Alimentação servida no DAE custa R$ 1,91 para a Administração, que vai pagar R$ 3,60 para empresa
A Prefeitura Municipal vai pagar para a iniciativa privada R$ 3,60 por refeição diária aos servidores municipais. São cerca de 1,3 mil refeições ao dia, que vão custar R$ 4,5 mil, somando mais de R$ 100 mil por mês. Enquanto isso, o Departamento de Água e Esgoto (DAE) informou que o custo unitário por refeição é de R$ 1,91. Na autarquia, o cardápio inclui o desjejum (café da manhã) e sobremesa. A diferença entre o refeitório próprio (do DAE) e o terceirizado pela Prefeitura é de 88,48%.
Segundo um técnico do DAE, o custo da refeição inclui despesas com salários e encargos da equipe da cozinha-piloto, a manutenção do local e a compra dos alimentos. Entre os servidores da autarquia e mesmo da Prefeitura, a qualidade da refeição é reconhecidamente boa. Nesta semana, o Sindicato dos Servidores Municipais (Sinserm) alertou que o exemplo do DAE deveria ser usado como parâmetro pela Prefeitura. A entidade condenou a possibilidade de utilização da precariedade do refeitório municipal, no Caic, como justificativa para a terceirização.
Na Câmara Municipal, muitos vereadores ficaram surpresos com a velocidade da contratação de uma empresa da iniciativa privada, o que chamou a atenção também do deputado Pedro Tobias. Um parlamentar da base governista disse reservadamente que o prefeito não demonstrou a mesma agilidade na recuperação dos estragos causados pela chuva, mesmo com um decreto de calamidade pública. Por outro lado, a conhecida situação precária do refeitório teve uma ação imediata, ironizou.
Na reunião com 15 vereadores na Câmara Municipal, o secretário de Administração, Flávio Uchoa, afirmou que o refeitório não poderia ser mais utilizado e deveria ser interditado imediatamente. Por outro lado, alguns parlamentares reclamam que a Administração não falou em terceirizar, mas mencionou estudos nesse sentido. Os vereadores também vão contestar, afirmando que a Prefeitura citou que estava analisando a viabilidade de investimento na cozinha
Situação era conhecida
De qualquer forma, a solução encontrada pelo Poder Público pelos próximos seis meses custará para os cofres municipais 88,48% a mais que as refeições balanceadas servidas aos servidores do DAE. A empresa Nutriplus Alimentação e Tecnologia Ltda vai servir refeições diárias para a Prefeitura ao valor de R$ 3,60. Foi feita dispensa de licitação sob a argumentação de emergência. Sobre este ponto, o Sindicato dos Servidores tem documentos que comprovam que a Prefeitura Municipal já sabia dos problemas no refeitório há mais de dois anos. O Sinserm reforçou, nesta semana, que o assunto já tinha sido mencionado através de laudo há mais de um ano. O tema também fez parte da pauta de reivindicações da categoria no ano passado, o que está sendo repetido neste ano.
Por outro lado, já existe um levantamento feito com uma das empresas que participou da cotação de preços feita pela Prefeitura. A mesma empresa, que não ofertou o melhor preço para a Administração na cotação, serve refeições a um empresário local a R$ 2,10. Um empresário que participou da cotação reclamou que ocorreram modificações na exigências durante a solicitação. Outras empresas da cidade contam com preços bastante inferiores quando é feita a comparação entre o custo da refeição em cozinha própria e a terceirizada. Uma delas, do ramo industrial, acaba de voltar a servir suas refeições diretamente, em função de ter observado queda na qualidade com a comida terceirizada e aumento do custo.
Conforme dados apresentados pelo secretário de Administração, Flávio Uchoa, em recente reunião na Câmara Municipal, o Município serve cerca de 1.250 refeições por dia. A Prefeitura Municipal levantou que o valor unitário das refeições era de cerca de R$ 1,86, sendo que os servidores pagam R$ 11,00 mensais pelo benefício. No DAE, onde a refeição custa R$ 1,91, o servidor recolhe o valor simbólico de R$ 1,00 por mês.