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Enfermeiras querem mais reconhecimento

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 4 min

Sem elas os hospitais não andam, afirma a presidente do Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo, Ruth Leifert, no Guia do Estudante, sobre as enfermeiras. Apesar disso, nem sempre o trabalho dessas profissionais é reconhecido como deveria. Na prática, são elas quem dão continuidade ao trabalho dos médicos. O médico prescreve, mas quem cuida do paciente somos nós, declara Leifert. Mas, muitas vezes, as enfermeiras não levam parte do crédito pelo restabelecimento de algum paciente. Nós lidamos com vidas, nos dedicamos com todo carinho e, na maioria das vezes, nem recebemos um obrigado, reclama a enfermeira Valdete*.

De acordo com a enfermeira, que preferiu não se identificar, chega a ser revoltante não ter os seus esforços reconhecidos no tratamento com os pacientes. Só os médicos são agradecidos, quase ninguém reconhece a nossa responsabilidade, diz. Para ela, a questão não é desvalorizar o trabalho dos profissionais da medicina, cujo valor é inegável, mas, sim, ressaltar o quanto as enfermeiras também são importantes. Embora nunca tenha acontecido comigo, acredito que, no geral, exista uma falta de reconhecimento da profissão, declara a enfermeira da U.T.I. do hospital da Beneficência Portuguesa Maria Beatriz Colnago, formada há quatro anos. Sua colega de trabalho, Vanessa Ferreira, concorda. Ela conta que quando fazia estágio, antes de trabalhar do emprego atual, passou por situações nas quais não tinha o seu desempenho reconhecido, era como se eu não estivesse ali para nada, revela.

As enfermeiras não sabem explicar porque a profissão, muitas vezes, não tem o reconhecimento que merece. Vanessa arrisca uma possibilidade quando lembra que existem algumas profissionais que têm vergonha da própria atividade e não dizem o que fazem quando são questionadas. Mas não sei porque elas fazem isso. Eu acho que quando você escolhe uma profissão deve vestir a camisa mesmo. Adoro ser enfermeira.

Outro fato que têm incomodado as enfermeiras é constante associação das profissionais com possíveis fantasias sexuais. A criação da personagem Enfermeira do Funk, popular nos bailes funks do Rio de Janeiro, só veio a despertar mais a raiva na categoria. É coisa mais comum hoje em dia encontrar aquelas roupas sexies de empregada doméstica, professora e enfermeira para serem usadas como fantasia na hora do sexo, diz a enfermeira Ana Lúcia Soares, que trabalha numa clínica particular. Isso associa a nossa imagem ao sexo e afasta ainda mais o reconhecimento da nossa profissão, completa. Valdete* é mais incisiva: As pessoas acabam com a nossa imagem nos tratando como se fossemos prostitutas, dispara. Vanessa Ferreira conta que nunca lhe faltaram com respeito, mas acredita que a associação da enfermagem com o sexo realmente denigre a imagem da profissional da área e, por isso, deveria ser combatida.

Esse tipo de problema não atinge a porção masculina do mundo da enfermagem, que é muito menor do que a porção feminina. A imagem da mulher é mais visada, nós não somos muito lembrados nesse ponto, revela o enfermeiro Luis Carlos Santos. Mas a falta de reconhecimento também é sentida pelos homens. Algumas pessoas nos tratam com certo descaso, como se não soubéssemos o que estamos fazendo, diz Antonio Carlos Figueiredo, na profissão há seis anos.

Possibilidades

A função da enfermagem não se limita a lidar com pessoas doentes. Os profissionais da área são muito eficientes em prevenção, orientando a comunidade sobre cuidados com a higiene e a vacinação, por exemplo. Por conta dessas possibilidades, existem muitas atividades que a (o) enfermeira (o) podem desempenhar, como: Atendimento domiciliar - Prestar serviços de enfermagem na residência do cliente, que pode ser um doente crônico.

Enfermagem geral - Atuar em hospitais ou clínicas, comandando a equipe de técnicos e auxiliares, atendendo pacientes e ajudando na área administrativa.

Enfermagem geriátrica - Cuidar de idosos, doentes ou não.

Enfermagem médico-cirúrgica - Prestar assistência ao paciente e ao médico antes, durante e depois da operação.

Enfermagem obstétrica - Assistir gestantes, parturientes e lactantes. Auxiliar durante o parto e exames pré-natais, e executar programas de planejamento familiar.

Enfermagem pediátrica - Tratar de crianças e recém-nascidos.

Enfermagem psiquiátrica - Auxiliar pacientes com distúrbios psicológicos.

Enfermagem de resgate - Participar de equipes de salvamento.

Enfermagem do trabalho - Atuar na prevenção e na manutenção da saúde do trabalhador e acompanhar nas empresas.

Ensino - Dar aulas auxiliares e técnicos de enfermagem ou, com a licenciatura, em cursos de graduação.

Saúde pública - Orientar comunidades sobre hábitos de higiene, atender pacientes em postos de saúde ou hospitais públicos.

Existe muito campo na área da enfermagem, principalmente fora de Bauru, declara Vanessa Ferreira. Atualmente o filé da profissão é o atendimento domiciliar, que, há alguns anos, é adotado no exterior e está em pleno desenvolvimento no Brasil. Segundo Conceição Resende, que dirige a CAEMH, empresa de serviços de enfermagem na cidade de Campinas, no Guia do Estudante, em certos casos, o profissional até pode montar uma uma miniunidade de terapia intensiva (U.T.I.) na casa do doente para diminuir o risco de infecção hospitalar e o paciente se recupera mais rápido. O piso atual da profissão, em Bauru, é de R$ 780,00 para um turno de seis horas.

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