Marido e mulher foram encontrados mortos na casa em que moravam. Tudo indica que houve homicídio seguido de suicídio
Uma carta de três laudas contendo um verdadeiro testamento foi deixada ontem na casa 1-58 da rua Conde Francisco Matarazzo, na Vila Antartica, em Bauru, onde ocorreu uma tragédia, provavelmente um homicídio seguido de suicídio. O segurança Francisco Virgolino da Silva, 51 anos, foi encontrado morto com um tiro no peito e sua amásia Madalena Rosa de Oliveira morta com um tiro na cabeça. Tudo indica que Silva matou a mulher e depois tirou a sua própria vida. Mas a história também pode ser inversa, uma vez que só a perícia da Polícia Técnica vai definir quem atirou em quem.
Como nos filmes e nas novelas, o segurança teria premeditado a morte do casal, já que a carta encontrada na casa teria sido escrita por ele. Na carta, Silva revela que havia falado com a mulher sobre a sua intenção de morrer e que ela teria pedido para ir embora com ele. O suposto pacto selado entre eles se concretizou ontem, por volta das 6h, quando ambos morreram.
Antes dos fatos, segundo a polícia, o segurança ligou e acordou o seu filho, que morava em outra residência, para ir trabalhar, como fazia todos os dias. Pouco antes das 6 horas, Silva fez outra ligação, desta vez para um colega de trabalho, cujo primeiro nome é Chico. Ele pediu ao amigo que fosse até a sua casa, mas não explicou os motivos. Minutos depois, os vizinhos ouviram estampido de tiros. Chico esteve na casa, porém não foi atendido. Procurou o filho do casal e, juntos, retornaram ao local. Ao entrarem na residência, depararam-se com os corpos banhados em sangue, na entrada e no quarto do casal. Silva e Madalena viviam juntos há cerca de dois anos.
Na carta deixada, Francisco Virgolino da Silva disse onde gostaria de ser enterrado, falou onde havia deixado dinheiro, mas não explicou os motivos do suposto pacto de morte do casal. Na carta, ele pede para o amigo Chico cuidar de seu filho, disse que gostaria de ser enterrado no Cemitério do Jardim Redentor, ao lado de uma pessoa querida, cujo nome não foi possível decifrar em função da caligrafia. O segurança deixou uma apólice de seguro no valor de R$ 5 mil que, provavelmente, não poderá ser resgatada, uma vez que a morte não ocorreu por acidente. Indicou aos parentes onde havia dinheiro para fazer o enterro.
As roupas dele e de sua amásia foram designadas para outro amigo. Na mesma página da carta ele deixou alguns números de telefones de amigos para serem avisados sobre sua morte.
Polícia irá investigar
Apesar de parecer evidente que ocorreu um homicídio seguido de suicídio, a morte do casal será investigada para dirimir dúvidas. A polícia quer saber quem foi o autor do homicídio, que tanto pode ser o segurança ou sua amásia.
Os corpos foram encaminhados ao Instituto Médico Legal (IML) para definir a causa da morte e para o exame residuográfico, que revelará quem atirou em quem.
A arma usada na tragédia foi um revólver calibre 32 Smith & Wesson. De acordo com a polícia, a arma continha cinco projéteis picotados, sendo que dois deles não detonaram.