Percebe-se, atualmente, a necessidade de um desenvolvimento sustentável. Isso significa produzir sem destruir o meio ambiente, garantindo, sempre, a produção agrícola, sem maiores prejuízos. Nos últimos anos, a agricultura brasileira mostrou grandes avanços, com a introdução do controle biológico de pragas e do plantio direto. Segundo pesquisas, as despesas com agrotóxicos dobraram entre 1993 e 1997. Em 1998, no Brasil, foram despejados no meio ambiente mais de 100 milhões de litros de fungicidas, herbicidas e inseticidas. O Brasil tem a posição de quarto maior consumidor de agrotóxico do mundo.
É evidente que os prejuízos causados por agrotóxicos não atingem só a agricultura, mas, também, a saúde e o ambiente. A aplicação dos pesticidas, quando é feita de modo manual, por pequenos produtores, pode expor o trabalhador rural à contaminação. Isso é confirmado pelo grande número de intoxicações agudas, danos à saúde registrado no Brasil. Os pesticidas deslocam-se no ambiente, transportados por ventos e pela chuva, gerando uma das mais temidas formas de poluição das águas. O desafio é controlar as pragas sem contaminar o ambiente. Para isso tem-se que conscientizar de algumas possibilidades a discutir a seguir.
Uma das reduções dos problemas causados pelo agrotóxicos tem sido a substituição dos produtos mais nocivos por outros mais suaves: biodegradáveis, mais específicos, que exigem concentrações mais baixas e que sejam menos tóxicas. Outro processo de controle seria a exclusão do mercado de produtos que apresentassem maiores taxas de intoxicação, lixiviação (transporte para o lençol de água). Além disso, se as indústrias poluírem o lençol de água, caberá ao fabricante custear a despoluição. A comunidade científica, além de pesquisar soluções para minimizar os efeitos dos agrotóxicos, deve esclarecer a população, o que aumentaria a pressão por postura mais adequada e dinâmica dos órgãos públicos fiscalizadores. A situação permite que a utilização dos agrotóxicos seja decidida apenas pelos interesses econômicos da indústria e produtores rurais. Só a introdução da modernização possibilitará alcançar, gradativamente, a almejada sustentabilidade agrícola.
(*) A autora, Rosemari Aparecida de Abreu, é pedagoga e geógrafa. E-mail: rosemariabreu@ig.com.br.