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Tese: professores evitam a geometria

Rita de C. Cornélio
| Tempo de leitura: 5 min

Pesquisas realizadas com professores da área de Matemática indicam que estes estão mal preparados para ensinar geometria

O ensino de Matemática, especialmente da área de geometria, pode estar totalmente comprometido em todo o Estado. Uma pesquisa realizada com professores desta área de ensino constatou que eles estariam mal preparados para ensinar geometria. Nos testes aplicados para avaliar a capacidade deles em resolver problemas geométricos, as médias foram sofríveis. Em uma escala de zero a dez, os alunos de licenciatura obtiveram média 2,0 e os de magistério, 0,68.

Na opinião do professor doutor Nelson Antonio Pirola da Unesp/Bauru, que realizava pesquisa, esses alunos não estão aptos a lecionar adequadamente. Eles não sabem a matéria e, portanto, não vão conseguir ensinar.

Para chegar à conclusão, Pirola pesquisou 214 estudantes, sendo 124 professores do curso normal e 90 do curso de licenciatura do curso de Matemática. A pesquisa foi aplicada na faculdade e em cinco escolas de formação de professores do ensino fundamental, de uma região do Estado de São Paulo.

Os pesquisados foram submetidos a provas e testes. A pesquisa foi basicamente investigar se os futuros professores tinham habilidades básicas para solucionar problemas matemáticos, na área de geometria.

Os problemas aplicados nos futuros professores eram os chamados não-convencionais. Problemas com informações completas, incompletas e com dados supérfluos ou redundantes, para verificar se o futuro professor conseguia selecionar os dados importantes para a solução do problema. Eu me baseei em um autor soviético.

Os futuros professores encontraram muitas dificuldades, segundo o pesquisador. Há uma tendência de pegar todos os números que aparecem nos enunciados para colocar na solução. Percebi que este tipo de problema não é familiar aos alunos de magistério e de licenciatura em matemática.

Nos problemas com dados incompletos, colocados nos testes com o objetivo de fazer com que os futuros professores levantassem várias hipóteses como solução, eles também encontraram dificuldades. Problemas com várias soluções, simples como, por exemplo, calcular a área de um retângulo de 36 centímetros quadrados. Embora não tenha sido fornecida a medida de nenhum lado, os futuros professores poderiam levantar várias hipóteses.

A dificuldade mais evidente, segundo o pesquisador, foi que os futuros professores não sabiam as fórmulas para resolver os problemas. Ele esqueceram. Outra conclusão dele é que o ensino de geometria é baseado em fórmulas. Quando se esquece a fórmula, não se resolve os problemas. As fórmulas são importantes, mas os conceitos não podem ser esquecidos. Alguns estudantes, futuros professores, confundiam conceito de triângulo isósceles, o mais ensinado.

De acordo com Pirola, uma das pessoas pesquisadas admitiu não estar preparada para ensinar geometria. Ela teria reconhecido que não sabia nada à respeito do assunto. Ela disse que sabia que o ensino era fraco, mas não imaginava que era tanto.

Próximos passos

Na opinião do professor-doutor, os cursos de formação de professores, tanto do magistério como de licenciatura em Matemática deveriam priorizar o ensino de geometria. A noção espacial se obtém com a geometria. O mundo é praticamente geométrico.

Pirola acha que os professores deveriam ser treinados. Muitas vezes, o treinamento é feito num nível considerado médio, porque pressume-se que ele saiba o básico. Mas, muitas vezes, ele não sabe. Talvez, por isso, muitos professores não queiram ensinar geometria nas escolas.

Na opinião dele, a reformulação do ensino de geometria é urgente. Tanto no curso normal quanto na licenciatura é importante que se priorize as práticas de ensino e conceitos, porque é uma bola de neve. O futuro professor não sabe e, portanto, não ensina. O aluno não aprende e quando retorna à sala de aula como professor, evita a matéria.

Perserverança

O professor-doutor é um pesquisador nato. Desde quando cursou a faculdade, em 87, trabalha na área de educação, com a questão da aprendizagem e ensino de Matemática. Trabalhei com alunos de 5.ª a 8.ª série. Investiguei à respeito da formação de conceitos em geometria e detectei que os estudantes tinham dificuldades em descrever figuras geométricas. Eles não sabiam classificar as figuras mais elementares da geometria.

A partir da pesquisa, ele fez uma investigação teórica. O ponto crítico é que os professores quando vão ensinar geometria, priorizam mais as fórmulas do que o próprio conceito. Quando o aluno esquece as fórmulas, não consegue resolver os problemas.

Por falta de exemplos e contra-exemplos, segundo o professor, os estudantes não conseguiam classificar os vários tipos de triângulos. Eles só identificam o triângulo eqüilátero. Outros tipos de triângulo eles não conseguem descrever. Isso porque, o professor só apresenta um tipo e ele generaliza.

No aprendizado de triângulo, por exemplo, cita o professor, é importante que o aluno saiba as características. Para que ele possa, em outras situações, identificar a figura geométrica. O triângulo é formado por segmentos de reta e muita gente confunde. Na época, eu mostrei uma pirâmide e os estudantes acharam que era um triângulo. A pirâmide é figura tridimensional e triângulo é figura plana.

A literatura, de acordo com Pirola, aponta que tanto no Brasil quanto em outros países, a geometria é abandonada dos currículos escolares. Embora continue fazendo parte, no papel. Os professores evitam a geometria por falta de conhecimento.

Geometria é estudada no contexto escolar e cotidiano

No Centro Específico de Formação de Professores (Cefam) a geometria é trabalhada nos dois últimos anos. A geometria é estudada em operações matemáticas explorando blocos lógicos e a relação das formas geométricas no contexto escolar e na vida cotidiana do aluno, explica a diretora Olinda Aparecida Bassan Franco.

De acordo com ela, a geometria para as futuras professoras é trabalhada no dia-a-dia, vendo as formas da natureza e tudo aquilo que está ao seu redor. No contexto da escola e na vida cotidiana, fazendo uma transposição da aprendizagem do conteúdo com a vida.

No terceiro bimestre, do terceiro ano, as alunas fazem uma análise dos livros diáticos para observar como a geometria é tratada. Na maioria dos livros, o conteúdo de geometria está separado, no final do livro, não favorecendo este trabalho de exploração do cotidiano.

No quarto ano, o estuda da geometria é retomado. Os nossos alunos não ingressam no ensino fudamental com facilidade. Talvez, por isso, não seja aplicado, de imediato, esta metodologia, na rede. Na rede pública essa experiência não é notada.

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