É raro o dia em que não recebo cartas ou e-mails de cidadãos de todo o Estado de São Paulo indignados com o número de praças de pedágios e com os preços das tarifas. Agora mesmo, no dia 15 de março, um morador de Indaiatuba me enviou uma mensagem protestando contra os R$ 7 que é obrigado a pagar para se locomover até Campinas, cidade vizinha à sua, e contra os R$ 18,80 que desembolsa para percorrer os 85 quilômetros que a separam da Capital.
A queixa é ampla, geral, irrestrita e justa. Pode parecer exagerada para quem usa as estradas estaduais eventualmente, apenas em viagens de passeio. Mas, para quem é obrigado a percorrê-las todos os dias, os valores gastos com o pagamento das tarifas pesa e pesa bastante no orçamento familiar. Não por acaso, de tempos em tempos, os jornais registram, aqui e acolá, os protestos da população. A questão que se coloca é a seguinte: é justo que os cidadãos que já arcam com uma elevada carga de impostos tenham também que pagar pedágios para se locomover de uma cidade a outra? Posta assim, de forma simplista, a pergunta dá margem a toda sorte de respostas. A tendência natural de quem utiliza as estradas com freqüência é responder não e fechar os ouvidos para quem venha a lhe apresentar argumentos contrários. É compreensível, até porque, sabemos, a parte mais sensível do corpo humano é o bolso. Para quem gosta de criticar o governo, qualquer que seja o governo, a pergunta é um prato cheio para xingamentos os mais diversos. E também há aqueles que não escondem um certo prazer em saber que os bacanas motorizados estão se ferrando.
Em princípio, sou favorável à cobrança de pedágios. Quem usa mais deve pagar mais. Não me parece justo que um sujeito que não têm carro e que raramente viaja de ônibus tenha que arcar, via pagamento de impostos, com o custo da ampliação e manutenção das estradas. Além disso, há de se reconhecer que a maioria das rodovias que foram privatizadas está em situação muito superior às que ainda se encontram nas mãos do governo. Em termos de segurança, não há termos de comparação entre o complexo rodoviário Anhanguera/Bandeirantes, por exemplo, e boa parte das estradas federais. Ali, não se paga pedágio, mas só um insano se dispõe a percorrê-las durante a noite, dada a total falta de segurança.
É preciso também reconhecer que, sem a concessão onerosa de rodovias à iniciativa privada, o Governo do Estado não teria condições de construir novos trechos (como, por exemplo, a extensão da Bandeirantes, o rodoanel ou a pista descendente da Imigrantes) nem de investir em outros setores igualmente importantes, como saúde, educação, segurança etc. Isso não significa dizer que os preços ora cobrados sejam justos, nem que a quantidade de praças de pedágio instaladas seja a mais adequada. É essa a discussão que, a meu ver, precisa ser feita. Afinal, como diz o dito popular, negócio só é bom quando é bom para todos.
(*) Nelo Rodolfo é jornalista e deputado federal pelo PMDB-SP - E-mail: nelorodolfo@uol.com.br)