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Bauru chega a 49 casos de dengue

Redação
| Tempo de leitura: 4 min

Ontem foram confirmados mais sete casos da doença. Agentes do combate à dengue procuram novos suspeitos

Foram confirmados, ontem à tarde, sete novos casos positivos de dengue em Bauru, dos quais seis são autóctones (contraídos na própria cidade) e um importado da cidade de Lins. Com isso, sobe para 49 o total de casos positivos na cidade neste ano, sendo 41 autóctones e oito importados. Sessenta exames estão em fase de análise laboratorial e outros 40 apresentaram resultados negativos.

De acordo com o coordenador do Programa Municipal de Dengue, Flavio Tadeu Salvador, os casos confirmados ontem são resultados de busca ativa. Dos casos autóctones confirmados nesta quinta, quatro são do Núcleo Gasparini, um do Jardim Bela Vista e um do Núcleo Mary Dota.

Hoje, as equipes do Departamento de Saúde Coletiva (DSC) estarão trabalhando nas áreas de deslocamento dos pacientes. Duas equipes estarão na área central da cidade e uma na Vila Souto, promovendo busca ativa e levantamento de novos suspeitos.

O pesquisador Fernando Marques de Almeida, da Faculdade de Ciências Agronômicas da Unesp de Botucatu, está estudando novas formas de combater a dengue e tem projetos com essa finalidade, como a criação de argilas absorventes, vasos específicos para cemitérios e tampas para vasos sanitários com fechamento automático, entre outros. Ele acredita que os atuais métodos de combate à doença estão obsoletos e que há necessidade da adoção de novas filosofias.

Em 1998, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) adotou a camisinha para vaso, uma criação do pesquisador que trata-se de um protetor de plástico, com furinhos, que envolve o vaso de planta evitando que o mosquito deposite seus ovos na água. A idéia foi adaptada principalmente na Bela Vista.

De acordo com Almeida, uma das principais dificuldades no combate à dengue refere-se à falta de iniciativas inovadoras. Os programas da Secretaria Municipal de Saúde seguem métodos antigos. Nós estamos em um novo século com métodos do século passado, afirma.

O pesquisador acredita que o uso do protetor para vasos não ganhou força em Bauru principalmente por falta de recursos. Os recursos já vêm vinculados a determinadas atividades, como aquisição de veículos e contratação de pessoal. Em outras cidades, como Campinas, a prática foi adotada em escala bem maior. Além disso, novas idéias requerem tempo e amadurecimento para serem adotadas. Ainda assim, Bauru tem o mérito de ter experimentado. Se tivéssemos continuado, poderia não haver casos de dengue atualmente, opina.

A população pode e deve colaborar, sempre que possível, com novas idéias para o combate à dengue, de acordo com Almeida. Ele afirma que algumas de suas criações, por exemplo, tiveram início com sugestões feitas por crianças. Temos que ouvir a comunidade e mudar a forma de envolver a população nesse trabalho. As idéias geniais não vêm de cima para baixo. As novas epidemias mostram que os métodos atuais não estão funcionando, disse.

Entre seus novos projetos com a finalidade de combater a dengue estão a criação de argila absorvente para a colocação em vasos de plantas; vasos para flores próprios para cemitérios, para que a água não fique acumulada a cada chuva; uma substância natural, baseada em raízes de plantas medicinais, de efeito repelente contra o mosquito; e uma tampa para vasos sanitários com dispositivo de fechamento automático, para que não haja possibilidade de o mosquito depositar seus ovos no local. Não adianta apenas limpar o quintal dos outros. Cada um deveria limpar o seu. Deve haver um estímulo a isso. Em vez de multar as casas com irregularidades, poderíamos premiar aquelas que têm os vasos protegidos e o quintal em ordem, por exemplo. É uma questão de filosofia, afirma.

A principal crítica que o pesquisador faz em relação à política de combate à doença refere-se à ausência de trabalhos contínuos. Não devemos pensar nisso quando o problema já existe. O trabalho deve ser preventivo, durante o ano todo. Todo dia é dia de combate à dengue, sugere.

Infrações

Somente no período de 19 de março até ontem, as equipes do DSC efetuaram 293 autos de infração durante o trabalho de combate ao mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue e da febre amarela.

No mês de março foram 160 autos de infração, sendo 51 no Jardim Bela Vista e 39 na região do Jardim Ferraz/Jardim Terra Branca. Já neste mês de abril, dos 133 autos registrados 93 foram no Jardim Bela Vista.

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