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Intelecto inibe atividade cerebral

Fabiana Teófilo
| Tempo de leitura: 5 min

O cérebro funciona por negação e quanto mais necessitamos da ação intelectiva, mais inibimos a atividade cerebral

O cérebro trabalha por negação de sua própria atividade. Em outras palavras, quando pensamos ou sentimos o afloramento de uma idéia, isto significa que alguma parte de nosso cérebro parou de funcionar em termos bioelétricos. De acordo com os conceitos da Medicina Quântica e, segundo o médico Vítor Mattos, assim se processa o funcionamento do cérebro.

Essa interrupção da atividade bioelétrica é o que configura a existência da idéia aflorada. Durante a ideação é impossível detectar qualquer atividade elétrica na área. Esta constatação nos leva à relutante aceitação de um conceito incompatível com a nossa cultura ocidental, para a qual, qualquer atividade criativa exige ou corresponde ao desprendimento de alguma forma de energia, explicou Mattos.

O cérebro funciona por negação. Os estados de transe meditativo nos quais procura-se através de exercícios ascéticos e posturais, como na ioga por exemplo, fazer com que a atividade bioelétrica cerebral abaixe a um nível mínimo quanto à intensidade mantendo-se mais lento, quanto à freqüência, demonstra claramente que quanto mais profundamente necessitamos da ação intelectiva, mais freiamos ou inibimos a atividade cerebral e uma das provas disto é que quando meditamos e procuramos pensar com profundidade, procuramos ficar fisicamente quietos, até mesmo quase imóveis entrando num estado de quase transe. Daí as técnicas modernas de treinamento autógeno que torna possível um certo controle sobre os ritmos cerebrais.

O fato, de acordo com Mattos, é que quanto mais nervoso, agitado (beta-dominante) é o indivíduo, maior é a dificuldade de pensar com profundidade.

Quanto mais calmo e tranqüilo (alfa-dominante) é o indivíduo, maior facilidade de raciocínio e de influir sobre outras pessoas e no próprio ambiente.

Os chineses, através da bioenergética, mola mestra da medicina chinesa, defendem este ponto de vista há milênios, com uma conceituação que tornou um paradigma aceito hoje em dia como uma verdade científica das mais expressivas: Quanto menos funciona o cérebro em termos físicos, bioenergéticos, mais funciona o intelecto, principalmente a mente corpórea. Este é o princípio da não-ação que por sua vez contraria outro princípio cultural Newtoniano, de que para criar é preciso agir.

Mattos explica que isso ocorre muito pelo contrário, é perfeitamente possível raciocinar, intuir, criar num estado de relaxamento com pouca ou quase nenhuma atividade cerebral, pois através deste princípio sabe-se que grande número até mesmo a maioria das grandes criações teóricas que resultaram em grandes invenções ou descobertas, foram concebidas por seus autores em momentos de grande relaxamento e repouso físico, num estado que seus autores descreveram como sendo crepuscular.

As filosofias orientais que servem de base a fundamentos religiosos do tipo zen-budismo, a meditação zen, o xintoísmo e o taoísmo, empregam o princípio da não-ação, através da prática de exercícios (muitos difíceis para os ocidentais) que tornam possível o desenvolvimento de intelecto praticando este princípio.

Uma vez alcançando o nível de desenvolvimento adequado, o praticante torna-se capaz de manter o cérebro sem atividade psicológica, o que amplia a sua capacidade intrínseca no sentido de entender ou resolver grandes e profundas questões metafísicas, físicas, individuais e sociais, pois na verdade, a mente humana possui todas as informações de que necessita. O que é necessário aprender é como fazê-las aflorar à consciência.

Quanto menos funciona o cérebro em termos físicos, bioenergéticos, mais funciona o intelecto, principalmente a mente corpórea. Este é o princípio da não-ação.

A mente está em todo corpo

A mente está em todo o corpo. Assim se poderia enunciar o conceito de corporeidade da mente, de acordo com Mattos.

O organismo como um todo, está dotado em cada uma de suas células, de um substrato mental, de uma memória de si mesma, de uma capacidade racional característica e exclusiva. O organismo é capaz de identificar, analisar, reproduzir, inibir e expulsar um invasor estranho ainda que microscópico; melhor ainda quando é microscópico, ou seja, quando as dimensões físicas do invasor tornam possível um sensoriamento global de suas características.

Quando consegue envolver com seus sistemas e métodos analítico/defensivos interpretar e antever as conseqüências da invasão, mobilizando recursos internos, na maioria das vezes, bastante competentes, para atuar em defesa de sua subsistência e manter assim sua integridade e higidez.

Este comportamento complexo foi desenvolvido lentamente, do decorrer de milhões de anos, através de tentativas e experiências, entre erros e acertos. Tal comportamento, sem dúvida, envolve alguma forma de inteligência intrínseca. A seqüência do procedimento orgânico com relação ao fenômeno da invasão metodológica e objetiva, além de sintetizar as experiências de um aprendizado por conseqüências - empírico - que é a única maneira de fazer funcionar o mecanismo genético, visando as gerações futuras da espécie. O emprego de experiências passadas como fator modulador de experiências futuras é, sem dúvida, a expressão de um racionalismo celular coerente ou pelo menos, expressivo quanto à existência de uma mente atuante.

O papel exercido por esta mente celular, por extensão, corpórea, é de absoluta e fundamental importância. Sem a sua participação seriam impossíveis as reações defensivas e adaptativas que possibilitam a subsistência e manutenção da saúde relativa.

Assim é que, quando um organismo é vítima de um acidente, lesando uma de suas estruturas - quebrando um osso, por exemplo - é disparado um alarme através do sistema nervoso central e concomitante pela corrente sangüínea, que estimula os mecanismos regenerativos, dirigindo para a área de interesse, células defensivas e regenerativas responsáveis pelo condicionamento e consolidação da fratura, explicou Mattos. Da mesma maneira, quer seja uma fratura, um corte ou um processo inflamatório e infeccioso, o sistema defensivo/regenerativo é estimulado e sua atuação é prontamente exercida de maneira eficiente que permitam as circunstâncias.

Quanto à eficiência deste sistema orgânico auto-referente não existem dúvidas. Os médicos, os biólogos e cientistas da área conhecem-no em detalhes e maravilham-se com sua observação e estudo.

A participação da consciência no evento é absolutamente irrelevante. Tanto faz o indivíduo tomar ou não consciência do problema. O procedimento auto-regenerador age per se stesso - parafraseando Galileu, quando lhe perguntaram como se movia a Terra ao redor do Sol - por si mesma, respondeu, afirmou. O mesmo se dá com o sistema imunológico/regenerativo humano, movido por sua própria autonomia reflexa, modulado por uma mente celular que se constitui na síntese funcional de um campo particular (no sentido de composto por partículas). Um campo que absorve, produz e se estrutura em termos de leis físicas e por esta razão pode ser detectado, estudado, compreendido e até quantificado.

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