O setor de consórcio projeta um crescimento de 6,38%, em 2001, atingindo 3 milhões de cliente ativos contra 2,82 milhões em 2000. Consuelo Paiva Martins Amorim, nova presidente da Associação Brasileira das Administradoras de Consórcio (Abac) acredita que, apesar do momento econômico, a perspectiva é favorável para o setor que, no ano passado, movimentou R$ 10 bilhões, o que significou 1% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.
Consuelo Amorim disse que, por mais que possa parecer estranho, o setor de consórcio, ao contrario do que as pessoas pensam, não tem queda de vendas quando os juros no mercado financeiro são reduzidos. De acordo com ela, em outros momentos em que os juros estiveram baixos, as vendas continuaram ótimas, nos diversos segmentos que as empresas de consórcio atuavam.
Por uma série de fatores conjunturais, como a estabilidade da moeda, diz a presidente, a evolução do setor continuou, fazendo com que se atingisse, no ano passado, 2,41 milhões de cotas de veículos, 1,25 milhão de cotas de motos, por exemplo, que são considerados ótimos resultados.
Para ela, pelos números dos primeiros meses de 2001, a meta de crescimento de clientes deve ser consolidada. Para se ter uma idéia, em janeiro de 2000, entraram 1.203 consorciados em veículos pesados, contra 1.789 deste ano, numa variação de 48,7%. Em veículos automotores, considerando apenas os leves, pesados, novos, usados e importados, ficou registrado um crescimento de 34,6% de novas cotas vendidas. A participação do Sistema sobre as vendas internas de automóveis, utilitários e camionetas continuou estável, com 19,7%, ligeiramente superior aos 17,4% de dezembro passado.
O setor de motocicletas e motonetas, o maior em número de participantes em consórcios, 1,25 milhão, também teve uma das maiores altas em novas vendas, em janeiro, com 39,5%, comercializando 60 mil nos 30 primeiros dias do ano, enquanto em janeiro de 2000 foram 43 mil.
Consuelo Amorim, que, também, é administradora da Conprof Administradora de Consórcios, disse que a Abac está na expectativa de ampliar a área dos consórcios, de forma que as empresas do setor possam atuar de uma maneira mais representativa nos segmentos de serviços. Hoje em dia, temos autorização para trabalhar com pacotes de serviços turísticos. Estamos ansiosos para aprovação de outros tipos de pacotes, como os médicos e educacionais, afirmou.
Entre os pacotes médicos estariam as cirurgias plásticas. Para ela, o evidente crescimento da área de serviços anima os empresários do setor, que acreditam que o consórcio é uma boa forma para aquisição desse tipo de serviços. A expectativa é de que o Banco Central possa autorizar, em breve, essa ampliação de atuação.
A presidente da Abac lembra que 60% das motos vendidas no País saem pelo sistema de consórcio. Outro segmento destacado é o de imóveis, que cresceu 150% em cinco anos.
Consuelo Amorim disse que a entidade está discutindo caminhos para aumentar as possibilidades de evitar problemas em relação à entrega de bens. Segundo ela, houve casos de empresas que quebraram ao longo do tempo. Mas, atualmente, o Banco Central vem trabalhando ao lado das administradoras, gerando mais segurança aos consorciados. Isso não significa que não vão existir administradoras que possam apresentar problemas, destacou, lembrando que, por exemplo, o caso do Consórcio M, do Mappin e da Mesbla, no qual achou-se uma solução, com o Consórcio Rossi assumindo os grupos, com o objetivo de evitar prejuízos para os clientes.
De acordo com ela, é possível transferir cliente de uma administradora para outra, de modo a evitar perdas para os consorciados. Porém, continuam sendo discutidos seguros garantidores, que ainda não são consenso.
Setor obteve recordes em 2000
O ano de 2000, segundo Consuelo Amorim, caracterizou-se por recordes de vendas e por mudanças no comportamento do consumidor, em especial no setor de motocicletas. De acordo com ela, o resultado geral dos consórcios mostrou um crescimento de 5,62% em participantes ativos, em relação a 1999, subindo de 2,67 milhões para 2,82 milhões.
O setor de veículos automotores continuou sendo o de maior presença, com 2,41 milhões, 2,55% a mais do que no ano anterior, quando chegou aos 2,35 milhões. O destaque foi o setor de motocicletas, que chegou a 1,25 milhão de consorciados, superando o de veículos leves, pesados, importados, novos e usados, que atingiu 1,16 milhão de participantes. Em 1999, a situação era inversa com 1,3 milhão em veículos e 1,05 milhão em motos.
Imóveis tiveram crescimento de 150% em cinco anos
Os consórcios de imóveis registraram uma evolução de 150% de 1995 para 2000. Há cinco anos, eram 30,4 mil consorciados e, atualmente, são 76,2 mil. Só entre 1999 e 2000 o crescimento foi de 22,7%. Em 99, havia 62,1 mil consorciados.
Apesar de pequeno, já que este setor tomou impulso somente nos últimos cinco anos, o consórcio de imóveis é bastante representativo, pois o valor médio dos bens é de aproximadamente R$ 45 mil, equivalente a três carros populares. O crédito de R$ 30 mil é o mais solicitado, seguido pelos de R$ 35 mil e de R$ 50 mil, com grupos de até 180 meses.
Em razão do consórcio de imóveis possibilitar a aquisição de casa, apartamento, instalações comerciais, novas ou usadas, terrenos, reformas e construção, segundo a Abac, observou-se a presença de pessoas jurídicas entre os clientes.
Por outro lado, o mercado de eletroeletrônicos, que apresentou queda entre 98 e 99, quando houve um decréscimo de 39%, mostrou uma recuperação significativa chegando a 2000 com 335,9 mil participantes ativos. Novamente, a explicação está no próprio crescimento do setor, aliado às pesquisas dos consumidores, que buscam produtos modernos e atuais com custos menores.
Consuelo Amorim destaca que, entre os diversos setores que formam o segmento de consórcios, observa-se uma presença muito grande de clientes que voltam a comprar seus bens pelo sistema. Num levantamento recente, foi apontado que mais de 50% de ex-consorciados retornam para adquirir o mesmo bem ou outros, assinalando a importância do planejamento.
Com o Banco Central do Brasil informando o total de cotas vendidas, mês a mês, a partir do mês de maio de 99, o sistema de consórcios pode ser analisado um pouco mais profundamente, explica a presidente da Abac, que atualmente reúne cerca 240 administradoras de consórcio em todo o País.