Nosso cérebro é composto por duas metades, ou mais corretamente, são dois hemisférios: o hemisfério esquerdo e o hemisfério direito
O sistema nervoso humano está em comunicação com o cérebro mediante uma conexão cruzada, o hemisfério esquerdo controla o lado direito do corpo e o hemisfério direito controla o lado esquerdo, assim como as mãos respondem ao uso invertido dos comandos cerebrais; a mão esquerda está conectada ao hemisfério direito e a mão direita está conectada ao hemisfério esquerdo.
Nos animais os hemisférios cerebrais são simétricos com relação às suas funções, porém nos seres humanos o funcionamento dos hemisférios cerebrais são assimétricos e o desenvolvimento deles está relacionado à exercitação da função de cada um.
Essas afirmações foram feitas pelo estudioso do assunto Michael Vorturanno.
A ciência foi descobrindo aos poucos através da observação em pacientes com lesões cerebrais, que uma lesão ocorrida no hemisfério esquerdo pode provocar perda da fala. A capacidade de falar, está localizada no hemisfério esquerdo e esta por sua vez está relacionada à capacidade de raciocínio, com o pensamento, e as atividades do tipo intelectual.
Por considerar estas atividades da maior importância, os cientistas do século passado chamaram a este hemisfério de dominante ou principal, e ao outro hemisfério cujas funções eram desconhecidas, foi chamado de hemisfério secundário, por ser ele mudo, e ainda dominado pelo hemisfério esquerdo.
A arte desenvolve o cérebro
Para desenhar precisa-se de uma certa maneira ver a realidade, diferente da maneira normal usada pelo lado esquerdo, e esta é a maneira com que o hemisfério direito processa a informação visual.
As pessoas em geral usam fundamentalmente a inteligência racional para resolver assuntos da sua vida, a lógica fria, mas existem pessoas diferentes que junto da inteligência racional usam a inteligência emocional, ou dito de outra forma, usam as capacidades de seu lado direito do cérebro.
As pessoas de modo geral, esqueceram esta parte do seu mundo, que vive nas suas próprias cabeças. Se esta parte nas pessoas acordar, elas terão mais possibilidades de ceder a certos conhecimentos que ajudarão a fazer suas vidas e a de seus semelhantes mais consciente e por isso mesmo, mais feliz.
Uma das formas de discernir o uso de cada hemisfério em uma atividade específica é através da percepção da velocidade, isto é, qual é o hemisfério que chega mais rápido para realizar a tarefa e a faz bem feita? A outra pergunta é : qual é o interesse demonstrado em fazer a tarefa? Ou seja, qual é o hemisfério que mais se atrai pela tarefa? Quando falamos de velocidade, estamos falando de tempo e quando falamos em interesse estamos falando em emoção, em espaço, e estas são as duas dimensões que pertencem ao homem neste nível de consciência, sintetizado:
Tempo = hemisfério esquerdo
Espaço = hemisfério direito
Essa separação não é muito confiável para detectar a tendência do hemisfério, já que o lado esquerdo além de estar mais desenvolvido, possui o recurso da linguagem que, com sua rapidez, se impõe para realizar qualquer tarefa, inclusive aquela que por tendência natural ele não pode realizar. Por exemplo, uma atividade lenta como a arte, não pode obviamente ser realizada por esta parte do cérebro que é, por excelência, rápida.
Determinar a competência natural de cada hemisfério em relação á tarefa adequada, exige observação que é algo muito especial e exige muitos detalhes para relatar.
Nosso lado esquerdo rejeita todo o tipo de tarefa em que se requer muito tempo, porque a atividade é detalhada ou lenta ou porque simplesmente não pode realizar a tarefa, e esta é a chave que é muito bem colocada pela pesquisadora americana Betty Edward: Que para desenvolver o lado direito, precisamos de tarefas que o cérebro esquerdo rejeite, por exemplo, a arte, o desenho, a música, a meditação e toda atividade que exija lentidão e uma visão global da situação. Este é o aspecto a ser considerado e que as pessoas, às vezes, se confundem.
Não se trata de aprender a desenhar para se tornar um artista ou coisa parecida. Trata-se de experimentar um estado de relaxamento mental, num processo de desligamento do lado esquerdo, o que favorece atingir esse estado, logo não importa qual a atividade a ser realizada desde que leve em consideração os requisitos de como acessar o lado direito.
Quem procura desenvolver as faculdades do lado direito, utiliza algumas ferramentas do cérebro como testemunha, verificando na prática, as mudanças que ocorrem no seu cérebro.
Desenhar é um dom ou um modo de ver? Se queremos desenvolver o hemisfério direito do cérebro, devemos realizar tarefas lentas que contrariem o hemisfério esquerdo, pois ele não gosta deste tipo de atividades, por exemplo o desenho. Uma das formas de driblar sua intervenção é justamente contrariá-lo, assim ele deixará o campo livre, não dispensando atenção à uma tarefa da qual ele não se agrada, e essa será a primeira condição para você poder se conectar ao hemisfério direito.
O hemisfério esquerdo do cérebro controla a fala e por ele ser mais rápido com sua tagarelice mental nos convence rapidamente. O outro lado, o hemisfério direito, atrelado aos sentimentos, é mais lento para reagir, logo, acaba sendo abafado em suas pretensões. Desta maneira, o poder do lado esquerdo se alicerça, cada vez mais a cada dia que passa. Ele é responsável por manter uma programação mecânica de hábitos, onde se misturam a imaginação negativa, os preconceitos, os medos, as limitações. Enfim, ele mantém uma rede, desenvolvida pela própria mente, tão densa que às vezes a verdadeira realidade nos parece oculta e inacessível. É assim que o ser humano vai limitando o seu campo de ação aos hábitos corriqueiros do dia-a-dia. Ele, o hemisfério esquerdo, acaba enquadrando sua vida conduzindo-o a não sensibilidade.
Então, começamos a compreender como tarefas próprias de serem executadas pelo lado emocional, as de desenhar por exemplo, são atrofiadas pela incompetência do cérebro esquerdo que invade o território do outro lado cerebral, levando as pessoas à frustração e a culparem-se por uma inabilidade aparente, acabando por expressar com desagrado a típica manifestação: não tenho dom.
Como podemos verificar, não se trata de uma questão de dom, e sim de uma forma de ver diferente.
Ver diferente é Ver não focalizado, é ver os espaços na sua plenitude, configurados por linhas e que ao estarem vazios, nos dá a possibilidade de criar inúmeras formas. Eis a criatividade, a liberdade. Então exercitamos no papel o que podemos realizar dentro de nós. Uma parte em nós não deseja mudanças, porém, o outro lado nos incita à liberdade, à expansão.
Se trabalhamos o outro lado do cérebro poderemos crescer, fazer mudanças permanentes que nos tragam bem-estar e felicidade, porém, uma dica: devemos abstrair-nos do nome das coisas, exercitando a abstração, olhando como o observador (que vê de fora) o faria, pois é ele quem vê diferente e não a personalidade atrelada ao lado mecânico do hemisfério esquerdo. Assim, temos possibilidades de descobrir aquilo que está escondido em nós, aquilo que é essencial para nós.