Mesmo depois de decidir não assinar o contrato com a Nutriplus Alimentação & Tecnologia para o fornecimento, sem licitação, de refeição aos servidores, em função de pressão da opinião pública e dos vereadores, o prefeito municipal, Nilson Costa (PPS), tenta ainda justificar a medida. Um levantamento foi enviado ao JC, no final de semana, pelo chefe de Gabinete, Antonio Sérgio Marsola, feito posteriormente ao caso marmitex pelo Departamento de Água e Esgoto (DAE) em relação ao custo da refeição.
Na simulação exigida pelo Executivo, o assessor do DAE, Said Yusuf Abu Lawi, informa que o custo final para um marmitex em uma empresa privada seria de R$ 3,00, mas com ressalvas. O economista confirma que o custo de uma refeição produzida pela cozinha do Departamento de Água e Esgoto é de R$ 1,91, inclusos os alimentos, embalagem, mão-de-obra, inclusive especializada e aparatos como guardanapos e talheres descartáveis. O custo iria para R$ 2,07 com a inclusão de suco e sobremesa.
Na simulação, a assessoria de Gabinete do DAE levantou os custos de uma refeição tipo prato feito/marmitex, cujo cardápio teria arroz, feijão, bife, verdura, salada, sobremesa e um copo de suco. Desta forma, o JC informou à opinião pública que o preço a ser praticado pela Prefeitura era 88,48% maior que a refeição servida no DAE.
A simulação feita pelo DAE inclui todas as despesas com alimentação na Prefeitura, inclusive aluguel/depreciação, impostos, lucro líquido e transporte. Com isso, a autarquia demonstrou que, segundo seus parâmetros, uma empresa da iniciativa privada teria condições de oferecer refeição por R$ 3,00, já incluído o lucro.
O economista do DAE, Said Yusuf, ressalta, entretanto, que se o fornecimento for para um expressivo número de unidades, tal preço pode oscilar para baixo. O DAE fornece cerca de 500 refeições em sua cozinha industrial. A Prefeitura fez cotação, sem licitação, para a entrega de 1.000 a 1.500 refeições.
A simulação é uma clara tentativa de mostrar que o DAE, um órgão público, só poderia oferecer refeições à Administração municipal por um preço próximo ao da Nutriplus, o que não aconteceu. A simulação comprova não só que a Administração vai economizar recursos públicos com a não assinatura do contrato com a Nutriplus, como também não se preocupou em ter controle nem ciência de seus próprios custos.
Com cozinha própria, o governo poderá ter o preço da unidade produzida no DAE como referência (R$ 1,91), adicionando apenas o custo do transporte (R$ 0,16). O questionamento em relação à terceirização deixou claro que haveria gasto muito menor com a instalação de uma cozinha própria pela Administração, cujo projeto já estava em andamento. Outro ponto do tema é a dispensa de licitação. O Sindicato dos Servidores havia alertado, dois dias antes, que temia o uso da divulgação da precariedade da instalação da cozinha do Caic como justificativa para a transferência da alimentação do servidor para a iniciativa privada.
A entidade informou que o tema já era de conhecimento da Prefeitura há mais de dois anos. Relatório da Vigilância Sanitária e vistoria do Corpo de Bombeiros demonstravam que a Administração municipal não parecia ter dado importância à emergência, anteriormente. De forma muito apressada, a administração dispensou a licitação no início de março.