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SESSÃO DA CÂMARA: POLÍTICA E TEATRO

Henrique Perazzi de Aquino
| Tempo de leitura: 2 min

Política, naturalmente, é um teatro e deve ser vista como um teatro. Segundo Norman O. Brown, a origem da política está no teatro. Por exemplo: os deputados, os vereadores são os representantes do povo, os atores que representam a massa das pessoas, e têm seu palco, que são os congressos, as assembléias, as câmaras, etc. Desconfio que deve haver outras, mais secretas. A verificação de que isto é uma verdade, de que a política é assim, oferece um espaço e uma liberdade maior, para formas de atuação política que não sejam as convencionais. Toda atividade política, da maneira como está sendo exercida, é uma coisa muito antiga, vem de séculos sofrendo uma evolução muito lenta, no sentido mais profundo, psicológico. É um jogo que tem vícios certos. Acredito que uma maneira de se comportar e de agir diferentemente, na política, poderia ter efeitos muito intensos.

Em qualquer situação onde o ritual estabelecido já está se gastando, uma inovação ritualística consegue muito poder. Ou seja, se há uma feitiçaria que já não dá mais certo porque todos fazem de um jeito e você encontra outra maneira de fazê-la, é quase certo que terá grande sucesso no que pretende. Esta é mais ou menos uma lei geral, podendo ser aplicada a tudo, e não vejo porque não, também, na política. Pensei em tudo isso, logo após nos torturar e ver pela TV, toda a última sessão de nossa Câmara de Vereadores. Como é massante aquele ritual. Enfadonho de ver e assistir. Verdadeiro circo dos horrores. Na frente das câmeras, uma salamaleque nojento e por trás, a briga deve ser de foice. Um verdadeiro teatro. Triste a constatação de que são essas pessoas que decidem o destino de toda uma cidade. Se houvesse um, somente um, com disposição para agir diferente muita coisa poderia ser feita. Mas, eles não costumam sair do script. Encenar a mesma peça, sempre, é muito mais fácil, e cômodo. E tudo continua como dantes... Semana que vem tem teatro de novo. A peça é a mesma da semana, do mês, do ano, do século passado. Até quando vamos continuar assistindo a tudo isso passivamente? (Henrique Perazzi de Aquino - RG. 9.710.205)

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