Bauru já era para ter o seu Teatro Municipal há anos e não recentemente como, ainda, felizmente aconteceu. Se os administradores do passado tivessem tido visão, sensibilidade e valorizado o teatro, teriam aproveitado prédios dos cinemas que desapareceram e nossa cidade, certamente, teria não apenas um, mas dois ou mais teatros. A comunidade bauruense poderia ter sido beneficiada com espetáculos de excelentes companhias teatrais há mais de uma década. Com a entrada da tv e o declínio do cinema foram desaparecendo prédios como os do Cine Bauru, Teatro São Paulo, Fênix, Rex, São Rafael e Bela Vista, este último, a meu ver o mais indicado tendo em vista sua localização que era privilegiada e capacidade. Resistindo ao tempo ainda resta o prédio do Vila Rica. Enfim, a cidade de Bauru poderia ter tido, mas não teve e atualmente possui o seu Teatro Municipal que, entendo, não poderá ser o único pois, considerando-se o crescimento da cidade, em um futuro não muito distante, não atenderá à demanda dos admiradores e amantes do teatro e do povo em geral.
Fui algumas vezes ao Teatro e, por último, fiz coro à platéia que se deliciou com a satírica e hilariante Caixa 2, de Juca de Oliveira. Valeu a pena! Mas, enquanto aguardava a minha vez de sair pela única porta, a da entrada, pensei e constatei como já o fizera anteriormente, sobre a fragilidade da segurança do referido recinto. Não sou técnico em segurança, pois sou um educador, mas sou povo, espectador, e naquele momento pensei e raciocinei como tal. Entendo que o recinto deveria ter corredores laterais e saída de emergência para a avenida Nações Unidas. As fileiras de poltronas encostadas às paredes laterais, além de causarem um grande desconforto para os que estão sentados e devem se levantar para passagem dos demais, dificultam a saída que se torna lenta em sentido seqüencial. Na saída daquela inesquecível noite de domingo, pensei na fragilidade da segurança e no perigo que pode estar latente. E pensei ainda mais nos espetáculos infantis com aquele recinto repleto de crianças. Temos presenciado tantos acontecimentos trágicos como o do Estádio do Vasco de Gama, do auditório da apresentadora Xuxa, de muitas boates, salões e desabamento de tetos que, entendo ninguém poderá cometer a temeridade em afirmar e garantir que o recinto do teatro não oferece perigo em caso de algum acidente ou incidente havendo necessidade de saída urgente ou rápida. Acredito, ainda que ninguém poderá assumir a responsabilidade em garantir que nada ocorrerá e que estará tudo sob controle.
É preferível o sacrifício de 100 poltronas para os corredores laterais diminuindo a capacidade do teatro e a abertura de uma porta para a avenida Nações Unidas, do que, sem pretender ser trágico, a perda de vida humana. Felizmente, até hoje, em sua curta existência nada houve, o vento sempre assoprou a favor dos freqüentadores. No entanto, devemos ser cautelosos e precavidos. Antes que seja tarde. (Prof. Joaquim Eliseo Mendes - RG: 2.783.300)