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Alta da Selic poderá aumentar a inflação

Paulo Toledo
| Tempo de leitura: 3 min

A decisão do Conselho de Política Monetária (Copom) de elevar a taxa básica de juros, a Selic, em 0,5%, de 15,25% ao ano para 15,75%, foi reflexo da crise na Argentina e dos indícios de recessão nos Estados Unidos e Japão, as duas maiores economias mundiais, analisam economistas. Porém, os efeitos da medida ainda não são claras. Há opiniões de que os reflexos serão quase nulos. Por outro lado, alguns arriscam que deve provocar um repique de inflação.

Para o delegado do Conselho Regional de Economia (Corecon), Reinaldo César Cafeo, se analisar a conjuntura, com os juros dos Estados Unidos caindo apenas 0,5%, enquanto o mercado esperava, pelo menos, 0,75%, somado à crise de liquidez do Japão o que mostra o enfraquecimento das duas maiores economias do mundo -, além do problema na Argentina e da balança comercial brasileira, pode-se dizer que há uma justificativa para a alta da Selic.

Porém, ele acredita que a atitude do Copom não foi feliz, pois não era o momento de fazer tal alteração. Cafeo lembra que, na semana passada, o ministro da Fazenda, Pedro Malan, disse publicamente que o País estava menos vulnerável, apesar do modelo adotado depender da poupança externa. E, agora, o governo teve que pagar o preço para que o dinheiro internacional permaneça no Brasil, afirmou.

O delegado do Corecon disse que existe um efeito psicológico na mudança, pois o percentual de 0,5% que aumentou não vai mudar muita coisa na taxa de juros interna, operada pelas instituições financeiras e pelas lojas. O que me preocupa é a questão psicológica. À medida que diz: estou bem, estou confiante, estamos menos vulneráveis, uma mudança como esta pode ser interpretada como um sinal de fraqueza. Isso pode ser visto pelo mercado como se alguma coisa esteja saindo do controle, o que pode deixá-lo nervoso, afirmou.

Para Cafeo, o Copom deveria, no máximo, ter anunciado um viés de alta, lançando uma explicação ao mercado e demonstrando que a economia brasileira é maior do que essa crise internacional. Para ele, a medida foi equivocada à medida que permite que cada um a avalie o quadro econômico como quiser. Isso pode provocar reações de altas de preços em alguns setores. O Copom perdeu a grande oportunidade de deixar as coisas como estavam, afirmou.

O economista e professor da Instituição Toledo de Ensino (ITE) José Roberto Serra acredita que o governo está preocupado em manter um alto volume de aplicações no mercado financeiro. Para ele, a atitude foi uma estratégia para desviar a atenção dos aplicadores do dólar para o mercado financeiro. Ele diz que a medida foi positiva.

Serra analisa que o aumento da Selic poderá ter reflexo num pequeno aumento da taxa de inflação, porque a captação de dinheiro fica mais cara. Porém, acredita que os reflexos virão a médio prazo.

O economista e chefe do Departamento de Economia da Faculdade de Ciências Econômicas da ITE, Wagner Ismanhoto, disse que a crise na Argentina e a recessão nos Estados Unidos influenciaram muito. Ele lembra que o Federal Reserve (Fed Banco Central norte-americano) baixou a taxa em 0,5%, terça-feira, enquanto o Brasil elevou em 0,5%, na quarta. Do ponto de vista econômico, afirma, é até meio contraditório, mas tecnicamente explicável.

De acordo com Ismanhoto, o resto do mundo passou a olhar para a economia brasileira com desconfiança, em razão da crise argentina. A elevação da taxa de juros é uma forma de incentivar a permanência o investimento externo na economia brasileira.

Ismanhoto diz que a queda de 0,5% da taxa norte-americana e o aumento de 0,5% na taxa brasileira faz com que se crie uma diferença de 1%. Isso pode incentivar aplicadores que estavam com dinheiro nos Estados Unidos, onde há uma perspectiva de recessão, a migrarem para o Brasil, onde há uma esperança de um bom desempenho. Ele observa, no entanto, que o Brasil está muito bem em termos de economia.

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