A passagem constante sobre as ondulações, remendos e buracos que estão por todo o asfalto da cidade traz prejuízos aos veículos. Algumas peças não chegam a durar a metade do que deveriam
Os buracos, fissuras, remendos e ondulações que se espalham de forma generalizada pelo asfalto das ruas de Bauru reduzem a vida útil dos veículos, exigindo reparos precoces nos novos e deteriorando ainda mais os antigos. Algumas oficinas consultadas pelo JC nos Bairros confirmam os prejuízos e o aumento da procura, mas não sabem quantificá-lo e nem precisar desde quando a péssima pavimentação vem fazendo mal aos veículos.
Com exceção de casos mais graves, como problemas na suspensão e amortecedores - normalmente ocasionados por passagens bruscas sobre depressões profundas -, a maior parte dos proprietários pede socorro mecânico em razão de barulhos de origem desconhecida. Os modelos populares, cujos painéis são basicamente de material plástico, são as principais vítimas dos desencaixes que acabam provocando ruídos contínuos e irritantes. Mesmo os carros zero quilômetro não demoram muito a apresentar o problema. Tudo por conta da trepidação constante sobre calçamentos irregulares, ruas de paralelepípedos e buracos aparentemente inofensivos.
As portas também são bastante afetadas, seguidas das peças conexas através de parafusos e roscas. Não é preciso andar muito para que elas se soltem. O problema pode evoluir se o conserto foi tardio. A incidência aumentou bastante e as reclamações se avolumaram. As buchas de balança e os pivôs são as peças que mais sofrem desgastes, pontua Álvaro Hortelã, gerente de serviço de uma das principais oficinas autorizadas da cidade.
Há quem despreze os efeitos do asfalto ruim para os veículos, mas aí vai um dado alarmante: uma troca de peças que só deveria ocorrer aos 50 mil quilômetros rodados e por desgaste natural pode se antecipar a 20 mil quilômetros. Os serviços de alinhamento e balanceamento, que devem ser feitos a cada 10 mil quilômetros rodados, também podem ir por terra em apenas uma semana se o veículo for engolido por algum dos inúmeros buracos existentes. Os pneus também não estão livres e, dependendo da falta de sorte, acabam se rasgando nas fissuras e bordas de depressões. Sorte mesmo de quem tem jipe ou veículos especiais para terrenos acidentados.