Na última sessão da Câmara Municipal de Bauru, na segunda-feira, o vereador Faria Neto levantou aqui a questão que vem sendo martelada pelo Governo Federal nos últimos dias: o problema da energia elétrica, que está se tornando escassa. Em diversos artigos publicados nesta folha, há vários anos, manifestei as mesmas preocupações do nobre edil. Já naquela época (há mais de cinco anos), fazia sugestões mais ou menos semelhantes e lamentava o descaso e a inércia no setor energético alternativo. Portanto (nem poderia ser diferente), além das coincidências, só vejo boas intenções nas nossas proposituras, também feitas por outros. Mas e com relação ao Governo Federal, será que a linha de raciocínio, a filosofia também são as mesmas?
Para que o leitor possa compreender melhor tudo o que existe entre as boas intenções, a idéia de economia para a Nação e o que acaba acontecendo, lá no final da linha, tomemos como exemplo o Proálcool. Poucos países do mundo tinham ou têm condições de levar adiante um programa como esse, mas nenhum deles como o Brasil. Foi colocado em grande parte sob supervisão da Petrobras e a empresa gigantesca chegou mesmo a vê-lo como um programa concorrente. Enfim, como a cabra estava tomando conta da horta, quase liquidou com tudo. Todos estamos lembrados que recentemente foi necessária uma sacudida da parte de alguns figurões defensores do álcool combustível para que o programa fosse reativado. As fábricas já haviam até desistido de produzir veículos a álcool. Uma situação paradoxal, pois o Brasil chegou a exportar tecnologia dos motores desses carros.
Assim, a conclusão a que se chega (apesar do álcool produzido para combustível representar uma redução na produção de açúcar) é que não é a economia de combustível, neste caso, nem a situação do País que estão acima de tudo. Mas, sim, disputas pelo faturamento, brigas por cargos, espaços e poderes institucionais na área energética.
Há vários anos, fiz reportagem com um senhor já muito idoso, de Bauru, que inventou um motor em cujo compartimento anexo despejava e incinerava pequena porção de caroços de mamona. O gás desprendido do rícino fazia o motor funcionar por longo tempo. Tudo à semelhança do gasogênio, durante a Segunda Guerra Mundial.
A mamona é uma planta que nasce em qualquer lugar e temos áreas imensas para produzi-la. Aliás, depois que as sementes se espalham, fica até difícil eliminá-la. Pois bem, o inventor tentou levar a idéia à Petrobras, que poderia unir-se a ele, levar o motor para que uma universidade, uma grande indústria o aperfeiçoasse. Pois, sim, nunca o receberam lá, sequer responderam uma carta! Mas vamos retornar à eletricidade: não sei se a dor de cabeça ainda é a mesma, mas, anos atrás, quando um fazendeiro tinha uma boa queda dágua, uma cachoeira e queria ter sua própria hidrelétrica, precisava ir de joelhos pelas escadarias da burocracia até obter uma autorização. Que não era total, pois ficava sujeito a taxas e supervisão da companhia de luz.
Hoje, temos no mundo os recursos das hidrelétricas, da energia nuclear, do carvão mineral, do óleo diesel, da energia dos ventos, do bagaço de cana, palha de arroz etc. Até fezes humanas e de animais cumprem esse papel. Temos também a energia das marés. Quando a água sobe, é captada; depois, o seu peso é energia. Mas a energia solar parece a mais limpa, acessível, descomplicada. A cada dia que passa, mais e mais pessoas aderem a ela. Núcleos habitacionais inteiros poderiam zerar seu consumo da eletricidade tradicional. Mas isto tudo, por motivos óbvios, não é de total interesse de nossas autoridades lá de cima. Na medida em que as moedas deixam de tilintar nos caixas do Governo Federal e das empresas de energia, providências estranhas são adotadas. Que podem vir sob a forma de impostos ou outras taxas. Quem viver, verá, ou como diria o querido colunista: anote para conferir depois...