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Drumnbass brasileiro sacode SP

Ricardo Polettini
| Tempo de leitura: 2 min

É difícil dizer o que já produziu som em volume mais alto, no Autódromo de Interlagos: os carros de corrida ou os DJs do Skol Beats, festival de música eletrônica que aconteceu no último sábado, em São Paulo.

As mesmas curvas que normalmente servem de caminho para a Fórmula 1 guiavam quase 20 mil pessoas às quatro tendas do festival, cada uma dedicada a uma vertente eletrônica: house, tecno, trance e drumnbass. A maratona bate-estaca começou às 16 horas de sábado e foi até quase 8 horas da manhã do dia seguinte.

Por incrível que pareça, os gêneros mais puristas da música eletrônica - house e tecno - foram os que menos atraíram público. Uma pista de que o underground digital está cada vez mais em alta por aqui.

A prova foi a tenda drumnbass - estilo considerado mais marginal e obscuro, calcado em temas de contrabaixo utragraves costurados com batidas rápidas e pulsantes - que foi a primeira a ficar completamente lotada.

Mais um sinal da popularidade do drumnbass no Brasil é que as melhores atrações da tenda (e talvez de todo o festival) eram brasileiras: Drumagick, Ram Science, Patife e Marky, os dois últimos, estrelas em Londres, onde não caminham sem distribuírem autógrafos.

Ram Science fez uma das apresentações mais interessantes, coincidência ou não, foi a que se aproximou de shows de rock. Com um DJ e músicos na bateria, percussão e dois contrabaixos, ele chamava o público à celebração. Este, respondia em êxtase.

As esperadas atrações internacionais, como os ingleses Ray Keith, Andy C. (drumnbass) e Mr. C. (tecno), o canadense Richie Hawtin Plastikman (tecno) e o americano Christopher Lawrence (trance), apesar de boas, não superaram em empolgação às apresentações brasileiras.

A tenda house foi a mais vazia - e a menor também. A frieza era contornada pelos efeitos de raios laser e iluminação hi-tech.

Fora a música, outros atrativos chamavam a atenção de descolados e cybermanos. Um parque temático radical - com bang-jump, simulação de queda-livre e cama elástica - embora pouco concorrido, fazia a cabeça de quem queria um pouco mais de aventura. Em outro estande, badulaques e soovenires do prestigiado Mercado Mundo Mix. Embora pequeno e com poucas opções, agradou a quem queria levar lembrancinhas para casa.

Um espaço com muita procura era o que dava um trato no visual do público com tatuagens, tinta nos cabelos, maquiagem e relax via shiatsu. Só para não dizer que Bauru ficou de fora, representando a cidade e com a mão na henna estava a equipe do tatuador Marcelão, do ateliê Tattoo Maniax.

Saldo positivo. Se a proposta de ser o maior evento de música eletrônica no Brasil ainda tem chão, pelo menos o Skol Beats mostrou que a cena brasileira está crescendo e o público, cheio de energia para gastar. Diga lá quem dançou durante quase 16 horas - haja fôlego - e ouvidos!

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