O IV Congresso Universitário da Universidade de São Paulo (USP) terminou na última quarta-feira sem apresentar propostas para quebrar o que os congressistas classificaram de estruturas burocráticas, hierárquicas e autoritárias da universidade. Os três dias de Congresso (9 a 11 de abril) serviram para que alunos, professores e funcionários da USP debatessem as inúmeras propostas que foram apresentadas pelas respectivas categorias.
O Congresso é encarado pelos participantes como a continuidade de uma luta que não se restringe apenas à correção de salários defasados, mas também ao restabelecimento e intensificação do papel social da universidade e a necessidade da mudança radical de suas estruturas essenciais.
Entre as propostas levadas ao debate, figura a que procura acabar com o vestibular dentro da USP e, conseqüentemente, dentro de todo o sistema de ensino público superior. De acordo com Ricardo da Silva, aluno do 3.º ano do curso de Odontologia, da FOB de Bauru, e um dos participantes do Congresso, busca-se com essa proposta a democratização total do ensino universitário. Segundo ele, é preciso oferecer vagas, em escolas públicas, a todos aqueles que querem ingressar em uma faculdade.
Para que uma proposta seja levada a plebiscito é necessária sua aprovação por pelo menos 1/3 dos representantes dos alunos, professores e funcionários. Esses representantes recebem a classificação de delegados. Para ser aprovada pelo plebiscito, a proposta precisa da concordância da maioria simples dos 408 delegados. Se receber sinal verde no plebiscito, as propostas são encaminhadas à Reitoria da universidade ou aos órgãos competentes do governo, dependendo do assunto a ser tratado.
Uma nova reunião está marcada para o próximo sábado, dia 21 de abril, também no anfiteatro da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU), na Cidade Universitária, em São Paulo. Silva acredita que dessa reunião possa sair alguma proposta concreta. Segundo ele, o que faltou no Congresso da semana passada foi tempo para discutir todos os assuntos em pauta.