A secretária municipal de Educação, Isabel Algodoal, reclama que o Município gasta R$ 170 mil com o transporte de alunos
O Município de Bauru está gastando R$ 170 mil por mês com o transporte de alunos, a grande maioria da rede estadual. Enquanto isso, o Governo do Estado repassa R$ 33 mil por ano para a Prefeitura, para a mesma despesa. A informação é da secretária de Educação, Isabel Algodoal, que reclama da participação do governo tucano em um problema gerado pelo próprio Estado com a reestruturação do sistema escolar feita em 1995.
Isabel Algodoal contou que, até esta época, as escolas funcionavam de 1.ª a 8.ª séries. Com a reestruturação feita pelo Estado, algumas escolas foram fechadas e outras, que funcionavam de 1.ª a 8.ª séries, passaram a funcionar de 1.ª a 4.ª, séries. Os alunos dessas escolas, das classes de 5.ª a 8.ª séries, tiveram que deixar seu bairro, sua escola, e ir para outra. Isso gerou problemas de localização em muitos casos. As autoridades estaduais foram questionadas por esta mudança, na época, e eles disseram que estavam preocupados com a qualidade do ensino. Disseram também que eles eram obrigados a oferecer a vaga e não o local. Mas nós já havíamos previsto que o crescimento da cidade e o agravamento dessas mudanças iria trazer consequências graves e é isso que estamos enfrentando a agora, lembrou a secretária.
Segundo ela, esses problemas geraram a nova demanda de alunos a serem transportados, em um total de 3.700 por dia somente no ano passado. Nós temos que transportar esses alunos, mas não fomos nós que geramos o problema, foi o Estado, com a reestruturação feita em 1995. O aluno deixou de freqüentar a escola do seu bairro e foi transferido para uma escola muito longe de sua casa. O aluno que precisa rodar meia hora, quarenta minutos, mais de uma hora em alguns casos, dentro de um ônibus chega cansado ou desestimulado à escola, disse Algodoal.
A questão é que o Estado gerou o problema e passou a participar com uma quantia muito pequena de recursos para esta despesa. Isabel Algodoal afirmou que o Estado vai repassar R$ 33 mil durante todo o ano para o transporte de alunos para a Prefeitura de Bauru. Veja, eles vão repassar R$ 33 mil, em três parcelas de R$ 11 mil, para o ano todo. Mas nós gastamos R$ 170 mil por mês, veja por mês, para esta despesa. Então, é a Prefeitura de Bauru, graças à sensibilidade do seu prefeito, que arca com esta despesa, mesmo com a grande maioria dos alunos sendo da rede estadual e não municipal, reclamou a secretária.
Para Isabel Algodoal, o conceito de qualidade de ensino aplicado pelo Estado na época da reestruturação não levou em conta um fato importante. A qualidade de ensino passa pela garantia de vaga, mas no bairro onde a criança mora. Aqui já iniciamos a qualidade de ensino. Porque uma criança que anda mais de dois quilômetros, ou anda mais de uma hora em uma ônibus não pode chegar a sua escola em condições de aproveitar bem seu dia-a-dia, argumentou.
Para eliminar o problema, a secretária comentou que o prefeito Nilson Costa determinou a construção de dez escolas, sendo que uma já foi entregue no final do ano passado (Fortunato Rocha Lima) e outras quatro estão em construção, sendo no Santa Edwirges, Vila Garcia, Bauru 2000 e Nova Bauru. Nós estamos municipalizando o aluno, que passa a migrar do Estado para a rede municipal, mas com uma escola em seu bairro. E a cada aluno a renda per capita do Município com o Fundão aumenta, ainda que seja apenas R$ 780,00/ano por aluno, enquanto que o Município consome R$ 1.500,00 aluno/ano, disse.
A secretária municipal de Educação disse que a Administração municipal está implantando as classes as poucos, nas novas escolas. Além das cinco escolas citadas, Isabel Algodoal contou que já estão sendo licitadas outras cinco escolas de ensino fundamental para outros bairros, onde também há necessidade. São eles Santa Cândida/Leão XIII/Val de Palmas, Bauru 1, Ferradura Mirin/Tangarás, Granja Santa Cecília e Jd. Flórida. Isabel Algodoal reforçou que o Município está correndo atrás de um prejuízo gerado pelo Estado em 1995. E enquanto assumiu o custo do transporte do aluno, o prefeito atacou o problema em sua origem, determinando a construção de novas escolas onde há maior urgência. Esses alunos vão deixar de ser transportados à medida da instalação das novas classes nos bairros citados. Queremos discutir a parceria com o Estado para o transporte de alunos, mas até agora esta parceria está sendo de um só, finaliza.