Para ter direito a trabalhar na área externa do presídio, o preso precisa ter cumprido um terço da pena e ter bom comportamento
A Penitenciária I de Bauru, de onde anteontem um dos detentos evadiu-se em um carro ocupado por duas mulheres, tem cerca de 50 dos aproximadamente 800 presos trabalhando na área externa, em serviços de manutenção do presídio ou na fábrica de blocos de concretos. O diretor da PI, Wilson Erloza Júnior, explicou que o trabalho na área externa é um direito do preso, garantido pela Lei de Execução Penal, quando ele cumprir pelo menos um terço da pena a que está condenado e tiver bom comportamento carcerário.
Antonio Carlos da Silva, que evadiu-se no carro ocupado pelas duas mulheres, estava condenado a 18 anos por tráfico, formação de quadrilha e roubo. Mas, de acordo com Erloza Júnior, estava quase para sair, já tendo cumprido 17 anos e meio de prisão. O detento, que estava na PI desde outubro de 1999, quando veio transferido de Avaré, tinha bom comportamento: nunca participou de tentativas de fuga, motim ou brigas no presídio, de acordo com o diretor da PI.
Erloza Júnior ressaltou que Silva, portanto, se enquadrava nos critérios para fazer trabalho externo ao presídio. Na PII, que também abriga cerca de 800 presos, o número de detentos com direito a trabalhar na área externa seria quase o mesmo.
O diretor da PI frisou que os casos de evasão ocorrem, mas não são muito freqüentes até porque o preso está no final da sua pena, quando obtém o direito de trabalhar na área externa. No caso do detento que evadiu-se anteontem e até o início da noite de ontem não havia sido recapturado, o diretor da PI disse que foi informado que ele estaria preocupado com sua família, o que teria o levado à evadir-se. Um irmão dele teria morrido e uma filha estaria doente.
Apesar da lei que dá ao preso direito do trabalho externo quando já tiver cumprido um terço da pena e ter bom comportamento, o diretor da PI reconhece que é fácil evadir-se nesses casos. O detento pode aproveitar um descuido do agente penitenciário que faz a vigilância, mas não trabalha armado, para fugir. Erloza Júnior lembrou que em torno do presídio tem muito mato, o que facilita a evasão.
Os detentos com direito a trabalhar na área externa fazem a manutenção do presídio, trabalhando na horta, na pocilga e no pomar. Outros prestam serviços a empresas que montam unidades de produção dentro do presídio, como a construção de blocos pré-moldados de concretos. Esses detentos são, inclusive, remunerados. Já os que trabalham para a PI não recebem gratificação.