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Setor de RH deve ser mais participativo

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 5 min

Sair de trás das mesas, abandonar a postura burocrática e acompanhar o trabalho dos funcionários onde quer que ele esteja sendo realizado, seja ao lado de uma máquina ou num escritório. O segredo do sucesso de uma empresa pode depender do seu Departamento de Recursos Humanos adotar essas atitudes. Essa mudança de postura não é novidade, mas muito poucas empresas a colocam em prática. As responsáveis pelo Departamento de Recursos Humanos da Tiliform - uma das maiores empresas do ramo de formulário e impressão digital do País - Patricia Batista Levorato e Luciana Fogassa, (respectivamente, supervisora e analista de desenvolvimento humano), desenvolvem, há quase três anos, um trabalho com essas características e explicaram em entrevista ao JC, como deve ser a postura do RH de uma empresa moderna.

Jornal da Cidade - Qual deve ser a função do RH dentro de uma empresa?Patricia Batista Levorato - O setor de RH deve estar mais voltado para os negócios da empresa no geral.Luciana Fogassa - Antes o RH era aquele departamento que só cuidava da folha de pagamento, admissão, demissões, benefícios. Hoje, o RH deve ter um papel de envolvimento em todas as áreas da empresa, participando de decisões na área de produção, de vendas, comercial, desenvolvendo as pessoas para a sua área. Aqui damos auxílio aos gestores das áreas para que ele gerencie o seu pessoal. Por exemplo, se algum funcionário precisa de melhoria para desempenhar a sua função, o RH vai estar traçando um plano de ação para que esse colaborador possa se desenvolver...Patricia - O que a gente desenvolve é o que se fala hoje sobre RH, que ele vai sair do papel burocrático, de só fazer seleção para atuar como uma consultoria interna. Esse é o caminho dos recursos humanos dentro de uma empresa.

JC - Vocês já desenvolvem um trabalho assim...Patricia - Sim. Se você acompanhar nosso trabalho aqui, vai ver que ficamos muito mais na produção do que na nossa sala. Trabalhamos junto de cada setor e não atrás de uma mesa. Visualizamos o trabalho da Tiliform. Hoje em dia, todo mundo fala de talentos, de gestão de recursos, mas, na prática, você constata que não existe um trabalho efetivo para isso. Fala-se muito mas o RH acaba sendo o setor que seleciona, admite, demite, tem aquele papel centralizador... O que a gente trabalha aqui não é um papel inverso a esse, mas um papel mais nobre para os recursos humanos. Atualmente a gente participa inteiramente nas decisões estratégicas da empresa. Se existe um novo programa, por exemplo, o RH está envolvido desde o princípio no seu desenvolvimento, para saber no que pode contribuir e como pode desenvolver as pessoas para atuar nesse programa. O inverso também acontece, se a produção tem um problema, o RH está lá, junto com o líder de produção estudando estratégias para solucionar o problema melhorando os seus índices. Hoje nós ajudamos a produção a atingir suas metas.Luciana - Com essa participação direta em todos os setores, o RH também visa buscar lucro para a empresa. Muitas vezes não se fala sobre isso como se fosse uma coisa proibida ou secundária, mas o lucro é importante para a empresa, é algo positivo sem o qual a empresa não faz nada, não cresce. Então, pensamos no aspecto de melhoria tanto para o empresário quanto para o colaborador também visando o crescimento da empresa e o lucro. O desenvolvimento humano e profissional caminha junto com a intenção da empresa de crescer e ter lucro.

JC - Desde quando vocês assumiram essa postura?Patricia - Desde o final 1998, quando lançamos um projeto chamado Desenvolvimentos de pessoas. Antes tínhamos feito o Desenvolvimento de lideranças, com a diretoria. Trabalhamos em cima de objetivos e desafios. A impressão é que estávamos trabalhando a pessoa, mas como se trata de uma organização, estávamos visualizando o todo e, por isso, hoje somos como um centro de negócios que coopera com a gestão empresarial. Trabalhamos a pessoa com enfoque na empresa e, por isso, todos ganham. É o velho chavão: ganha-ganha.

JC - De onde surgiu a idéia para se adotar esse trabalho?Patricia - Acho que a nossa formação como psicólogas ajudou, foi o que proporcionou essa virada. O segredo é juntar a formação humana, que visualiza onde a pessoa pode chegar com a estratégia da empresa. É sair da teoria.Luciana - É importante acreditar nas pessoas também, que elas estando bem informadas são capazes de opinar, se desenvolver, e crescer. Dar o espaço para as pessoas é muito importante. O ser humano busca sempre se realizar e uma forma de fazer isso é o trabalho. Então precisamos tornar isso possível.Patricia - Não existe uma receita mágica para mudar o RH e envolver o pessoal. Todas as empresas podem desenvolver isso. É claro que aqui tivemos um grande apoio da diretoria que acreditou no trabalho.

JC - E os funcionários?Patricia - A base do trabalho é a coerência e a transparência, é isso que tentamos fazer. Hoje todo mundo aqui pode acompanhar quanto nós temos de resultado operacional, quanto crescemos em desperdício, quanto estamos em relação ao nosso índice... Se todo mundo entende os números e participa do processo, eles podem contribuir e agregar valor à empresa e é ai que está o nosso ganho. Se todos contribuem e estão em busca de novos desafios, a empresa ganha e eles também, porque a empresa tem a chance de proporcionar momentos de promoção, momentos em que a pessoa pode buscar novas alternativas. Os nossos colaboradores têm respondido bem ao nosso trabalho, tanto que de um ano e meio para cá nós a gente lançou mais de cinco projetos, entre eles o 5 S e em cada um deles tivemos à frente uma pessoa, que despontou ou que se interessaram. Não tem aquela coisa do RH cuidar sozinho de tudo, os funcionários sempre têm os seus representantes. A partir do momento que eles estão envolvidos, eles trabalham ajudando.

JC - Vocês têm como mensurar os resultados da empresa depois dessa nova postura do RH?Patricia - Sim, hoje podemos fazer isso, podemos dizer o que o RH agrega para a empresa na produção e em outras áreas, porque estamos sempre presentes.

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