Ao contrário do que a maioria das pessoas pensa, a gravidez não é um período de abstinência sexual forçada. A mulher que está esperando um bebê pode ter relações sexuais sem problema algum para ela, o parceiro ou o filho. Segundo a ginecologista Marli Faria, o sexo na gravidez não faz mal algum e deve ser feito enquanto a mulher se sentir confortável. O casal pode ter relações sexuais normais até 15 dias antes do parto, se quiser, afirma a médica.
É claro, que essas afirmações só são válidas no caso de uma gravidez normal, sem nenhum problema. O sexo só se torna perigoso quando a gestante apresenta uma gravidez de risco e sofre a ameaça de um abortamento. De acordo com a ginecologista é comum que seja recomendada abstinência sexual total se a mulher apresentar placenta baixa, já tiver sido feita a cerclagem do colo do útero ou ainda, tiver um histórico de rompimento de bolsa ou ter sofrido abortamentos naturais. Nesses casos, a gestante fica terminantemente proibida de realizar qualquer esforço físico.
O ato sexual não machuca a criança que está por vir. O maior medo das pessoas que acreditam nisso é que durante o sexo o pênis vá atingi-la, o que não passa de uma lenda. O feto fica bem protegido no útero e na bolsa amniótica e não pode ser penetrado por sêmen ou por qualquer microorganismo infeccioso. Desde que o homem não seja portador de doença sexualmente transmissível, também não há perigo de infecção. E, apesar de sentir as contrações uterinas depois do orgasmo, o bebê não é capaz de ver e nem de entender o que se passa durante o ato sexual, nem sofre com isso.
Além disso, o sexo durante a gravidez pode trazer benefícios. Os espermatozóides liberados pelo homem contém uma substância que faz o útero se contrair, facilitando o trabalho de parto. E a relação nessa fase pode até ser mais gostoso porque a vagina fica bem elástica e lubrificada, o que pode garantir mais prazer.
Parceiros: diferentes reações
A gravidez geralmente provoca dois tipos de reação nos homens. Alguns sentem prazer só de olhar ou tocar na barriga da gestante e continuam tendo vontade de transar com a parceira, enquanto outros se afastam, se tornando supercuidadosos. O comportamento no segundo caso, na realidade, pode estar ligado ao conceito errado de que sexo na gravidez pode fazer mal ou ainda à mudança de visão do homem em relação à sua parceira. Ele pode passar a vê-la, antes de tudo como uma mãe e não como uma mulher, diz Marli Faria.
Nesse caso, os homens que se afastam das companheiras na cama acham que a mulher grávida é frágil e não deve ser incomodada sexualmente. O problema é que o que parece ser uma proteção masculina pode acabar sendo ainda pior para a mulher que já está vulnerável e com a recusa do marido pode acabar se sentindo rejeitada. Ou seja: além de piorar o relacionamento entre o casal, a falta de sexo pode atrapalhar a gravidez.
Mas em alguns casos, a mulher também não se sente interessada em sexo nesse período. A explicação está na perda de libido natural pela qual o casal pode passar durante a gestação.
Decisão a dois
Sem nenhum impedimento por parte da medicina, a decisão de manter ou não relações sexuais durante a gravidez deve ser do casal. Muitos parceiros aproveitam esse período para fazer novas descobertas sexuais. E acabam se aproximando cada vez mais, estreitando os laços afetivos. Outros, preferem evitar o sexo durante os nove meses e isso não tem nada de errado desde que essa decisão seja dos dois. caso tome essa decisão, é preciso ficar claro que a falta do sexo com a penetração em si não quer dizer que o casal não deva se tocar, pelo contrário. A penetração é somente uma parte da relação sexual. Diálogo, carícias, beijos e abraços são sempre indispensáveis.
Nove meses com prazer
Sexo tudo bem, mas é claro que não é possível para uma mulher grávida variar demais nas posições nem pensar em seguir o kama sutra. O sexo tradicional, com o homem por cima, também fica inviável, porque a mulher não vai suportar o peso do parceiro. Marli Faria recomenda as variações de posições laterais como ideais. Saiba como é possível variar.
A mulher deita de barriga para cima e o parceiro se encaixa por baixo das pernas dela, meio de lado. Nessa posição, não há interferência da barriga durante o ato sexual. Ele deita de barriga para cima e a mulher senta em cima do parceiro, controlando a profundidade da penetração e a sua movimentação.O casal deita de lado: ela fica na frente, com as pernas dobradas, e ele se encaixa por trás. Deste modo, o pênis não vai até o fundo. O casal também deita de lado, mas a mulher flexiona a perna de cima e deixa a de baixo estendida, enquanto o homem se encaixa por trás.
Síndrome de feiúra
Um certo desconforto, principalmente nas primeiras semanas de gestação, é aceitável. Muitas mulheres apresentam enjôos e náuseas, pois estranham as mudanças que estão ocorrendo no seu corpo. Justamente por causa desses sintomas, é provável que não tenham desejo sexual - afinal, é difícil pensar em prazer quando se está passando mal.
É natural também perder a vontade de transar bem no final da gravidez. Nas últimas semanas, como a barriga fica muito grande e as pernas incham, há mais dificuldade para se mover - e o cansaço vem mais rápido. Mas, nos meses intermediários, o corpo geralmente já se adaptou ao bebê e o casal pode descobrir posições bem tranqüilas e prazerosas para transar. O problema é que algumas gestantes não conseguem conviver bem com as mudanças no visual. E resolvem não ter relações sexuais porque, geralmente, se sentem feias e gordas. Daí, acontece o pior: elas não conversam com o parceiro, concluindo que ele está sentindo a mesma coisa, e se afastam. Algumas têm até vergonha de ficar sem roupa quando o companheiro está por perto. Muitas vezes, essa situação se prolonga por toda a gravidez sem que os dois conversem sobre o assunto. Isso pode acabar atrapalhando a gestação, por isso, o diálogo é a melhor maneira do casal chegar a um acordo sincero e satisfatório e curtir os nove meses sem encanações.
Fonte: Internet