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Foz do Iguaçu arruma a casa

Eliane Barbosa
| Tempo de leitura: 4 min

O Parque do Iguaçu, no Paraná, passa por um processo de revitalização que já apresenta bons resultados para os visitantes. Agora, para curtir a beleza das cataratas, há uma infra-estrutura mais eficiente, com banheiros novos adaptados a deficientes físicos, fraldário, posto bancário, ambulatório médico e restaurante de cozinha iternacional. Tudo com o aval do Ibama, que, para garantir a preservação do local, vetou a entrada de carros e ônibus dentro do parque (apenas os ônibus especiais do parque podem trafegar). Aproveite para ir enquanto as temperaturas estão altas a névoa das cataratas refresca a pele e a mente. O parque, um dos maiores do Brasil, situa-se no extremo oeste do Estado do Paraná, na fronteira com o Paraguai e a Argentina. Fundado em 1939 por Santos Dumont - que mereceu uma estátua no local - está entre as principais reservas florestais da América do Sul e foi considerado Patrimônio Natural da Humanidade pela Unesco em 1986. E o parque não são apenas as cataratas: há também o Poço Preto, o Salto do Macuco, e o Centro de Visitantes. Cataratas

Agora, quem quiser chegar às cataratas motorizado terá de embarcar num dos ônibus especiais que operam dentro do parque. Paga-se R$ 2,00, mais R$ 6,00 pela entrada, mas vale a pena. As cataratas foram descobertas no século 16, mais especificamente em 1542, pelo navegador espanhol Álvar Núñes Cabeza de Vaca. Dizem que descia o Rio Iguaçu em busca de uma rota para Assunción, no Paraguai. Quando percebeu em que situação se metera, teria gritado Santa Maria, que beleza!. Conseguiu escapar da morte e acabou entrando para a história. As quedas formam um semicírculo de 2,7 km de largura, e têm altura superior a 70 m - a mais famosa delas, a Garganta do Diabo, mede 90 m e possui formato de ferradura. Dependendo da vazão do Rio Iguaçu, que faz a divisa entre o Brasil e a Argentina e alimenta as quedas dágua, há de 150 a 300 quedas. Para ver mais de perto o espetáculo, há passarelas e um elevador panorâmico que liga a base das quedas ao rio, no alto. A 1 km de distância, fica a Enseada Rio Branco, ou Porto Canoas, com infra-estrutura para churrascos e piqueniques.

Fauna

A vegetação predominante no parque é a mata subtropical apenas nas margens dos rios Iguaçu e Paraná impera a floresta tropical de várzea. Canelas, paus-marfim, jerivás, palmitos e figueiras bravas compõem o cenário com as flores nativas orquídeas e bromélias, em sua maioria e borboletas que se reproduzem em abundância na região. Na mata há onças-pintadas, antas, capivaras, macacos-prego, veados, guaxinins, quatis e jacarés-do-papo-amarelo. Não é fácil vê-los, mas, com sorte, pode-se até assistir a alguns deles degustando a flora local. Em Foz do Iguaçu, mesmo onde há severas alterações do homem a fauna resiste. No Lago de Itaipu, a 40 km das cataratas, as águas do Rio Paraná represadas pelo ser humano hoje servem de criadouro para peixes da região. O mesmo é feito com a fauna e a flora, que têm sua reprodução incentivada nos refúgios biológicos.

Poço Preto e Salta do Macuco

Por uma trilha com 18 km de extensão (com acesso no km 18 da BR 496, a Rodovia das Cataratas), percorrida por carros com tração 4x4, chega-se a ao Poço Preto. O lugar é muito bonito, mas a viagem, de aproximadamente cinco horas, é mais. Afinal, só entrando no meio do mato, literalmente, para apreciar como se deve a riqueza da fauna e da flora da região. Já o Salto do Macuco fica mais perto. Os primeiros 7 km da trilha (acesso pelo km 23 da Rodovia das Cataratas) são feitos de carro, e os 500 metros restantes, a pé, com direito a pontes rústicas e muito mato pinicando as pernas. Mas não acaba aí: é preciso ainda chegar ao Rio Iguaçu pelas escadarias e pega um barco até os saltos. Cansa, mas a recompensa vale a pena. As águas cristalinas caem de uma altura de 20 metros sobre as rochas e formam um pequeno, porém paradisíaco lago.

Volta ao passado

O Museu do Parque Nacional do Iguaçu está instalado num casarão da década de 40. Ali, estão expostos animais empalhados, urnas funerárias e artefatos indígenas (principalmente artesanato dos tupi-guaranis), e pedras da região. Perto do casarão, há uma escadaria que leva à margem do rio. Mas haja perna: o caminho tem aproximadamente 1 km de extensão. A poucos metros do museu, fica a Usina do Rio São João, lembrando a rusticidade das usinas de antigamente. O projeto é da década de 30, mas a obra ficou pronta apenas no decênio seguinte, utilizando equipamentos importados da Suíça e material da própria região.

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