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Vandalismo ameaça praia de Arealva

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 4 min

Moradores questionam taxa de estacionamento, cobrada desde 97, mas Prefeitura garante que dinheiro é revertido em benfeitorias

Arealva - Um dos principais pontos de atração de Arealva, a Prainha tem sido vítima constante de vandalismo. A reclamação é unânime não só entre usuários, moradores e comerciantes da região, como da própria Prefeitura. Os estragos vão desde a sujeira no local até o furto de válvulas de descarga, entupimento nos banheiros e quebra de lâmpadas.

A iluminação está bastante precária, só essa lâmpada aqui, tem dois meses que estamos pedindo a Prefeitura trocar. Várias barracas já foram assaltadas e o movimento também, depois do Carnaval, está bem fraco, lamentou o comerciante Herodion Marques de Oliveira, 55 anos.

Moradores da Vila São Pedro também reclamaram à reportagem pela falta de segurança na praia. Não tem salva-vidas, um monte de gente já morreu afogada aqui. E tem muita briga, já saiu até facada esses tempos e a polícia demora muito para chegar. Outro dia, o pessoal da cidade quebrou todos os vidros do carro de uns visitantes, bateu, machucou os rapazes e eles foram embora sem nem condições de dirigir, contou a doméstica Elizângela Lopes, 18 anos.

Eles cobram para entrar aqui. Ônibus paga R$ 40,00, carro paga R$ 5,00 e não tem nada aqui. A Prefeitura prometeu que a taxa era para arrumar a praia, fazer calçamento, dar conforto para as famílias, mas o povo nem está vindo mais, acho que por causa da sujeira, falta de segurança. Você vem para se divertir, paga para entrar e, na hora de ir embora, seu carro está arrombado, reclamou autônomo Clodoaldo de Oliveira Santos, 29 anos.

O prefeito municipal, Elson Banuth Barreto (PSDB) confirmou as reclamações, mas atribuiu os problemas aos constantes danos ao bem público: Nós fizemos os melhoramentos, mas você arruma e eles destróem, roubam, quebram. Fizemos uma reforma completa nos banheiros e freqüentemente temos que fazer manutenção das válvulas de descarga, porque eles roubam. Jogam camisetas e bonés para entupir os vasos, picham, quebram portas. É a violência - um problema que está em todos os lugares.

Segundo o Barreto, uma das principais benfeitorias que a Prefeitura promoveu na praia foi a troca da areia vermelha por areia branca, retirada do leito do rio. Cerca de 300 caminhões de areia foram despejados no local. O abastecimento de água também era um problema. Nos perfuramos um poço artesiano que produz 12 mil litros por hora e fizemos um reservatório. O que falta é a conscientização dos usuários, observou o prefeito.

Segurança

De acordo com Barreto, além do apoio da Polícia Militar, a Prefeitura costuma contratar seguranças particulares para monitorar a praia, principalmente nos finais de semana e períodos de pico. Mas a violência é um problema muito sério. Nós já proibimos a comercialização de bebidas em garrafas, proibimos a entrada de usuários com espetos, obviamente para prevenir brigas. Mas a Polícia também tem suas limitações - existe uma deficiência de contingente. Nós até solicitamos reforço junto à Secretaria de Segurança, ao Comando de Bauru, mas eles atendem na medida do possível também, comentou.

Indagado sobre a falta de salva-vidas no local, o prefeito confirmou o problema. Ele disse ter solicitado apoio ao Corpo de Bombeiros de Bauru, mas não foi atendido em função da sobrecarga do efetivo bauruense. Estamos contactando um grupo especializado, porque, para esse serviço, têm que ser pessoas capacitadas. Além disso, colocamos uma rede de proteção delimitando a área da praia. Não adianta, os usuários freqüentemente a danificam, cortam os cabos, chegamos a receber 5 mil pessoas aos finais de semana, afirmou.

Sobre a taxa de estacionamento, Barreto explicou que 90% das pessoas que freqüentam a Prainha vêm de fora. Nós não recebemos verba federal ou estadual para essa manutenção. Esse pessoal vem e, quando vai embora, deixa um volume enorme de lixo. Não é justo a comunidade de Arealva arcar com essa manutenção sozinha. É uma questão de bom senso, observou.

O prefeito defende que é preciso fazer um trabalho de conscientização dos usuários. Afinal, é muito triste para nós estarmos usando o dinheiro público em consertos e reformas, quando poderíamos estar ampliando os benefícios da área de lazer, concluiu.

Reciclagem de lixo

De acordo com o prefeito municipal de Arealva, Elson Banuth Barreto (PSDB), a cidade foi uma das pioneiras na implantação da reciclagem de lixo, em 1995.

Recentemente, foi adquirido um caminhão adequado para a coleta dos resíduos e houve uma restruturação completa do sistema.

Hoje, o lixo cai uma esteira mecânica e os funcionários fazem a seleção. O material orgânico é usado para fazer compostagem e é doada para a zona rural como adubo. O material reciclável é prensado e vendido. O importante nesse processo é que nós estimulamos nossos 16 funcionários com uma participação de 20% nos lucros, que representa uma boa cesta básica para cada trabalhador, comemorou o prefeito.

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