre me acompanham. Meus pais sempre me incentivaram.

O piloto conta que o passeio mais longo que fez foi para Santo Ângelo (RS). Já viajei para Curitiba, Guaratinguetá. Sorocaba, Presidente Wenceslau, Rio Preto e Ribeirão Preto.

As viagens dependem das condições climáticas. Para levantar vôo preciso ter visibilidade vertical e horizontal. Caso contrário, não recebo autorização para decolar.

Anjo da guarda

A construção da aeronave também ajudou o piloto a fazer ou a intensificar as amizades. Os detalhes finais foram feitos por um engenheiro habilitado pela aeronáutica e o primeiro vôo foi feito por um amigo de Guaratinguetá, contou Molan.

O vôo inaugural da aeronave custou algumas noites de sono para o piloto. Fiquei inseguro e como meu amigo de Guaratinguetá tinha mais experiência, pedi a ele para vir para cá. Ele trabalhou três dias comigo.

Para decolar com a aeronave foi escolhida a pista da vizinha cidade de Lençóis Paulista. Escolhi lá porque se o aparelho apresentasse algum problema, poderíamos pousar em um canavial. A minha preocupação maior era porque o aparelho decola e pousa a 100 Km/h, explica.

O piloto acha que para construir a mesma aeronave atualmente, Molan teria que dispor de U$ 30 mil. Não sei se vale a pena. Somente os apaixonados se convencem. É por pura satisfação. Hoje, eu olho para o aparelho e penso que construi cada uma das partes e me emociono."

Para construir um aparelho semelhante, está à venda, segundo o piloto, um kit. Quando eu construi não tinha no mercado. Hoje, é possível comprar o kit com 49% das peças prontas.

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