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CURVAS DE NÍVEL - PREVENÇÕES CONTRA AS ENCHENTES

Diorindo Lopes
| Tempo de leitura: 3 min

Esse Ser superior que aprendi a conhecer como Deus, quando criou a terra e tudo o que nela existe limitou a inteligência de todos os seres. O homem, vaidoso e convencido como é, elegeu-se o mais inteligente e passou a colocar debaixo dos seus pés os demais, inclusive seus próprios semelhantes.

Como a natureza não permite ser agredida, quando acontece, sua resposta é implacável. O homem, sabichão como pensa ser, dividiu a terra em pequenas, médias e grandes propriedades. Desmatou, queimou, lavrou, plantou e criou, sem se preocupar em prover o solo de meios de defesa contra as erosões. Ao invés de ará-lo com corretas curvas de nível, rasgando sulcos pré-calculados de suas capacidades para reter as águas das chuvas, com volume proporcional ao índice pluviométrico de precipitações, ele chegou a fazê-lo de maneira que cada rego estivesse erroneamente a 90 graus e desaguando direto nos rios e mananciais, assoreando-os.

Aqui em Bauru, como acontece em todos os verões, na noite de 5.ª feira do dia 8/2, p.p., tivemos uma forte intempérie de graves conseqüências, a mais destruidora dos últimos tempos, mas isso não é novidade nos verões. A cada ano, ela se torna mais densa, e com o passar do tempo, em não sendo tomadas acauteladoras providências, virão com mais violência devido a impermeabilização do solo ser cada vez mais acentuada e sua ocupação tão desordenada e ruinosa, e alcançando a Zona Rural, que ocupa os campos agropecuários, sem nenhuma orientação e nem a presença de órgãos fiscalizadores.

Daí, proponho que nossa Prefeitura crie mecanismos legais e inibidores desses abusos, visto que o volume de águas barrentas que deslizam do rio Bauru e de seus afluentes, vinda de lá de suas cabeceiras, é enorme e essa solução só terá êxito se normas austeras forem aplicadas.

No meu entender, os órgãos municipais precisam se associar com as Secretarias de Estado e realizarem, in loco, nas pequenas, médias e grandes propriedades rurais, exploradoras dos solos na mineração, na agricultura, na pecuária e na indústria e, em encontrando irregularidades agressoras, em primeira mão, advertindo os seus proprietários agressores, sem penalizá-los, intimando-os ao uso de técnicas para o rápido corretivo das erosões e a criação de instrumentos para evitar sejam proliferadas. Na segunda visita fiscalizadora, se não foram observadas as recomendações, aplicar aos infringentes duras sanções. E na terceira visita, em continuando o agravo, com a interdição ou mesmo a desapropriação da propriedade.

Eis que um prefeito, além de sua precípua função de administrador, ponderado e justo, deve ser corajoso e jamais deixar espaço para que o censurem de comportamento, onde cada um queira fazer o que bem entende! Precisamos, sim, é fazer de nossa Bauru uma cidade sadia em todos os aspectos, na qual se possa viver sem os sobressaltos surpreendentes das enchentes, são os meus votos.

Em tempo: hoje (dia 6/3/2001) pela manhã estive no canteiro de obras da Prefeitura, à av. dr. Nuno de Assis, onde estão sendo fabricadas as placas para a canalização do rio Bauru. E lá mesmo o depósito dos tubos de concreto armado, futuros emissários dos esgotos, bem como os condutores retangulares com vão de mais ou menos 2,50m de lado, para comportarem as enxurradas; que, no meu ver, também deveriam ser fabricados pela própria Prefeitura. (Diorindo Lopes)

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