Vereadores se reúnem hoje com prefeito para sugerir ações urgentes e que secretários coloquem cargos à disposição
Em meio à forte crise desencadeada pelo caso das marmitex, apurado e revelado pelo Jornal da Cidade, e suas repercussões, que insistem em não cessar, mais a circulação de novas informações de bastidores, os vereadores da bancada de situação vão se reunir no final da manhã de hoje com o prefeito Nilson Costa (PPS) para exigir dele a exoneração de pelo menos três secretários municipais. O encontro, em regime de urgência, foi articulado pelo presidente da Câmara Municipal, Walter Costa (PPS).
Os parlamentares também vão sugerir ao prefeito que todo o secretariado coloque os cargos à disposição, para que ele fique à vontade para promover as alterações que achar necessárias, incluindo as pedidas pelos vereadores. Segundo o JC apurou, a pressão sobre o chefe do Executivo para que sejam adotadas medidas radicais parte, também, de setores de sua assessoria direta, militantes do PPS e até de uma parte do secretariado. A cada dia, aumenta a temperatura no 3.º andar do Palácio das Cerejeiras, na mesma proporção da circulação de informações.
Segundo lideranças da bancada situacionista, consultadas ontem, o cumprimento das sugestões será fundamental para que o prefeito mantenha a base de sustentação de seu governo no Legislativo. Caso contrário, Nilson perderá apoio na Câmara Municipal e o resultado imediato será a fragilização política de sua Administração.
A reclamação do bloco governista também está relacionada ao tratamento que alguns secretários estão dispensando a vereadores do grupo. A insatisfação é grande. Os secretários mais visados seriam os de Obras, arquiteto Edmilson Queiroz Dias, o da Administrações Regionais, Celso Donizeti e o secretário de Administração, Flávio Uchoa, que também figura na lista de cortes que será apresentada ao chefe do Executivo.
A principal reclamação dos vereadores nilsistas em relação ao secretário de Obras é sua virtual ausência física no cargo que exerce. Além de secretário, ele é um dos diretores da Faculdade de Engenharia de Lins (100 km a Oeste de Bauru), onde, segundo alguns parlamentares, permanece três dias da semana a serviço da instituição.
Se não mudar, vai ficar difícil, profetiza um dos descontentes do bloco. O secretário de Obras tem que usar botinão, sujar os pés de lama e trabalhar todos os dias, completa. Ele critica a inércia do prefeito diante da ineficiência de secretarias chamadas nevrálgicas para o governo.
A Secretaria das Administrações Regionais (Sear) é uma delas. Os vereadores reclamam muito do atendimento de serviços básicos solicitados pela população, através de seus gabinetes. Pedidos como tapar buracos, terraplenagem, capinação de praças - considerados termômetro na relação Prefeitura/comunidade - não são realizados quando solicitados pelos parlamentares ou demoram a ser executados.
Os vereadores da situação, que encontram no Governo Municipal o ponto de apoio para atender seu eleitorado, não escondem que sempre deram apoio político à Administração na Câmara. Mas o feedback acaba não acontecendo. Quando precisamos, não há respaldo, relata outro descontente com o Palácio das Cerejeiras. Se não mudar essa situação, acho bom o prefeito fechar a Prefeitura para balanço, sugere, com uma pitada de ironia. Eles alegam que estão ficando impopulares diante desse quadro.
Desgastado
Os parlamentares do bloco governista também vão dizer a Nilson Costa que as situações do titular da Sear, Celso Donizeti, e do secretário da Administração, Flávio Uchoa, são insustentáveis. Donizeti começou a sofrer desgastes após as eleições municipais de outubro do ano passado, quando foi acusado de ter apoiado outros dois candidatos a prefeito (Tuga Angerami e Pedro Tobias), além de Nilson. Uchoa por conta de desencontros internos e externos, notadamente o caso das marmitex. A bancada situacionista avalia que não há mais clima para a permanência de Uchoa no governo após o caso marmitex.
Os parlamentares nilsistas vão argumentar ao prefeito que o desgate provocado pelo caso é grande e que está cada vez mais difícil defender Uchoa e explicar à população por qua a Prefeitura tinha intenções de terceirizar tão apressadamente o preparo da comida dos servidores, comprando marmitex a R$ 3,60 a unidade.
A reunião de hoje, marcada para ser realizada no Gabinete do prefeito, deverá contar com a participação do comando político do PPS. Se tudo correr bem, a lavagem de roupa suja do grupo deve terminar em uma das churrascarias da cidade. Caso contrário, pode terminar mais tenso do que está começando.