A diretoria da Rede Ferroviária Federal S/A (RFFSA) ofereceu o prédio da empresa, localizado na praça Machado de Melo, ao Sindicato de Trabalhadores em Empresas Ferroviárias de Bauru, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, para garantir o pagamento de uma ação trabalhista de 1988. Segundo o diretor do sindicato, RoqueJosé Ferreira, a dívida da RFFSA para com os 1.412 empregados gira em torno de R$ 3,8 milhões. Hoje, a diretoria sindical se reunirá com o prefeito Nilson Costa (PPS) para saber se a administração municipal teria interesse no prédio.
De acordo com Ferreira, a ação já foi julgada em todas as instâncias e não existiriam mais recursos a serem acionados. Agora, para transformar o prédio em vantagens reais para os trabalhadores da Rede, a diretoria está discutindo e negociando uma série de possibilidades. Uma delas é a de receber o imóvel da Rede - que inclui todo o complexo, inclusive o museu ferroviário -, e oferecê-lo para ser a nova sede da Prefeitura Municipal de Bauru. Para discutir a viabilidade disso, a diretoria do sindicato se reunirá, hoje à tarde, com o prefeito Nilson Costa. Vamos expor essa idéia ao prefeito e discutir se realmente existe o interesse, por parte da administração, de instalar a sede do governo municipal nesse prédio. A nossa preferência é de que o imóvel ficasse de posse do poder público, diz Ferreira.
Outra possibilidade é a de que os ferroviários que residem em imóveis da RFFSA possam se tornar proprietários dos mesmos. Existem ferroviários que atualmente estão ocupando imóveis pertencentes à Rede. Uma das opções que estamos analisando e negociando é de que, os que se interessarem em continuar morando nesses locais, possam fazer a compra dos imóveis utilizando os passivos trabalhistas que têm a receber e que já foram julgados, diz Ferreira.
Além dessas duas opções, o sindicato também estuda, ainda, saber do presidente da Subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/Bauru), Edson Reis, se o Estado teria interesse de utilizar o prédio para instalar a cidade judiciária. O sindicato está buscando discutir essas várias alternativas porque, se acharmos viável, sob o ponto de vista de negócios, receber o prédio e já repassá-lo a um terceiro interessado e isso se refletir em moeda corrente para os trabalhadores, essa pode ser a melhor saída e não haverá problema nenhum para nós em receber o prédio como pagamento dessa dívida da RFFSA, observa Ferreira.
Assembléia
De acordo com Roque Ferreira, o sindicato também realizará hoje, às 15 horas, uma assembléia geral para discutir a pauta de reivindicações que será apresentada à diretoria da RFFSA para que se inciem as discussões sobre o acordo coletivo para o período de 2001/2002. Em Bauru, ainda existem 20 funcionários da rede, segundo Ferreira.
Além disso, também será discutido o dissídio coletivo da campanha de 2000, que ainda está sendo julgado no Tribunal Superior do Trabalho (TST). Segundo Ferreira, o sindicato quer que os 110 mil aposentados e pensionistas da rede, em todo o Brasil, sejam beneficiados pela lei da complementação de salário. Em Bauru, existem 3 mil pessoas nessas condições, segundo o diretor do sindicato.
Na assembléia, o sindicato também dará todas as informações referentes aos passivos trabalhistas que os aposentados e pensionistas da rede têm para receber e sobre o processo de enquadramento na Agência Nacional de Transportes.